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SOS Yanomami: Confira o que disseram autoridades e lideranças indígenas durante visita presidencial

A Comitiva Interministerial, liderada pelo Presidente Lula, visitou o estado de Roraima no último sábado (21) para verificar a situação do Povo Yanomami e anunciar mediadas emergênciais de enfrentamento da crise humanitária.


Luís Inácio Lula da Silva – Presidente da República

Presidente Lula fala a imprensa durante visita a Roraima em 21 de janeiro de 2023. Foto: Thiago Santos.

"Se alguém me contasse que aqui em Roraima tinha pessoas sendo tratadas da forma desumana como eu vi o povo Yanomami ser tratado, eu não acreditaria! Eu, por acaso, tive acesso a umas fotos essa semana e as fotos, efetivamente, me abalaram! Porque a gente não pode entender como é que o Brasil, um país que tem as condições que tem... Não pode o Brasil deixar os nossos indígenas abandonados como eles estão aqui!


Ou seja, são pessoas que são trazidas para cá para receber salário e depois não sabe quando voltam para a Terra Indígena. Eles são Agentes de Saúde! São pessoas que estão há seis meses aqui, que tem filho, que tem crianças lá! E, não tem como voltar! Ninguém tem certeza de nada aqui!

Então, eu vim para cá para dizer que nós vamos tratar os nossos indígenas como seres humanos! Responsáveis! Como parte daquilo que nós somos! Vamos cuidar para que eles sejam tratados como seres humanos de primeira classe! Não de quarta classe, de quinta classe!

É desumano o que eu vi aqui! Sinceramente! O presidente que deixou a presidência esses dias, se ao invés de fazer tanta motociata tivesse vergonha e viesse aqui uma vez... quem sabe esse povo não tivesse tão abandonado como está?!


Eu vim aqui assumir o compromisso com os Caciques, com os Tuxauas, com os companheiros! Eu vim aqui com o Ministro do Desenvolvimento Regional e Combate a Fome; eu vim aqui com a Ministra da Saúde; com a Ministra dos Povos Indígenas; com o Ministro da Justiça; com a presidenta da Funai. Vim com o Ministro dos Direitos Humanos. Vim com meu companheiro, o Ministro Secretário-Geral; vim com a minha mulher Janja. Porque eu estou viajando amanhã para Argentina e não queria sair do Brasil sem fazer uma visita no território brasileiro. E quis Deus que fosse aqui em Roraima!

Eu saio daqui com compromisso com os nossos queridos irmãos Yanomami! Nós vamos dar a eles a dignidade que eles merecem! Na saúde; na educação; na alimentação; e no direito de ir e vir, para fazer as coisas que eles necessitam na cidade! É simplesmente isso que eu vim fazer aqui!

E, nós vamos levar muito a sério essa história de acabar com qualquer garimpo ilegal! Mesmo que seja uma terra que tem autorização da Agência para fazer pesquisa. Eles podem fazer pesquisas: sem destruir a água, sem destruir a floresta e sem colocar em risco a vida das pessoas que dependem da água e da floresta para sobreviver!

Então é importante as pessoas saber que esse país mudou de governo! E o governo agora vai agir com seriedade no tratamento do povo que esse país tinha esquecido!


Muito obrigado a vocês da imprensa! Muito obrigado a todos! Eu prometo para vocês que em março eu virei na Assembleia que vai acontecer na Raposa Serra do Sol. Prometo a vocês que nós vamos resolver esse problema! Que essas pessoas vão ser tratadas decentemente! Um abraço e um beijo no coração!


Vamos garantir transporte para levar as pessoas que estão há seis meses esperando aqui. Que possam ir embora as pessoas que deixaram crianças na aldeia. Estão aqui pessoas que vieram receber o salário e não sabem quando voltam ao trabalho! O transporte é precário, é muito precário!


É preciso que o SUS, que honra e orgulha o povo brasileiro, como fez na COVID-19, possa agir. Eu prometo a vocês que nós vamos melhorar a vida deles!


O único que eu não posso dizer é quando e quais as medidas que serão feitas (para retirar o garimpo). O que eu posso dizer para vocês é que não vai existir mais garimpo ilegal!


Eu sei da dificuldade de tirar o garimpo ilegal! Eu sei que já se tentou outras vezes e aí eles voltam! Mas, nós vamos tirar! Lamentavelmente, eu não posso dizer para você quando. O que eu posso dizer é que nós vamos tirar! Obrigado!"


Sônia Guajajara – Ministra dos Povos Indígenas

Nísia Trindade, Joenia Wapichana, Lula e Sonia Guajajara. Foto: Thiago Santos.

"Estamos aqui agora nessa Comitiva Presidencial e Interministerial para a gente olhar in loco essa situação. A situação em que se encontra o Povo Yanomami. É uma situação de calamidade, por desassistência do Estado Brasileiro! Que chega a esse ponto de uma crise sanitária e humanitária! Viemos aqui nessa comitiva para constatar essa situação e também tomar todas as medidas cabíveis para a gente resolver esse problema.

Precisamos também responsabilizar a gestão anterior por ter permitido que essa situação se agravasse nesse nível. Ao ponto de chegarmos aqui e a gente encontrar adultos com peso de criança e crianças em uma situação de pele e osso!

Então, é muito importante essa vinda aqui do presidente Lula. Que está com todo o comprometimento para a gente resolver essa situação, que se encontra o Povo Yanomami".


Nísia Trindade – Ministra da Saúde

A Ministra da Saúde Nísia Trindade detalha os termos decreto que institui a situação de “emergência sanitária de importância nacional". Foto: Thiago Santos.

Na Saúde, desde que tomei posse (mesmo antes, no grupo de transição da saúde), eu pude conversar com lideranças Yanomami; com a atual ministra Sônia Guajajara; com o presidente Lula; e, com vários membros da equipe atual. O que nós vimos, desde aquele momento já era um alerta! Um alerta da gravidade da situação dos Yanomami!


Ontem o presidente Lula tomou a decisão de termos um decreto que define esse problema como “crise humanitária”. E designou Ministros para, junto com a Ministra da Saúde, trabalharem nas soluções.

No caso da saúde nós definimos que essa situação é uma “emergência sanitária”, de importância nacional, semelhante a uma epidemia! E isso precisa ficar claro! Isso significa que nós temos mais condições de agir rapidamente frente à situação. Algo que a Missão da Força Nacional do SUS, com a Funai e vários outros entes, já estão fazendo. Estão aqui trabalhando para fazer primeiro o diagnóstico da situação, mas já tomando medidas. O presidente vai coordenar esse processo!

Então nós precisamos melhorar as condições da Casa de Saúde Indígena (CASAI). Tenho que dizer que recebemos essa herança! Isso porque nós estamos há 20 dias no governo! Já víamos que isso teria que ser uma “emergência” e é o que nós estamos considerando!


Vamos fazer um plano de trabalho conjunto dos Ministérios. E já estamos agindo com a Força do SUS. O Decreto começará a vigorar a partir de segunda-feira! Com mais profissionais médicos e enfermeiros para esse atendimento de emergência.

Mas, sabemos que temos que melhorar a saúde onde estão as populações, onde os povos indígenas moram: nas suas comunidades! Então essa vai ser toda a linha que nós vamos usar para resolver os graves problemas de saúde. Significa também pensar, como o presidente Lula acabou de nos falar, no problema sério do garimpo. No problema sério do transporte das pessoas. São casos inacreditáveis!

Eu creio que o presidente vai comentar sobre esses casos que nós vimos aqui. Então, a Saúde está determinada a resolver as emergências. Mas, só junto: o governo, como um todo, e a sociedade. A comunicação é fundamental nisso! A sociedade tem que estar consciente do que está acontecendo aqui!


Davi Kopenewa – Xamã, líder político e espiritual do Povo Yanomami.

Davi Kopenawa Yanomami e o Presidente Lula durante visita a Roraima. Foto: Thiago Santos.

Eu queria falar para todos os povos da terra ou do planeta: nós estamos unidos com a força da natureza, junto com o pajé e junto com a força da floresta! Nossa mãe terra está aqui junto conosco! É por isso que nós estamos aqui!


Nós estamos parabenizando o Presidente. Presidente Lula, eu já conheço o Senhor. É um homem honesto e positivo! Nós estamos querendo, todo o Brasil, os Povos Indígenas do Brasil, nós estamos querendo retornar!

Nossa terra já foi roubada! Nossa terra já foi invadida! Nós não queremos que continue a invasão das nossas terras! Queremos que as nossas terras sejam respeitadas! Porque os governos passados já reconheceram! Já foi homologado, registrado pela presidência do Brasil.

Por isso estamos mandando essa mensagem para todos: para o estado do Brasil e para fora. Para quem apoia a nossa luta, do índio brasileiro! Eu quero mandar uma mensagem para todos os povos do planeta Terra!

Nós queremos que a terra seja protegida! Que o Povo seja respeitado! Isso que nós estamos querendo! Nós estamos mandando essa mensagem para todos os povos da terra, da cidade e povos indígenas do Brasil!

Essa é a minha fala! A nossa luta continua! Para todos! Para nós vivermos bem! Vivermos em paz!

Fonte: Amazoom


Ivo Cipio Macuxi - Advogado e Assessor Jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR)

Ivo Cipio Macuxi - Assessor Jurídico do Conselho Indígena de Roraima (CIR). Foto: Thiago Santos.

Fazemos essa recepção do Presidente Lula porque faz muito tempo que a gente denuncia a situação da região Yanomami. Mas, não teve nenhuma ação efetiva por parte do poder público federal!


Com essa vinda dele, o Conselho Indígena de Roraima vai sentar com ele e protocolar um documento pedindo inclusive ações emergenciais na Terra Indígena Yanomami – para garantir o atendimento às crianças que estão morrendo. E também para retirar todos os invasores daquela Terra Indígena e garantir a proteção territorial para o Povo Yanomami.

O decreto de hoje prevê um tempo para ter intervenção na situação de emergência da saúde Yanomami. Mesmo assim, em 90 dias, muitas crianças ainda vão continuar morrendo! A gente não precisa de prazos, a gente precisa fazer ações emergenciais!

Inclusive o próprio Conselho Indígena de Roraima tem feito ações emergenciais, por exemplo: levando alimentação; locando aeronaves para atender os pacientes que estão internados; comprando medicamentos. Porque a gente não pode esperar muito tempo se não as pessoas vão continuar morrendo!


Evilene Paixão – Jornalista, ativista e pesquisadora sobre as questões indígenas

Evilene Paixão – Jornalista, ativista e pesquisadora sobre as questões indígenas. Foto: Thiago Santos.

O Governo de Roraima e o próprio desgoverno Bolsonaro, eles sempre souberam do que estava acontecendo na Terra Yanomami. Eles sempre souberam do descaso. Eles abandonaram a Terra Yanomami! Eles incentivaram o garimpo na Terra Yanomami! Tanto no Governo Denarium, quanto o governo do Bolsonaro.


Inclusive o próprio governador Denarium sancionou uma lei a favor do garimpo ilegal no início de 2021. Criando essa lei, mesmo que inconstitucional. Ele incentivou a entrada de garimpeiros dentro da Terra Yanomami!

Vários relatórios foram feitos pela Hutukara Associação Yanomami (HAY), denunciando a situação de devastação, de violência e de morte do Povo Yanomami. E nada foi feito durante o governo Bolsonaro, nem durante o governo Denarium. Nada! Pelo contrário ele só incentivou o garimpo e agora a gente vê o governador aqui como se nada tivesse acontecido?! Ele é culpado por essa tragédia humanitária que está acontecendo hoje na Terra Yanomami! Denarium e Bolsonaro! Então Denarium é sim culpado pela essa tragédia que acontece hoje!

Mas que bom que a gente está retomando essas pautas sociais, retomando o poder do povo brasileiro, retomando as pautas indígenas e indigenistas. Com a criação do Ministério dos Povos Indígenas, que o Lula criou agora no início do ano, tendo como Ministra Sônia Guajajara.


E nós temos uma representante de Roraima mais uma vez fazendo um grande papel, brilhante papel! É a Deputada Federal Joenia Wapichana que durante os quatro anos de mandato sempre apoiou a causa indígena. Não só em Roraima, mas em todo o Brasil! Apoiou e defendeu os povos indígenas! Ela sim!


Hoje ela vai assumir a presidência da Funai e nós esperamos que essas políticas, de fato, sejam implementadas para os Povos Indígenas do Brasil e é claro aqui em Roraima – que vive essa tragédia com crianças morrendo diariamente; mulheres sendo estupradas; jovens sendo aliciados para o garimpo.


Porque, de fato, é preciso que tudo isso cesse, com o Ministério dos Povos Indígenas!

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