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PPGCOM - UFRR leva Comunicação Indígena, Pan-Amazônia e Memória Popular ao maior encontro da pós-graduação em Comunicação do Brasil

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    Amazoom
  • há 2 dias
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No 35º Encontro Anual da Compós, em Natal, docentes do Curso de Jornalismo e do PPGCOM - UFRR apresentam trabalhos, participam de GTs, integram debates sobre saberes ancestrais e lançam livro sobre comunicação e memória popular da pandemia.


Prof. José Tarcísio e Vilso Jr. Santi no lançamento de "Comunicação e Memória Popular da Pandemia" na Compós 2026. Foto: Amazoom.
Prof. José Tarcísio e Vilso Jr. Santi no lançamento de "Comunicação e Memória Popular da Pandemia" na Compós 2026. Foto: Amazoom.

Entre os dias 9 e 12 de junho de 2026, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, recebe o 35º Encontro Anual da Compós, um dos principais espaços de debate da pós-graduação em Comunicação no Brasil. Nesta edição, o evento tem como tema Saberes Ancestrais e novos horizontes da pesquisa em comunicação” e conta com a participação de professores do Curso de Jornalismo (CCJ) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima (PPGCOM - UFRR).

 

A presença da UFRR no encontro não chega como visita tímida. Chega como rio em tempos de cheia: levando perguntas, pesquisas, memórias e territórios. Em uma programação que reúne mesas, minicursos, lançamento de livros e apresentações nos 24 Grupos de Trabalho da Compós, os professores Vilso Junior Santi, José Tarcísio da Silva Oliveira Filho, Rafael Sbeghen Hoff e Felipe Collar Berni ajudam a colocar a Amazônia no centro da conversa nacional sobre Comunicação.

 

O evento busca refletir sobre ancestralidade, inovação, diversidade de epistemes, gêneros, raças, regiões e culturas. Nesse horizonte, a participação da UFRR ganha força porque as pesquisas apresentadas partem de temas que atravessam diretamente a vida amazônica: etnocomunicação, povo Yanomami, cidadania, saúde indígena, comunicação pública, integração pan-amazônica e memória popular da pandemia.

 

Para o professor José Tarcísio Oliveira Filho, participar da Compós tem peso acadêmico e político, especialmente para programas de pós da Região Norte.

“A Compós é um dos principais eventos do país e existe uma certa dificuldade para ter um trabalho aprovado, porque cada grupo de trabalho possui apenas 12 vagas. Então, estarmos presentes tem uma importância muito grande, não apenas pelo reconhecimento da qualidade das pesquisas desenvolvidas no PPGCOM, mas também por uma questão política. Entre os trabalhos aceitos, são poucos os que representam a região Norte. Por isso, essa presença fortalece a participação da Amazônia em um espaço de debate extremamente importante e competitivo no campo da Comunicação”, destacou.

 

Participação do PPGCOM


Nesta edição, o PPGCOM participa com trabalhos em dois Grupos de Trabalho. No GT Comunicação e Cidadania, o professor Vilso Junior Santi, coordenador do PPGCOM - UFRR, apresenta a pesquisa “Yamaki Ni Ohotai Xoa: A Batalha pela Narrativa, a Etnocomunicação e as Tramas Digitais do Povo Yanomami”. O trabalho discute as disputas narrativas do povo Yanomami e observa como a etnocomunicação e as tramas digitais se tornam território de luta, denúncia, memória e afirmação política.

 

Para Vilso Junior Santi, a participação no evento reforça a necessidade de compreender a Comunicação a partir dos territórios e dos sujeitos historicamente silenciados.

“Levar uma pesquisa sobre etnocomunicação Yanomami para a Compós é também afirmar que a Amazônia não é apenas objeto de estudo. A Amazônia pensa, produz teoria, disputa narrativa e ensina outros modos de compreender a comunicação. Quando falamos de saberes ancestrais, falamos também de tecnologias de existência, de memória e de resistência”, afirma o professor.

 

Vilso também participa, no dia 9 de junho, da mesa Comunicação de risco e política pública em saúde indígena”, ao lado de Vania Sandoval Arenas, Raquel Marques Carriço Ferreira e Allysson Viana Martins. A atividade ocorre no Auditório do Labcom, no Campus Lagoa Nova da UFRN, e dialoga diretamente com os desafios contemporâneos da comunicação em contextos de emergência, crise sanitária e vulnerabilidade social.

 

Já no GT Estudos de Comunicação Organizacional, o professor José Tarcísio da Silva Oliveira Filho apresenta, em coautoria com Cynthia Mara Miranda, da UFT, e Rafael Sbeghen Hoff, da UFAM, o trabalho “Integração, Comunicação Pública e Pan-Amazônia: Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) conectando países”. A pesquisa discute a comunicação pública em uma perspectiva transnacional, observando os desafios de integração entre países amazônicos.

 

Segundo José Tarcísio, a participação contínua do PPGCOM no evento demonstra o amadurecimento do programa e a consolidação de redes de pesquisa.

“Não é a primeira vez que o PPGCOM da UFRR participa deste evento. Já tivemos estudantes egressos que apresentaram suas pesquisas na Compós e também professores inseridos nesse espaço. É muito bom ver essa recorrência, o Programa participando não de forma isolada, mas sempre tendo algum pesquisador, seja estudante, egresso ou professor. A gente vê que o PPGCOM tem conseguido se inserir nesse espaço de forma contínua”, afirmou.

A presença do professor Felipe Collar Berni, que assumirá a vice-coordenação do GT Comunicação e Cidadania no próximo biênio, também marca um momento importante para a inserção do PPGCOM nos espaços de organização científica da área. Mais do que apresentar trabalhos, ocupar a coordenação de um GT significa participar da construção das agendas de pesquisa, dos debates metodológicos e das escolhas que ajudam a orientar os caminhos da Comunicação no país.

 

Para Felipe Berni, a vice-coordenação do GT representa uma oportunidade de ampliar o diálogo entre pesquisadores de diferentes regiões e fortalecer a presença amazônica nos debates sobre cidadania comunicacional.

“Assumir a vice-coordenação de um GT da Compós é uma responsabilidade coletiva. É também uma forma de contribuir para que temas como território, desigualdade, cidadania, participação social e Amazônia estejam cada vez mais presentes na agenda nacional da Comunicação. A pesquisa feita na Região Norte precisa ser vista não como margem, mas como lugar de produção crítica e estratégica para o país”, destaca.

 

Comunicação e Memória


Além das apresentações de trabalhos, os professores Vilso Junior Santi e José Tarcísio Oliveira Filho participam do lançamento da coletânea “Comunicação e Memória Popular da Pandemia”. A obra reúne pesquisas, relatos e experiências produzidos a partir do Projeto Memória Popular da Pandemia (MPP), iniciativa voltada ao registro das vivências e estratégias de enfrentamento da população durante a crise sanitária provocada pela Covid-19.



O livro costura um mosaico de narrativas sobre práticas comunicacionais surgidas no cotidiano pandêmico. São memórias de dor, cuidado, improviso, solidariedade e resistência. Como se, no meio do isolamento, muitas vozes tivessem aprendido a acender pequenas fogueiras para que a vida não desaparecesse no escuro.


No conjunto, a participação do PPGCOM da UFRR na Compós 2026 mostra que a pesquisa em Comunicação produzida em Roraima atravessa fronteiras. Vai da Terra Yanomami às redes digitais, da saúde indígena à comunicação pública, da memória da pandemia à integração pan-amazônica. E, nesse caminho, ajuda a lembrar que a universidade pública não é uma ilha: é canoa, ponte, escuta e travessia.


Para estudantes de graduação e pós-graduação, a presença dos professores no encontro também sinaliza possibilidades de formação. Mostra que os temas pesquisados na Amazônia têm lugar nos principais espaços científicos do país e que a produção acadêmica feita na UFRR pode dialogar, em pé de igualdade, com programas de todas as regiões brasileiras.


No 35º Encontro Anual da Compós, a Amazônia não entra apenas como paisagem de fundo. Ela entra como palavra, método, memória e disputa. Entra como quem sabe que a Comunicação, quando escuta os territórios, deixa de ser só campo de estudo e passa a ser também forma de vida.


 

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