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Meninas e Mulheres na Ciência: estudantes de Boa Vista-RR homenageiam Leila Baptaglin na FEIC 2026

  • Foto do escritor: Amazoom
    Amazoom
  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Projeto desenvolvido por alunos do 3º ano da Escola Municipal Professora Ana Sandra Nascimento Queiroz integra a FEIC 2026 - “Mulheres e Meninas na Ciência” - e transforma a trajetória da pesquisadora e artista da UFRR em caminho para imaginar as relações entre ciência, arte, patrimônio cultural e educação intercultural na Amazônia.


Minibiografia da Profa. Dra. Leila Adriana Baptaglin. Por: Livia Maria, 3E.
Minibiografia da Profa. Dra. Leila Adriana Baptaglin. Por: Livia Maria, 3E.

Às vezes, uma feira de ciências começa antes do experimento, da cartolina e da exposição. Começa com uma pergunta simples: quem são as mulheres que fazem ciência perto de nós? Na Escola Municipal Professora Ana Sandra Nascimento Queiroz, em Boa Vista - RR, cinco estudantes do 3º ano E foram procurar uma resposta e encontraram, dentro da própria paisagem de Roraima, a professora, pesquisadora e artista Leila Baptaglin.

 

Arthur, Kalline, Livia Maria, Guilherme e Amanda apresentaram, no dia 29 de julho de 2026, o projeto “Leila Adriana Baptaglin e o Patrimônio Cultural Amazônico: o papel da mulher cientista na valorização da arte e da educação intercultural em Roraima”. A atividade, organizada pela professora Adriana Alves da Silva, foi desenvolvida como parte da preparação para a Feira de Iniciação Científica da Rede Municipal de Ensino de Boa Vista (FEIC 2026), que neste ano trabalha a temática geral “Mulheres e Meninas na Ciência”.

 

E foi justamente aí que a ciência deixou de parecer uma coisa distante, guardada apenas em laboratórios, universidades e livros difíceis. Durante três meses, ela entrou na sala de aula, acompanhou as crianças até suas casas e chamou também as famílias para participar da investigação.

Arthur, Kalline, Livia Maria, Guilherme e Amanda na apresentação do projeto em 29 de julho de 2026.

Segundo a professora Adriana Alves a escolha de Leila Baptaglin procurou apresentar aos estudantes uma mulher que faz ciência a partir do lugar onde eles próprios vivem. Professora e pesquisadora da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Leila atua nas áreas de arte, patrimônio, cultura e educação e desenvolve pesquisas relacionadas aos saberes amazônicos e à interculturalidade. Atualmente, também integra programas de pós-graduação da UFRR e coordena o Polo Boa Vista do Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia (PGEDA).

“O projeto buscou valorizar o patrimônio cultural amazônico, com destaque para o protagonismo da mulher cientista. Escolhemos a professora Leila porque ela reúne a atuação como pesquisadora, cientista e artista em Roraima”, explica Adriana Alves da Silva.

 

Ciência feita com lápis, tinta, conversa e memória


A metodologia adotada ajudou a aproximar pesquisa científica e experiência cotidiana. Adriana Alves da Silva explicou que, além das apresentações, houve também leituras semanais de textos, exibição de vídeos e imagens, rodas de conversa e atividades artísticas. Os estudantes produziram pinturas, participaram de oficina de pulseiras e colares, fizeram reproduções inspiradas no universo de trabalho da pesquisadora e construíram sua minibiografia ilustrada.



Conforme Adriana Alves investigação também atravessou os muros da escola. Os pais participaram da construção da minibiografia, ajudaram nos desenhos, nas ilustrações e no compartilhamento de histórias sobre Roraima. E, o resultado ficou disponível para as famílias e demais estudantes durante a apresentação do projeto.

“As crianças puderam produzir materiais artísticos e didáticos e compreender a importância da valorização cultural, da integração entre arte e ciência, dos saberes tradicionais e da interculturalidade. Os resultados superaram nossas expectativas. Elas participaram, gostaram e passaram a conhecer melhor a arte e a cultura roraimenses”, destaca Adriana Alves.

 

A experiência dialoga diretamente com o propósito das feiras científicas realizadas pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Boa Vista. Na edição de 2025, por exemplo, 185 projetos foram inscritos, e a própria organização destacou como objetivos o desenvolvimento do senso crítico, da criatividade, da investigação científica e do trabalho em equipe. A feira também prevê uma primeira etapa realizada nas unidades escolares antes do compartilhamento dos projetos com a comunidade. É nessa etapa local que o projeto sobre a pesquisadora e artista da UFRR apareceu.

 

Da homenagem ao encontro


A notícia de que sua trajetória havia virado objeto de pesquisa de estudantes do 3º ano do Ensino Fundamental chegou até Leila Baptaglin. A homenagem, então, abriu uma nova possibilidade: transformar a cientista estudada em cientista presente. Ao saber do trabalho, Leila afirmou estar à disposição para visitar a Escola Municipal Professora Ana Sandra Nascimento Queiroz e conversar pessoalmente com as crianças.

“Fiquei extremamente lisonjeada com a homenagem. Sinceramente, nunca imaginei que minha trajetória pudesse chegar a uma sala de aula dessa maneira e se transformar em tema de pesquisa para crianças tão jovens. Agradeço imensamente a generosidade dos estudantes, da professora Adriana, das famílias e de todos os envolvidos no projeto. É muito bonito perceber que aquilo que construímos na universidade, na pesquisa e na arte pode atravessar seus muros e despertar curiosidade e interesse nas novas gerações. Estou à disposição para visitar a escola, conhecer os estudantes e compartilhar um pouco mais dessas experiências com eles”, afirmou Leila Adriana Baptaglin.

A disposição para o encontro completa, de certo modo, o percurso iniciado três meses antes. As crianças começaram pesquisando uma mulher cientista por meio de artigos, imagens, vídeos e histórias. Agora podem encontrá-la do outro lado da sala.


E talvez esteja justamente aí uma das forças da proposta da FEIC 2026 - “Mulheres e Meninas na Ciência”. Permitir que uma menina olhe para uma cientista não como uma personagem distante, mas como alguém que mora na mesma cidade, conhece as mesmas paisagens e transforma a Amazônia em matéria de pesquisa, arte e conhecimento. Porque, quando a ciência ganha rosto e endereço, o futuro também parece ficar um pouco mais perto.


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