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Entre tecidos, trocas e consciência: Boa Vista- RR entra no mapa global da Semana Fashion Revolution

  • Foto do escritor: Amazoom
    Amazoom
  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Evento realizado na UFRR mobiliza estudantes e comunidade para repensar a moda, com ações práticas, debates e protagonismo local.



A moda também fala e, em Boa Vista - RR, ela decidiu fazer perguntas incômodas. Entre os dias 24 e 28 de abril de 2026, a Universidade Federal de Roraima (UFRR) se transforma em território de reflexão, prática e troca com a realização da Semana Fashion Revolution, um movimento global que, por aqui, ganha sotaque amazônico e urgência local.


O quê está acontecendo é mais do que um evento: é um chamado coletivo para repensar os impactos da indústria da moda. Quem puxa essa conversa na capital roraimense é o Coletivo Moda Justa, com articulação direta da coordenadora local Jordânia Cavalcante, representante do Instituto Fashion Revolution Brasil.


Quando isso ocorre, já não é detalhe: a semana integra uma mobilização mundial que marca o calendário crítico da moda e se instala no coração da universidade pública, ocupando salas, corredores e espaços de convivência da UFRR. A programação se constrói por meio de oficinas, bazar de trocas, exibição de filmes e encontros que tensionam o consumo, afirmando que vestir-se, hoje, é também um ato político.

A Semana Fashion Revolution acontece simultaneamente em diversos locais do mundo, convidando as pessoas a refletirem sobre os impactos da indústria da moda na vida dos trabalhadores, no meio ambiente e nas mudanças climáticas”, afirma Jordânia Cavalcante.

Em Boa Vista, segundo Jordânia, a proposta ganha força ao dialogar com o contexto local e com a universidade como espaço de formação crítica. A programação traduz essa intenção em prática. No dia 24, estudantes da disciplina de Prática do Ensino de Artes Visuais participaram de uma oficina de upcycling, reaprendendo a olhar para roupas usadas como matéria-prima criativa – uma resposta direta ao ciclo acelerado do consumo.


Já no dia 28, o campus se abre para o público com um Bazar de Troca, onde peças deixam de ser mercadoria e passam a circular como possibilidade. Cada participante pode levar até dez itens, previamente selecionados, e trocá-los por outros, sem dinheiro envolvido, apenas valor simbólico e consciência.


A dinâmica do bazar, detalhada no material oficial, revela uma pedagogia silenciosa: entregar, avaliar, trocar, ressignificar. O que sobra não vira lixo, vira doação. Um gesto simples que desmonta a lógica do descarte.

 

Filmes e Documentários


Na mesma noite do dia 28, a exibição de filmes amplia o debate. Documentários como Sulanca, Tecido Sigilo e De tudo um pouco sabia costurar costuram narrativas sobre trabalho, território e saberes invisibilizados, trazendo à tona aquilo que muitas etiquetas escondem.


Por trás da programação, há um projeto estruturado. Intitulado Revolução da Moda, ele está registrado como Ação de Extensão da UFRR, sob coordenação da Profa. Dra. Leila Baptaglin, do Curso de Graduação em Artes Visuais. A iniciativa articula ensino, pesquisa e extensão para fortalecer um ecossistema de moda mais ético, local e consciente - conectando estudantes, profissionais e comunidade em torno de um mesmo fio: a responsabilidade.


O material do evento deixa claro o horizonte: “fortalecer ecossistemas da moda”. Mas, na prática, o que se vê é mais profundo. É a tentativa de reconstruir relações com o vestir, com o produzir, com o consumir.



Em um tempo em que o fast fashion acelera tudo, a Semana Fashion Revolution propõe desacelerar o olhar. E talvez seja aí que mora sua força: não apenas denunciar um sistema, mas oferecer alternativas concretas, palpáveis, quase táteis. Para todos, fica o recado: há histórias sendo costuradas nos bastidores daquilo que vestimos todos os dias. E algumas delas precisam, urgentemente, ser contadas.

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