I Colóquio Interno do PGEDA Roraima une pesquisa, formação e compromisso com a Amazônia
- Amazoom

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Idealizado com protagonismo dos estudantes, encontro integra doutorandos e professores, acompanha o desenvolvimento das teses e debate os desafios do uso da inteligência artificial na produção acadêmica.

Às vezes, uma pesquisa começa antes mesmo da primeira pergunta. Começa no encontro entre colegas, na escuta de quem chegou antes e na descoberta de que nenhuma tese precisa atravessar sozinha os longos caminhos da Amazônia. Foi com esse espírito que o Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia (PGEDA), polo Roraima, realizou, nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, seu I Colóquio Interno.
Com o tema “Pesquisa, formação e compromisso com a Amazônia”, o evento ocupou, durante todo o dia, a sala do PGEDA, no Bloco VI do campus Paricarana da UFRR. A programação reuniu coordenação, professores, doutorandos ingressantes e estudantes das turmas anteriores para compartilhar pesquisas, avaliar o Programa, acolher novos integrantes e fortalecer os vínculos da comunidade acadêmica.
Mais do que uma sequência de apresentações, o colóquio nasceu como uma iniciativa dos próprios estudantes. Ao assumir parte da organização do encontro, os doutorandos mostraram que a pós-graduação também se constrói de baixo para cima, pelas mãos de quem pesquisa, pergunta, tropeça, recomeça e aprende coletivamente.
Para a coordenadora do PGEDA Roraima, professora Leila Adriana Baptaglin, o protagonismo estudantil é um dos principais legados desta primeira edição.
“A iniciativa dos estudantes em propor e construir o I Colóquio Interno demonstra maturidade acadêmica, compromisso com o Programa e disposição para fazer da formação um processo verdadeiramente coletivo. Quando nossos doutorandos criam espaços de diálogo, acolhimento e compartilhamento das pesquisas, eles não estão apenas apresentando teses: estão ajudando a construir o próprio PGEDA e reafirmando o compromisso da universidade com a Amazônia”, destacou Leila.
A programação começou às 8h30, com a fala da coordenação e a apresentação dos novos professores integrados ao quadro permanente do Programa. Passaram a compor a Linha de Pesquisa 1 - Educação na Amazônia: formação do educador, práxis pedagógicas e currículo as docentes Monalisa Pavonne Oliveira e Moema de Souza Esmeraldo.
Na Linha de Pesquisa 2 - Estado, políticas públicas e gestão da educação, ingressaram os professores Karla Colares Vasconcelos, Alessandra Rufino Santos, João Paulino da Silva Neto e João Carlos Jarochinski Silva. A chegada dos novos docentes amplia as possibilidades de orientação, interlocução teórica e desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos desafios educacionais da região amazônica.
Depois de um lanche compartilhado, realizado às 10h, as turmas de doutorandos participaram, a partir das 10h30, de um momento de avaliação do PGEDA. A atividade abriu espaço para que os estudantes apresentassem suas percepções sobre a formação, o funcionamento do Programa e os desafios encontrados ao longo da trajetória acadêmica.
À tarde, a partir das 14h, doutorandos das turmas de 2023 e 2024 apresentaram o estágio de desenvolvimento de suas teses. O compartilhamento permitiu observar como diferentes objetos, territórios, experiências e perspectivas teóricas se encontram dentro do Programa. Cada pesquisa trouxe consigo um pedaço da Amazônia: suas escolas, comunidades, políticas públicas, práticas pedagógicas, culturas, fronteiras e modos particulares de produzir conhecimento.
Para a doutoranda Raine Costa dos Santos, o Colóquio cumpriu uma função importante ao aproximar estudantes ingressantes, turmas anteriores e professores.
“O encontro proporcionou um espaço de interação entre os novos doutorandos e as turmas anteriores, além de possibilitar maior aproximação com os professores que fazem parte do Programa. Compartilhar as pesquisas em andamento favorece a troca de conhecimentos, experiências e perspectivas. Para quem está chegando, esse contato contribui para que se sinta acolhido, motivado e mais confiante para iniciar sua própria pesquisa”, avaliou.
Segundo Raine, o evento também se consolidou como um momento de aprendizagem e construção coletiva. “O I Colóquio Interno representa um momento significativo de acolhimento, diálogo e aprendizagem. A iniciativa fortalece os vínculos entre professores e doutorandos e incentiva o desenvolvimento das pesquisas acadêmicas”, acrescentou.
A programação foi encerrada às 17h, com a mesa “Uso da IA nas produções acadêmicas e revistas predatórias”, conduzida pelo professor Alan Ricardo Costa. O debate tratou de questões que atravessam diretamente a vida dos pesquisadores contemporâneos: os limites éticos da inteligência artificial, a responsabilidade autoral, a integridade científica e os riscos representados por publicações que simulam credibilidade acadêmica sem assegurar processos rigorosos de avaliação.

Ao articular acolhimento, avaliação institucional, apresentação de pesquisas e reflexão sobre os desafios atuais da produção científica, o I Colóquio Interno lançou uma espécie de ponte entre diferentes momentos da formação doutoral. De um lado, estavam os estudantes que começam a desenhar seus caminhos; do outro, aqueles que já aprenderam que uma tese não avança apenas com livros e computadores, mas também com escuta, parceria e coragem.
No PGEDA Roraima, o primeiro colóquio terminou ao fim da tarde, mas as perguntas permaneceram circulando pela sala. Na pós-graduação, elas costumam fazer isso: recusam-se a ir embora, acompanham os pesquisadores pelos corredores e lembram que estudar a Amazônia é também assumir um compromisso com quem nela vive, ensina, resiste e produz conhecimento.




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