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Grafite: a arte marginalizada

Por: Samantha Rufino

Você já deve ter andado pelas ruas da sua cidade e esbarrado em muros com as mais diversas expressões, desenhos, frases, símbolos. Muitos não conseguem fazer a diferenciação entre essas manifestações, é arte ou crime?


Para entender melhor é preciso conhecer a história do Grafite, a arte tomou força em Nova York em meados dos anos 70, emergente dos espaços periféricos e surgindo junto ao movimento hip-hop, alguns jovens começaram a ‘viralizar’ marcas pelos muros e em seguida nas áreas mais centrais da cidade através do grafite nos metrôs como forma de crítica ao sistema.


Entretanto, antes de se popularizar em solo norte americano, o grafite dava seus passos na França, em maio de 1968 quando nasceu um movimento de contracultura e anticapitalista encabeçado por universitários insatisfeitos com as políticas voltadas para educação, eles utilizavam os grandes muros de Paris para escrever frases de cunho político e até poéticas.


Já no Brasil o grafite chegou na década de 70 pela maior metrópole do país, São Paulo, influenciados pelo crescimento do movimento nos Estados Unidos os artistas se arriscavam e transgrediam o cenário de um país que vivia em um contexto político de ditadura, a manifestação era criminalizada pelo Estado, mas foi institucionalizado em 2011 e assegurado pela Lei n. 12.408, de 25 de maio de 2011. Do eixo sudeste a prática foi se espalhando para os demais centros urbanos do país.



Boca com Alfinete (1973) do paulistano Alex Vallauri, uma referência à censura

GRAFITE x PICHAÇÃO


Apesar de assegurado por lei, alguns dos mais conservadores enxergam a expressão artística como uma poluição visual nos enormes muros cinzas das metrópoles e não conseguem dissociar a marginalização histórica sofrida pelos artistas grafiteiros. Mas, afinal qual a diferença entre a pichação e o grafite?


Pichar é um ato classificado como vandalismo pelo fato da destruição da via pública e por ser feito sem autorização, além disso é focado em um indivíduo ou um grupo político. Já o grafite é regulamentado e precisa ser autorizado para ser feito, possui um viés mais artístico, com técnicas elaboradas e considerado um dos ramos das artes visuais. Os chamados grafiteiros costumam na fabricação das artes latas de spray, tintas e stencil.


(á direita Grafite do artista Kobra em entrada de metrô em São Paulo | á esquerda exemplo de pichação)

GRAFITA RORAIMA


Em Roraima o Grafite inicia com Max Correia, pernambucano conhecido como Perna que inicia as intervenções nas praças do estado e vem tomando força com a iniciativa do Grafita Roraima, projeto que busca socializar a arte urbana através de ação pedagógica através de ensino e aprendizagem.


Leila Baptaglin, coordenadora do projeto conta que ainda há algumas dificuldades quanto a marginalização desse tipo de arte em Roraima, mas ainda resistem:


"Roraima ainda não vê com bons olhos a questão da arte urbana e do grafite em especial. O que a gente vem tentando fazer nesses 6 anos de grafita Roraima é tentar mostrar pra sociedade o trabalho que a gente vem fazendo, muito com ações educativas para que as pessoas tenham uma consciência de como a arte urbana pode e mobiliza a interação das pessoas com outras opções artísticas."

O projeto iniciou em 2013, por meio do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Roraima e se encaminha para 6ª edição.

A proposta para 2019 é aproximar os imigrantes de abrigos da capital com a arte urbana através das didáticas dos eventos passados, além de discutir planos de possíveis rendas através da arte.


O evento ocorre entre os dias 14 e 17 de novembro com os dois dias iniciais de atividades voltados especialmente ao público dos abrigos Pintolândia e Jardim Floresta e com roda de conversa no Complexo das Artes da UFRR no primeiro dia com os artistas convidados.


Já a programação aberta ao público em geral ocorre nos dias 16 e 17 no muro do abrigo Pintolândia para quem tiver interesse em conhecer as técnicas de muralismo e grafite, além de apresentações musicais com B. Boys, DJ's e rodas de capoeira.











(Localização abrigo Pintolândia)











(Localização abrigo Jardim Floresta)




Os artistas convidados para reinventar os cenários roraimenses ultrapassam as linhas de fronteiras, desde artistas do norte do Brasil, até os coletivos de arte do país vizinho Venezuela.


Para saber quem são os grafiteiros e artistas convidados basta acessar: instagram.com/grafitaroraima/




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