CEACAM reúne especialistas para discutir o futuro do PNAE na Amazônia
- Amazoom

- 29 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Evento discutiu fortalecimento da agricultura familiar, sustentabilidade e dificuldades logísticas do Programa de Alimentação Escolar.

O Centro Avançado de Apoio Educativo à Agricultura Familiar, Sustentabilidade e Cultura Alimentar na Amazônia (CEACAM/UFOPA) promoveu hoje, 29, a roda de conversa “Desvendando o PNAE”, realizada no Auditório do NTB da UFOPA, Unidade Tapajós, em Santarém (PA), com transmissão online.
O encontro reuniu a coordenadora do Núcleo de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação (NAE/SEMED), Vanda Maia, e o professor Anselmo Colares, coordenador do CEACAM/UFOPA, para debater o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que completa 70 anos em 2025. A atividade foi acompanhada também pelas pesquisadoras da UFRR Leila Adriana Baptaglin, Floralice Barreto Oliveira e Ionara Taís Magalhães do Carmo, ligadas ao projeto “Rede de cooperação em ensino, pesquisa e extensão: o alimento como expressão cultural”.
O que foi discutido
Os debatedores destacaram como a legislação de 2009 fortaleceu a compra de alimentos da agricultura familiar, garantindo refeições mais saudáveis e respeitando hábitos culturais regionais.
“Antes a merenda era enlatada e industrializada. Hoje temos jerimum, açaí e pescado, alimentos da nossa cultura”, explicou Vanda.
Entre os principais desafios do PNAE na Amazônia, foram apontadas as dificuldades logísticas de produção e entrega, agravadas pelo chamado “fator amazônico”, que eleva custos de transporte fluvial e terrestre. Outro ponto abordado foi a diferença de preços entre regiões: “Pagamos mais caro na Amazônia, mas recebemos o mesmo percentual de outras regiões. Isso deveria ser revisto”, defendeu a coordenadora.
Como funciona
O debate também tratou da diferença entre a chamada pública regular e a chamada pública diferenciada, esta última voltada para compras diretas de comunidades tradicionais, como propõe a CATRAPOA – Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas. Além disso, foram explicados instrumentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) e o desconto do RAT PNAE, que incide sobre a comercialização de produtos.
Outro tema discutido foi a relação entre os recursos federais, repassados pelo FNDE, e os complementos dos tesouros estaduais e municipais. Vanda ressaltou que a falta de reajuste periódico nos valores prejudica a gestão local.

Por que o PNAE é importante?
Para os organizadores, o programa vai além da alimentação. Ele fortalece a agricultura familiar, garante segurança alimentar aos estudantes e estimula a preservação ambiental por meio de práticas sustentáveis, como os sistemas agroflorestais (SAFs).
O professor Anselmo Colares destacou ainda o papel das universidades na construção de soluções conjuntas com comunidades e gestores.
“Precisamos reaprender o diálogo com as comunidades e desenvolver metodologias de aproximação que unam ciência e saberes locais”, afirmou.
O encontro terminou com uma mensagem de união entre instituições públicas, agricultores e sociedade. “Quando nos colocamos no lugar do outro, nos tornamos pessoas melhores”, concluiu Vanda Maia, reforçando a necessidade de parcerias entre secretarias municipais e universidades para fortalecer o PNAE na Amazônia.








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