Amazoom entra no Mapa Brasileiro da Educação Midiática e leva Roraima para a cartografia nacional da comunicação crítica
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O Amazoom, vinculado à UFRR e coordenado pelo professor Vilso Junior Santi, passa a integrar plataforma que reúne 523 iniciativas de educação midiática no país, fortalecendo experiências de jornalismo, cidadania digital, cultura e combate à desinformação.

O Amazoom - Observatório Cultural da Amazônia e do Caribe agora faz parte do Mapa Brasileiro da Educação Midiática, plataforma nacional que reúne 523 experiências desenvolvidas em escolas, universidades, comunidades, governos, organizações da sociedade civil e projetos independentes de todo o Brasil. A iniciativa, vinculada ao Curso de Jornalismo (CCJ) e ao Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima (PPGCOM-UFRR), aparece no mapa como uma experiência de produção de mídia e jornalismo, com atuação em temas como meio ambiente, clima, saúde, desinformação, direitos humanos, política, democracia, cultura, internet, segurança digital e uso consciente das telas.
Na prática, é como se Roraima acendesse outra lamparina no grande mapa da educação midiática brasileira. Aqui, no extremo Norte do país, onde a Amazônia conversa com o Caribe, com os povos indígenas, com as fronteiras, com as migrações e com os rios de informação que atravessam o cotidiano, o Amazoom passa a ser reconhecido como uma referência entre iniciativas que estimulam o uso crítico, responsável e criativo das mídias para a aprendizagem e para a cidadania digital.
Criado em 2011 pelo professor Anderson dos Santos Paiva e atualmente coordenado pelo professor Vilso Junior Santi, o Amazoom tem como objetivo constituir um espaço de cooperação, levantamento, sistematização, discussão e visibilização de conhecimentos ligados aos saberes tradicionais amazônico-caribenhos e aos processos comunicacionais presentes nesses territórios. Em 2017, com o lançamento da plataforma online, o observatório ampliou suas possibilidades de circulação, intercâmbio e produção de conteúdos, conectando ensino, pesquisa, extensão e experimentação jornalística.
Para o professor Vilso, a presença do Amazoom no Mapa Brasileiro da Educação Midiática representa o reconhecimento de uma trajetória construída a muitas mãos, dentro e fora da universidade.
“Estar no Mapa Brasileiro da Educação Midiática significa mostrar que a Amazônia também produz metodologias, narrativas, tecnologias sociais e experiências comunicacionais capazes de ensinar o Brasil a ler criticamente o mundo. O Amazoom nasceu da escuta dos territórios e trabalha para que estudantes, pesquisadores e comunidades compreendam a comunicação não apenas como ferramenta, mas como direito, memória, disputa de sentidos e forma de existência.”
Mapa Brasileiro da Educação Midiática
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática foi lançado em fevereiro de 2026 e é uma realização da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com apoio do Governo do Reino Unido no Brasil, parceria técnica do Porvir e cooperação da UNESCO Brasil. A plataforma é gratuita e interativa, permitindo navegar por região, tema, abordagem e formato. O objetivo é reunir práticas inspiradoras e recursos que possam ser adaptados a diferentes realidades educacionais, sociais e culturais.
As iniciativas foram selecionadas a partir de duas consultas públicas nacionais. A primeira, realizada entre 2023 e 2024, recebeu 496 inscrições e resultou na seleção de 226 experiências. A segunda consulta, realizada em 2026, recebeu 429 inscrições e incorporou 297 novas iniciativas. Ao todo, o mapa reúne atualmente 523 ações de educação midiática, formando um panorama diverso sobre como o Brasil tem enfrentado os desafios da informação, da desinformação, da cultura digital e da formação cidadã.
No caso do Amazoom, a atuação se organiza em torno de eixos como saberes tradicionais amazônico-caribenhos, etnocomunicação, movimentos sociais, mídia, território, corpo, identidades e práticas comunicacionais. Esses temas estruturam linhas de trabalho voltadas aos estudos de mídia, território e processos comunicacionais; comunicação, memória e identidades; etnocomunicação; mídia, política e movimentos sociais; perspectivas teórico-metodológicas em comunicação e jornalismo; e corpo e comunicação.
Para os estudantes, a entrada do Amazoom no mapa tem um sentido especial: ela mostra que a educação midiática não acontece apenas em manuais, laboratórios fechados ou grandes centros urbanos. Ela também brota nas salas de aula da UFRR, nos projetos de extensão, nas oficinas, nas reportagens, nos podcasts, nos livros, nas pesquisas e nas experiências de escuta realizadas em diálogo com os territórios amazônicos.
“O reconhecimento nacional reforça a importância de formar estudantes capazes de produzir informação com responsabilidade social, sensibilidade cultural e compromisso público”, destaca Vilso Junior Santi. “Na Amazônia, educar para a mídia é também educar para o território, para a diversidade, para a democracia e para o enfrentamento das desigualdades históricas que atravessam a comunicação.”
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática não funciona como certificação de qualidade das experiências, mas como uma cartografia pública de iniciativas que ajudam a fortalecer o campo no país. As informações nele coletadas foram fornecidas pelos responsáveis pelas ações e organizadas pela equipe de curadoria e publicação da plataforma, com o objetivo de dar visibilidade a práticas que possam inspirar novas políticas, pesquisas e projetos.
Presença do Amazoom
A presença do Amazoom nesse conjunto nacional reforça o papel da UFRR como espaço de produção de conhecimento situado, comprometido com os desafios comunicacionais da Amazônia e atento às urgências do tempo presente.
Em uma época marcada por fake news, ataques à ciência, discursos de ódio, manipulação algorítmica e disputas permanentes pela verdade pública, experiências como o Amazoom ajudam a lembrar que o jornalismo e a educação midiática continuam sendo formas de plantar lucidez onde a desinformação tenta fazer sombra.
Mais do que entrar em um mapa, o Amazoom ajuda a redesenhar o mapa. E faz isso a partir de Boa Vista, em Roraima, mostrando que a Amazônia não é margem da comunicação brasileira. É centro, encruzilhada, arquivo vivo e futuro em disputa.





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