Movimentos sociais e UFRR realizarão ações de extensão em territórios de Roraima
- Fabio Almeida

- há 2 horas
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A UFRR, em parceira com o MST, MNU, ISID e MTST, foi selecionada na chamada pública 17/2025 do CNPQ para implementar um projeto de extensão de formação cidadã para reconhecimento da necessidade de políticas públicas, mobilização comunitária e atuação em instâncias de controle social, o edital busca subsidiar o programa de participação social no território norte de Roraima. Ontem, representantes das organizações, estudantes e professores realizaram a primeira reunião de nivelamento do plano de trabalho aprovado.
A proposta apresentada pelos movimentos sociais foi submetida pela professora Dr.ª Manuela Cordeiro, coordenadora institucional do projeto, com o título “territórios de resistência e participação popular”. As localidades selecionadas envolvem os projetos de assentamento Caju (Bonfim) e Comunidade dos Sonhos (Mucajaí). Além desses locais a proposta também contemplará ações na periferia de Boa Vista, tendo como referência das atividades a serem desenvolvidas o ponto de cultura Ulisses Manaças e a Cozinha Solidária do MTST, localizados no bairro Alvorada.

As ações de extensão priorizarão como público alvo os assentados e assentadas da reforma agrária, povos indígenas que vivem nos assentamentos e nas áreas urbanas, mulheres trabalhadoras do campo e da cidade, estudantes da UFRR e de forma transversal as pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+. "A diversidade de olhares promoverá espaços importantes de interação e projeção organizada das pessoas nos diversos espaços de participação social existentes no estado, especialmente as instâncias de controle social normatizadas pelo Estado e os espaços de interação das organizações sociais, a exemplo do Fórum de Participação Social de Roraima", afirmou a Ma. Nazaré Nunes, do MST/RR, integrante da coordenação do projeto.

O resultado a ser alcançado será o fortalecimento da participação social em Roraima na definição e proposições de políticas públicas. Os objetivos apresentados na proposta são: realização de um diagnóstico identificando, nos assentamentos da reforma agrária, demandas sociais, ambientais e políticas; desenvolvimento de formações sobre democracia participativa, agroecologia, combate ao racismo e a LGBTfobia, direito à cidade e políticas públicas; fortalecimento dos colegiados territoriais e fóruns de participação social com protagonismo de mulheres, negros, jovens e povos indígenas na formulação e controle de políticas públicas locais.
O planejamento permitirá aos acadêmicos, professores e técnicos vivenciar experiências de aprendizagem comunitária nos territórios, aproximando dessa forma a academia das realidades objetivas da classe trabalhadora do campo e da cidade. No escopo da proposta foram previstos ainda a publicação de artigos, a elaboração de cartilhas formativas, promoção de seminários para o público em geral, podcasts e boletins informativos.
O prazo de execução do projeto é de 24 meses, sendo dividido em 5 etapas que contemplam as ações de planejamento a devolutiva às comunidades selecionadas. Um dos principais produtos a serem gerados são relatórios técnicos que permitirão a identificação de problemas, bem como a potencialidade dos territórios, propondo subsídios para a implantação ou melhoria de políticas públicas, a partir do saber popular e da gestão comunitária, fortalecendo dessa forma as organizações de base e suas lideranças sociais.
O plano de trabalho aprovado prevê a aplicação de R$100 mil em despesas de custeio e R$ 169 em pagamentos de bolsas exclusivamente para estudantes e professores extensionistas que desenvolverão suas atividades durante a execução do projeto, o qual prevê impacto direto com mais de 1.000 pessoas. Desta forma, o custo/investimento por pessoa será R$0,27, um valor baixo para os resultados efetivos que promoverão uma melhor compreensão pela população do seu papel dentro de uma sociedade que convoca os cidadãos e cidadãs a participarem do processo de gestão do Estado.
Coordenadora do projeto

Manuela Cordeiroé doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, Possui estágio pós-doutoralpelo Departamento de Ciências Sociais, Políticas e do Território na Universidade de Aveiro, Portugal. Tem como principais áreas de atuação: trajetórias de migração e ocupação de territórios; conflitos e sobreposições de terras; saberes locais indígenas; família; gênero; e Política fundiária. Atualmente é professora associada do curso de bacharelado em antropologia, professora permanente da pós-graduação em antropologia social (PPGANTS) no Instituto de Antropologia (INAN) e coordenadora do Laboratório de Pesquisa e Extensão em Humanidades (LABORR). Integra a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Associação Brasileira de Antropologia e lecionou por dois semestres letivos como professora visitante no Center for Brazilian Studies - Department of Arts and Letters - San Diego State University.










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