PPGCOM participa do Empretec para Refugiados e transforma empreendedorismo em ponte entre pesquisa, migração e futuro
- Amazoom

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Na terceira edição da imersão promovida pelo Sebrae Roraima e Acnur, com apoio da UFRR, estudantes ligadas à Comunicação mostram como o empreendedorismo pode abrir caminhos de autonomia, integração e reinvenção de vida em Roraima.

Durante cinco dias, a sede do PPGCOM-UFRR virou uma espécie de laboratório vivo. Entre metas, desafios, madrugadas curtas e ideias que saíram do papel para encarar o mundo, a terceira edição do Empretec para Refugiados reuniu 20 participantes em uma imersão voltada ao desenvolvimento de comportamentos empreendedores. A capacitação foi promovida pelo Sebrae Roraima, em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), com apoio da Universidade Federal de Roraima (UFRR).
A atividade começou na segunda-feira, 15, e foi concluída na sexta-feira, 19/06. Ao longo da semana, refugiados, migrantes, indígenas, lideranças comunitárias e empreendedores participaram de atividades práticas sobre liderança, planejamento, persistência, iniciativa, tomada de decisão, sustentabilidade e tecnologia. Mais do que um curso, o Empretec funcionou como uma travessia: cada participante precisou olhar para o próprio negócio, mas também para dentro de si.
A participação de estudantes ligadas à área da Comunicação deu ao seminário uma camada especial. O Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM-UFRR) esteve representado por Loiris Andreina Castillo Zarraga, mestranda que desenvolve pesquisas relacionadas ao empreendedorismo em contextos interculturais. Para ela, a experiência aproximou a pesquisa acadêmica da realidade concreta de migrantes que buscam construir autonomia no Brasil.
“Meu sonho sempre foi empreender. Quando surgiu a oportunidade de participar do Empretec, fiquei muito feliz porque o tema tem relação direta com a minha pesquisa e com os meus objetivos pessoais”, afirmou Loiris.
A fala revela um ponto importante da presença do PPGCOM na atividade: a universidade não aparece apenas como instituição de apoio, mas como espaço de escuta, análise e diálogo com os fenômenos sociais que atravessam Roraima. Em um estado marcado por intensos fluxos migratórios, pesquisar comunicação, empreendedorismo e interculturalidade é também compreender como pessoas reconstruindo suas vidas produzem redes, narrativas, pertencimentos e formas de sobrevivência.
Também participou da capacitação Carmen Alejandra Muñoz Luengo, estudante do curso de Jornalismo, social media e videomaker. Atuando de forma autônoma na produção de conteúdo para empresas, Carmen buscou no Empretec ferramentas para fortalecer o próprio negócio e saiu da imersão com uma nova percepção sobre si mesma.
“Eu sabia que precisava aprender os comportamentos empreendedores, embora nem soubesse que eles tinham esse nome. Hoje me sinto preparada para levar minha empresa para outro nível. Antes eu não me enxergava tanto como empreendedora. Agora, sim”, contou.
A rotina, no entanto, não foi simples. Carmen precisou conciliar as atividades intensas do seminário com o trabalho e a maternidade. Em alguns momentos, o relógio pareceu encolher dentro da noite.
“Cheguei a acordar às duas da manhã para terminar trabalhos e dormi apenas três horas por noite. Também saí da minha zona de conforto para vender presencialmente um e-book que eu criei, porque meu trabalho é todo pela internet. O Empretec não é só para a empresa, é para o crescimento pessoal. Eu realmente me superei”, afirmou.
Proposta do Empretec
A proposta do Empretec é justamente essa: desenvolver, por meio de uma metodologia prática e vivencial, comportamentos associados ao empreendedorismo, como busca de oportunidades, estabelecimento de metas, planejamento, persistência, autoconfiança, rede de contatos e capacidade de correr riscos calculados. Criado pela ONU e aplicado exclusivamente pelo Sebrae no Brasil, o seminário é reconhecido por provocar mudanças de mentalidade a partir de desafios, dinâmicas e simulações de situações reais de negócios.
Para o facilitador Jeancarlo Kohler, a diversidade da turma foi um dos principais diferenciais da edição. Segundo ele, a convivência entre pessoas refugiadas, indígenas e participantes com diferentes trajetórias tornou a experiência mais intensa e enriquecedora.
“Tivemos uma pluralidade muito grande na sala, com refugiados, indígenas e pessoas de diferentes trajetórias. Foi uma semana de muita troca e intensidade. Vimos participantes que chegaram sem expectativa nenhuma e terminaram completamente envolvidos com a metodologia. O Empretec promove uma mudança de comportamento e de mentalidade capaz de transformar a realidade das pessoas”, destacou.
A iniciativa também reforça a parceria entre Sebrae e Acnur no fortalecimento da autonomia econômica de refugiados e migrantes em Roraima. Para o associado de Integração da Acnur, Leandro Mendes, a capacitação representa mais um passo na estratégia de inclusão socioeconômica dessa população.
“O Empretec oferece uma oportunidade para que essas pessoas fortaleçam seus negócios ou coloquem em prática suas ideias. Nosso objetivo é contribuir para a autonomia e a inserção socioeconômica dessa população”, afirmou.
A coordenadora estadual do Empretec, Núbia Ribeiro, destacou que a ação evidencia o compromisso social do Sebrae com a inclusão produtiva. Para ela, a turma demonstrou grande potencial ao longo da semana.
“O Empretec para Refugiados mostra esse lado social do Sebrae. É uma oportunidade para que essas pessoas descubram ainda mais o seu potencial e coloquem em prática suas ideias. Tivemos uma turma muito especial, inclusive com participantes indígenas, que demonstraram um enorme potencial durante a capacitação. O Empretec traz não apenas o empreendedorismo, mas também desenvolvimento, geração de emprego, renda e crescimento”, afirmou.
No fim da imersão, o saldo foi maior que certificados. Para os participantes, ficaram ferramentas de gestão, redes de contato e novas formas de olhar para os próprios projetos. Para a UFRR e o PPGCOM, ficou também uma lição de campo: em Roraima, a comunicação, a pesquisa e o empreendedorismo se cruzam nas fronteiras da vida real, onde cada ideia pode ser uma pequena canoa tentando atravessar o rio grande da sobrevivência.














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