Comunicação em saúde indígena vira foco de estudo internacional com participação do Amazoom
- Amazoom

- há 2 horas
- 3 min de leitura
Pesquisa compara estratégias adotadas no Brasil e na Bolívia durante crises como COVID-19, para propor políticas públicas mais inclusivas e culturalmente adequadas.

Um estudo internacional que investiga como a comunicação em saúde chega às populações indígenas está sendo desenvolvido por pesquisadores do Brasil e da Bolívia, com a participação da Amazoom. A pesquisa, intitulada “Comunicação de Risco e Saúde Indígena: Lições do Brasil e da Bolívia em Crises Sanitárias”, busca identificar falhas e boas práticas nas estratégias adotadas durante surtos recentes, como os de COVID-19, dengue e zika.
O projeto reúne uma equipe interinstitucional coordenada pelos pesquisadores Allysson Viana Martins, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e Raquel Marques Carriço Ferreira, da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Também participam do projeto especialistas como Leandro Luiz Giatti, da Universidade de São Paulo (USP); Juciano de Sousa Lacerda, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e Júlio Cesar Schweickardt, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD) / Fiocruz Amazonas.
O Núcleo internacional da proposta ér composto pelas professoras Sandra Tatiana Villegas Taborga, da Universidad Mayor de San Andrés (Bolívia); Vania Sandoval Arenas, da Universidad Católica Boliviana San Pablo (Bolívia); e, Susana Ramírez Hita, da Universitat Rovira i Virgili (Espanha).
O representante da Universidade Federal de Roraima no projeto é o professor Vilso Junior Santi, coordenador do Amazoom. Ele celebra a aprovação da iniciativa, destacando que o financiamento assegura a execução das atividades previstas, mas critica a ausência de apoio institucional da universidade durante a fase de submissão.
“Nosso planejamento inicial previa coordenar a iniciativa a partir de Roraima, porém não obtivemos o apoio institucional necessário para a submissão da proposta. A Pró-Reitoria de Pesquisa optou por priorizar outro projeto”, afirma o professor.
A investigação começou ainda no final de 2025 e deve se estender por um período de até 36 meses. O estudo de campo vai ocorrer em territórios indígenas atendidos pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), no Brasil, e pelo Sistema de Saúde Intercultural da Bolívia. O objetivo é compreender como as informações sobre prevenção e cuidados são transmitidas e, principalmente, como são interpretadas pelas comunidades tradicionais.
Para isso, os pesquisadores pretendem utilizar uma metodologia qualitativa que combina revisão de literatura, análise de documentos oficiais, entrevistas em profundidade com lideranças e gestores, além de observação direta nas comunidades. Os dados coletados passarão por triangulação com apoio de softwares especializados, permitindo identificar padrões de organização nas comunicações.
A pesquisa surgiu a partir de um problema evidenciado principalmente durante a pandemia de COVID-19: populações indígenas registraram taxas de mortalidade mais altas, em parte devido à ineficiência na comunicação de risco.
“Previamente sabemos que entre os principais entraves identificados estão a ausência de campanhas em línguas nativas, a pouca integração com saberes tradicionais e a baixa participação de lideranças locais na disseminação de informações”, conta a professora Raquel Carriço Ferreira,
Conforme o professor Allysson Viana Martins, da UNIR, na Amazônia Legal, onde vive mais da metade dos povos indígenas do Brasil, esses desafios são ainda mais complexos, devido a fatores logísticos e culturais.
“Ao comparar a experiência brasileira com a boliviana – que incorpora a medicina tradicional e idiomas como quechua e aimará em suas políticas públicas –, o estudo pretende propor diretrizes que garantam o acesso à informação e à saúde de forma mais equitativa e intercultural”.
Financiado pela Chamada MCTI/CNPq nº 03/2025 – Pró-Amazônia, o projeto busca, ao final, subsidiar políticas públicas mais eficazes, capazes de respeitar as especificidades culturais dos povos originários e fortalecer a comunicação em contextos de crise sanitária.





Comentários