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UFRR recebe programa gratuito de formação em arte, educação e cultura amazônica

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    Amazoom
  • há 49 minutos
  • 5 min de leitura

Promovida pelo Instituto Arte na Escola e pelo Polo Arte na Escola da UFRR, programação será realizada nos dias 3 e 4 de setembro, com oficinas e palestras sobre docência, ancestralidade, arte urbana, inteligência artificial e estéticas trans-amazônidas.

 


Nos dias 3 e 4 de setembro de 2026, Boa Vista vai se transformar em uma grande sala de aula onde a arte poderá nascer de uma semente, ocupar os muros da cidade, conversar com a inteligência artificial e atravessar as fronteiras visíveis e invisíveis da Amazônia. A capital roraimense receberá o Programa de Formação de Agentes Multiplicadores - “Conexões Amazônicas: Arte, docência e Ancestralidade”, promovido pelo Instituto Arte na Escola (IAE), por meio do Polo Arte na Escola da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

 

Gratuita e aberta a professores, estudantes de graduação e pós-graduação, artistas, pesquisadores, agentes culturais e demais interessados, a programação reunirá oficinas, palestras e experiências formativas na UFRR e no Ateliê de Isaías Miliano, no bairro Jóquei Clube. As inscrições devem ser realizadas por formulário virtual.

 

A proposta é aproximar a formação em Arte das experiências culturais, educacionais e territoriais de Roraima. Durante os dois dias, os participantes poderão discutir a docência na Região Norte, experimentar linguagens da arte urbana, conhecer técnicas indígenas de produção de biojoias, refletir sobre ancestralidade e diversidade e explorar possibilidades pedagógicas da inteligência artificial.

 

Para a professora doutora Verônica Pimenta, coordenadora do Polo Arte na Escola da UFRR e coordenadora local da programação, receber o programa representa o reconhecimento da produção artística e dos conhecimentos construídos na Amazônia.

“Trazer esta formação para Roraima significa afirmar que a Amazônia não é apenas um tema a ser estudado, mas um território que produz conhecimentos, pedagogias, linguagens e maneiras próprias de compreender o mundo. A iniciativa é importante porque aproxima universidade, escola, artistas e comunidades, fortalece a formação de professores e permite que nossos estudantes percebam a potência da arte produzida a partir do território, da ancestralidade e das experiências de quem vive aqui”, destaca Verônica.

 

Segundo a coordenadora, o programa também abre caminhos para a criação de redes entre educadores, pesquisadores e artistas. “Queremos que cada participante saia da formação como um agente multiplicador, capaz de levar essas experiências para as escolas, universidades, coletivos e comunidades”.

 

Quando o conhecimento circula, ele cria raízes e, na Amazônia, sabemos que as raízes também conversam por baixo da terra.

 


Dos muros às sementes

 

A programação começa na tarde de 3 de setembro, às 14h, com a oficina Lambe-Lambe como prática pedagógica no ensino de Arte”, ministrada pela professora Floralice Oliveira, no Laboratório Tridimensional do Bloco I do Centro de Comunicação Social, Letras e Artes (CCLA), no Campus Paricarana da UFRR.

 

A atividade apresentará a arte urbana como ferramenta pedagógica para estimular a criatividade, a expressão artística, a leitura crítica das imagens e o desenvolvimento do pensamento crítico. Durante a oficina, os participantes produzirão trabalhos autorais utilizando recorte, desenho e colagem. O papel, geralmente passageiro nas paredes das cidades, ganhará a possibilidade de permanecer na memória das salas de aula.

 

À noite, a partir das 19h, o Auditório do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras (PPGSOF/UFRR) receberá a abertura solene e a palestra “A aprendizagem da docência e a formação de professores de Artes na Região Norte do Brasil”, ministrada pela professora Leila Baptaglin.

 

A conferência discutirá os desafios da formação inicial e continuada dos professores de Artes e o crescimento dos cursos de graduação e pós-graduação na Região Norte desde os anos 2000. O debate pretende olhar para a formação docente a partir das particularidades amazônicas, considerando as distâncias, as desigualdades de acesso e a diversidade cultural que marca o território.

 

Na manhã de 4 de setembro, às 8h, a formação seguirá para o Ateliê de Isaías Miliano, no bairro Jóquei Clube. Ali, o artista indígena conduzirá uma oficina de biojoias em madeiras e sementes, aproximando os participantes dos saberes tradicionais de Roraima. Fibra de buriti, sementes, madeiras, grafismos locais e referências da arte rupestre do estado serão utilizados na produção das peças. Ao final da oficina, uma pequena exposição reunirá os trabalhos desenvolvidos - objetos em que a floresta deixa de ser apenas paisagem e passa a contar histórias com suas próprias matérias.

 


Arte e inteligência artificial

 

A programação retornará à UFRR na tarde de 4 de setembro. Às 17h, o Instituto Arte na Escola realizará a ambientação SkillsBuild: caminhos para o futuro com as habilidades em IA e tecnologia”. Os participantes conhecerão a plataforma IBM SkillsBuild e o curso gratuito “Letramento em IA”, que apresenta conceitos, aplicações e possibilidades de utilização da inteligência artificial em práticas educativas.

 

O encerramento ocorrerá às 19h, com a palestra “A contracolonialidade da estética trans-amazônida: fraturas na partilha do sensível”, ministrada pela professora doutora Elisângela Martins, a Eli Macuxi, da UFRR. A partir do conceito de “partilha do sensível”, de Jacques Rancière, a pesquisadora discutirá a construção contracolonial de uma estética trans-amazônida presente nas ações políticas e nas manifestações culturais e artísticas de pessoas e grupos trans de Roraima, Amazonas e Pará.

 

Para Claudio Anjos, presidente do Instituto Arte na Escola, a chegada do programa a Roraima permite conectar a formação artística às particularidades culturais da região.

“Quando o programa chega a Roraima, ele encontra um território marcado por uma enorme diversidade de saberes, expressões e experiências artísticas. Essa troca é fundamental para uma formação em Arte que dialogue com as realidades locais e reconheça a potência da cultura amazônica”, afirma.

 

Em 2026, o programa percorrerá oito cidades brasileiras. Na edição anterior, realizada em sete municípios, a iniciativa alcançou mais de 1.500 arte-educadores, professores de Arte, estudantes de graduação e agentes culturais.


O projeto faz parte do Plano Anual 2026 do Instituto Arte na Escola, aprovado pela Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e do Instituto Arte na Escola, por meio da Rede Arte na Escola. A iniciativa conta com patrocínio master da IBM, patrocínio da Pragma, copatrocínio da BIC e da Thales e apoio da Universidade Federal de Roraima.

 

Ao reunir conhecimentos acadêmicos, práticas artísticas, tecnologias e saberes ancestrais, o programa pretende fortalecer a formação docente e ampliar as redes de educadores comprometidos com uma educação crítica, criativa e vinculada aos territórios. Durante dois dias, Boa Vista será o ponto de encontro dessas muitas Amazônias - algumas feitas de sementes e tintas; outras, de memórias, algoritmos e sonhos que ainda procuram lugar no mundo.


 

Serviço


Evento: Programa de Formação de Agentes Multiplicadores - “Conexões Amazônicas: arte, docência e ancestralidade”


Datas: 3 e 4 de setembro de 2026


Locais: Campus Paricarana da UFRR e Ateliê de Isaías Miliano, em Boa Vista


Público: professores, estudantes, artistas, pesquisadores, agentes culturais e demais interessados


Inscrições: gratuitas, por meio de formulário virtual

 


Programação

 

3 de setembro

14h - Oficina “Lambe-Lambe como prática pedagógica no ensino de Arte”

Ministrante: Floralice Oliveira

Local: Laboratório Tridimensional, Bloco I/CCLA, Campus Paricarana da UFRR

 

19h - Abertura solene e palestra “A aprendizagem da docência e a formação de professores de Artes na Região Norte do Brasil”

 Ministrante: Profa. Dra. Leila Adriana Baptaglin

Local: Auditório do PPGSOF/UFRR, Travessa Pequim, s/n, Campus Paricarana

 

4 de setembro

8h - Oficina de biojoias em madeiras e sementes

Ministrante: Isaías Miliano

Local: Ateliê de Isaías Miliano, Rua Gavião, nº 107, bairro Jóquei Clube

 

17h - Ambientação “SkillsBuild: caminhos para o futuro com as habilidades em IA e tecnologia”

 Ministrante: Instituto Arte na Escola

Local: Auditório do PPGSOF/UFRR

 

19h - Palestra “A contracolonialidade da estética trans-amazônida: fraturas na partilha do sensível”

 Ministrante: Profa. Dra. Elisângela Martins/Eli Macuxi

Local: Auditório do PPGSOF/UFRR

 

 

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