Quando o voto vira veneno: novo livro discute comunicação, algoritmos e ilusão de escolha
- Amazoom

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Por que os Insetos Votam no Inseticida? propõe uma leitura crítica sobre como propaganda, medo, exaustão, carisma, desinformação e curadoria digital ajudam a fabricar decisões que parecem livres, mas já chegam envenenadas no e pelo ambiente comunicacional.
Em um tempo em que o voto atravessa telas, memes, promessas, algoritmos e tempestades de opinião, chega ao público o livro Por que os Insetos Votam no Inseticida? Como o ecossistema comunicacional produz a ilusão de escolha, do professor e pesquisador Vilso Junior Santi. A obra está disponível em formato eBook Kindle na Amazon e em versão física, por impressão sob demanda, na loja da UICLAP. O lançamento ocorre no mesmo ano em que mais de 150 milhões de brasileiros voltam às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados, com primeiro turno marcado para 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro.
O livro parte de uma pergunta incômoda, daquelas que pousam no ouvido como inseto teimoso em noite quente: por que pessoas, grupos e sociedades inteiras parecem apoiar escolhas que prejudicam suas próprias condições de existência? A resposta, segundo a proposta da obra, não está apenas no indivíduo, nem em uma suposta ignorância do eleitor, mas no jardim inteiro: no ambiente comunicacional que organiza o que vemos, sentimos, tememos, repetimos e desejamos.
“Mais do que oferecer respostas simples, o livro propõe uma interrupção: olhar para o modo como as escolhas são produzidas antes de parecerem escolhas”, afirma Vilso Junior Santi, ao apresentar a obra.
Para o autor, a metáfora dos insetos atraídos pelo veneno ajuda a compreender como o ecossistema comunicacional contemporâneo molda percepções, emoções e decisões até transformar certas adesões em algo aparentemente natural, inevitável ou até desejável.
Com linguagem ensaística, crítica e acessível, o livro dialoga com comunicação, mídia, política, cultura digital, desinformação, comportamento coletivo e educação midiática. O percurso não trata o eleitor como personagem ingênuo perdido na selva digital, mas como sujeito atravessado por sistemas complexos de atenção, propaganda e repetição. No jardim descrito por Santi, há lâmpadas devoradoras, veneno de cheiro doce, flautistas carismáticos, feromônios digitais, formigueiros cobertos de névoa e uma exaustão que, aos poucos, aprende a decidir no lugar da consciência.
Como a Obra está Estruturada?
A obra é organizada em blocos que funcionam como estações de uma travessia: O Canto, sobre a atenção sequestrada; As Trilhas, sobre o ecossistema comunicacional em ação; A Metamorfose, sobre como o jardim passa a habitar no próprio inseto; O Recipiente, sobre o fechamento estruturante do sistema; e A Ruptura, sobre as possibilidades (ainda que limitadas) de saída. Entre os capítulos, aparecem temas como propaganda enganosa, carisma político, prazer imediato, algoritmos, colapso da realidade compartilhada, medo eleitoral, esquecimento como tecnologia de poder e reconstrução crítica.
Para estudantes, especialmente das áreas de Comunicação, Jornalismo, Ciências Sociais, Educação e Ciência Política, o livro funciona como uma espécie de mapa conceitual para atravessar o presente sem confundir ruído com realidade. Para eleitores em geral, chega como um alerta: antes de perguntar apenas “em quem votar?”, talvez seja preciso perguntar “quem organizou o caminho até esta escolha?”.
“A obra propõe olhar para o ambiente que molda o pensável”, destaca o autor. Essa talvez seja a chave mais forte do livro: compreender que a opinião não nasce em céu limpo. Ela brota em terreno disputado, regado por plataformas, campanhas, afetos, medos, pertencimentos e promessas de salvação.
Às vezes, o frasco aparece como cura. Às vezes, o veneno chega perfumado. Às vezes, o inseto acredita que escolheu sozinho a direção do próprio fim.
Eleições 2026
O interesse da obra cresce justamente no contexto das eleições de 2026. Nas disputas majoritárias, quando projetos de poder se apresentam como destino coletivo, a leitura crítica dos ambientes comunicacionais se torna parte da própria cidadania. Afinal, em democracias atravessadas por redes sociais, propaganda segmentada e circulação acelerada de desinformação, a disputa não acontece apenas no palanque ou na urna, mas também no feed, no grupo de mensagem, no vídeo curto, no comentário repetido mil vezes até parecer verdade.
Por que os Insetos Votam no Inseticida? não promete antídoto milagroso. O livro parece desconfiar das soluções fáceis. Sua força está em convidar o leitor a limpar as antenas, desconfiar do brilho excessivo da lâmpada e perceber que, quando todos correm na mesma direção, talvez seja hora de perguntar quem acendeu a luz, quem fabricou o frasco e quem lucra quando o enxame se divide?

Disponível em:
EBook Kindle na Amazon.
Impressão sob demanda, na loja da UICLAP.





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