• Yohanna Emmelly

ELEIÇÕES 2022: Falta de apoio na Assembleia prejudicaria Teresa em caso de vitória

Atualizado: 14 de jul.

De acordo com Paulo Racoski, a candidata precisaria eleger sua base eleitoral, somado ao apoio das prefeituras para assim haver o estabelecimento de uma hegemonia de poder


Por: Aysha Estrada, Camilla Salustiano, Fernanda Fernandes, Fernanda Vasconcelos, Maria Cecília Veloso e Yohanna Emmelly

Foto: Arthur Henrique

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Pontual, Teresa Surita (MDB) é a pré-candidata favorita para ganhar as próximas eleições ao Governo do Estado de Roraima, porém a ex-prefeita pode encontrar dificuldades caso vença as eleições.


Com o apoio de empresários como dos Grupos Goiana e Parima, prefeitos de alguns municípios e de Arthur Henrique (atual prefeito da capital Boa Vista), Teresa estabelece alianças importantes tanto na esfera municipal quanto estadual. Porém, caso não consiga eleger sua base de apoio para a Assembleia Legislativa seu governo pode ser diretamente afetado - é o que explica o cientista político Paulo Racoski.


“Se ela tiver apenas uma minoria dentro da Assembleia, não dá para dizer que existe uma consolidação de poder. Se na base de apoio da candidatura dela tiver uma quantia ampliada de deputados estaduais, deputados federais, dos senadores e prefeitos, aí pode-se dizer que possui um grande leque de apoio efetivo”.

Paulo destaca ainda que, mesmo que sua base de apoio não fosse eleita, após tomar posse, Teresa precisaria realizar peregrinações entre as prefeituras e vereadores dos municípios, tornando possível reverter o cenário caso ele se apresente desfavorável.


“Porque dessa forma vai ser suscetível a base partidária de apoio da governança estadual com base nas relações econômicas. Por meio das verbas públicas e investimento na estrutura e nos vários segmentos como segurança, saúde, habitação, transporte, cultura e a educação.

Teresa Surita + Arthur Henrique


Foto: Arthur Henrique

A maior parte da população do estado vive na capital, onde Teresa estabeleceu toda a sua carreira política e possui vínculo maior com o eleitorado. De acordo com Racoski, dentro do cenário onde Teresa elege sua base eleitoral, somado ao apoio das prefeituras, pode haver o estabelecimento de uma hegemonia de poder.

O cientista poítico também aponta os benefícios a curto, médio e longo prazo se prefeitura e governo cooperarem, ainda que segundo ele, quatro anos não sejam suficientes para resolver todos os problemas do estado.


“Eu creio que o impacto tem um caráter positivo se a proposta for administrar com foco na grande capacidade do investimento orçamentário, pensando em políticas públicas, para a vida comum das pessoas. Ocorre, se tiver resultado nas demandas de investimento adequado, por exemplo, a educação pública estadual, saúde e a segurança pública requerem investimento permanente. Segurança, saúde pública e educação são o tripé fundamental”, afirma.

Paulo Racoski também chama atenção para os pontos negativos a partir da perspectiva da sociologia e filosofia política por meio dos contrapesos e toda a dinâmica do poder que envolve a hegemonia.


“A hegemonia nem sempre é saudável. Ela vai ter o controle do orçamento público e fazer triangulações de investimentos, facilitando a corrupção, por exemplo. Pode haver a contratação de empresas que prestam maus serviços e ganham um alto valor e repassam parte desses valores a determinadas pessoas ou agentes públicos, como políticos eleitos. Infelizmente é o que mais acontece no Brasil”.

Racoski diz ainda que para evitar que isso ocorra a fiscalização sobre o uso do poder deve ocorrer através das “questões orçamentárias, para que os investimentos não evaporarem. Pois, "as vezes quando você tem uma hegemonia, as fiscalizações ficam mais frouxas, tornando-se impossível executar a qualidade do serviço público”, concluiu.


* Conteúdo experimental desenvolvido na disciplina de JOR53 - Jornalismo Especializado I.


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