“Podemos fazer um mundo melhor com nossas atitudes” afirma estudante que criou escola improvisada para migrantes indígenas em RR

Em meio à crise migratória no país da Venezuela no ano de 2016, muitos venezuelanos em busca de novas oportunidades vieram se refugiar em Roraima. Sensibilizada pelas dificuldades enfrentadas pelos imigrantes, a estudante de pedagogia da Universidade Federal de Roraima, Jaqueline Rocha (23), criou em 2017, o projeto casa de los niños.

 

CASA DE LOS NIÑOS

 

O nome foi inspirado na Casa dei Bambini (literalmente Lar das Crianças) a primeira escola onde a Italiana pedagoga e médica Maria Montessori aplicou pela primeira vez o método Montessoriano que ensina buscando o protagonismo da criança em seu próprio aprendizado. O objetivo foi criar um espaço promovendo o ensino do Português como língua de acolhimento e inclusão; a alfabetização na língua materna, reforçando a identidade e a cultura tradicional; a educação em higiene e saúde, e atividades lúdicas artísticas, esportivas e recreativas.

 

“O projeto foi um divisor de águas na minha vida”.

 

A acadêmica conta que depois da criação da casa, sua vida mudou completamente em todos os aspectos, fala que o seu tempo hoje é totalmente voltada à escola e ressalta que sua rede de contato se ampliou muito em menos de um ano. Hoje seus relacionamentos interpessoais são de alguma forma ligada ao projeto, porém indaga a importância disso, pois, desta forma já conseguiram fazer contato com instituições internacionais interessadas em ajudar, e assim esperam estender a rede de apoiadores afim de alcançar novos parceiros.

 

 “Podemos fazer um mundo melhor com nossas atitudes”

 

Quando pensou na criação da casa de los niños, a coordenadora Jaqueline Rocha já imaginava o tamanho do esforço que iria fazer, e destaca da importância de atitudes no qual precisou tomar em certos momentos de suas vidas, era pontual a decisão diante da ocasião. Salienta que para colocar em prática toda a ajuda humanitária, foi preciso mudar sua forma de ver o mundo e as pessoas, era necessário ser transformada completamente.

 

“O projeto foi a minha melhor semente lançada até agora, e a cada dia posso enxergar o seu crescimento, o projeto hoje não é somente a Jaqueline, e sim uma rede de pessoas que acreditam e fazem acontecer cada atividade, apesar de a escola exigir muitos esforços de todos nós, ela é a prova que sim podemos fazer algo, vale a pena se dedicar o máximo pelo nosso próximo, podemos fazer um mundo melhor com nossas atitudes”.

 

Os desafios

 

A escola funciona com cerca de 20 voluntários, sendo 08 brasileiros e 11 da etnia Warao e mais de 150 crianças acolhidas. O projeto já teve vários avanços, como a parceria com outras instituições, ONGS, o recebimento de materiais didáticos entre outros. Mas mesmo assim há muito o que avançar, pois são inúmeras as questões necessárias para um bom funcionamento do espaço de aprendizado. “As coisas são muitas desafiadoras, lhe damos com um público muito diverso, muito diferente daquilo que já vimos”.  A situação relatada se trata das especificidades, pois se trata de indígenas venezuelanos em situação de refúgio.

 

 “Um dos grandes desafios é a língua, tendo em vista que muitos das crianças só falam a língua nativa, o nosso grande anseio é conseguir quebrar os estereótipos imposta sobre esses povos, e para isso acontecer temos que está disposto a aprender uns com os outros”.

 

Segundo a Estudante, a Casa de Los Niños ainda é preciso muitos voluntários. As demandas são muito grandes para poucas pessoas, os recursos financeiros são pequenos, mas a esperança ao olhar cada criança dentro da escola, mesmo improvisada, faz de o projeto ser um espaço de transformação, no entanto, é necessário se obter mais apoiadores, tendo em vista um maior número de crianças atendidas ao longo do projeto.

 

FOTO: Ariene Susui

LEGENDA FOTO: Coordenadora Jaqueline Rocha

 

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