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Pedal Feminino Roraima: conheça grupo que incentiva a participação de mulheres no ciclismo

O grupo já conta com mais de 130 integrantes e marcam presença nas competições do estado


Por: Samantha Rufino

Arquivo pessoal

O ciclismo é uma das práticas esportivas que vem ganhando muitos adeptos em Roraima, o estado já sedia 3 grandes competições que contabilizam pontos no ranking nacional da Confederação Brasileira de Ciclismo: Volta de Roraima, Desafio da Serra do Tepequém e Volta Internacional de Roraima.


Com o ‘boom’ do esporte nas suas mais diversas modalidades, a representatividade feminina também vem crescendo e ganhando espaço em competições que haviam uma baixa participação de mulheres e um dos fatores que impulsionaram esses números foi a criação do grupo Pedal Feminino Roraima.


Criado em 2014, o grupo iniciou com o objetivo de criar laços entre mulheres e incentivar a prática do ciclismo. Fabiane Karla, ciclista e idealizadora da iniciativa conta que em meados de 2013 quando iniciou no ciclismo, o número de mulheres chegava a somente quatro em competições e quando retornou a ativa nas atividades sentiu a necessidade de companhia.

“Eu comecei a convidar algumas amigas, um grupo pequeno que foi crescendo e eu vi que dava e tinha como conquistar mais mulheres para o pedal, só faltava uma iniciativa.”

O grupo é pioneiro no pedal voltado para o público feminino em Roraima e um ponta-pé inicial para quem deseja entrar no mundo do ciclismo e posteriormente se especializar em competições, além de oferecer um espaço para tirar dúvidas e conhecer mais sobre esse universo, o grupo fortalece o vínculo entre mulheres que amam a bike. Atualmente o grupo com mais de 130 participantes que estão marcando presença nos pódios das grandes competições do estado, a idealizadora ainda conta que hoje a média de competidoras só na modalidade Mountain Bike chega a cerca de 50 inscritas.

O machismo no esporte:


A relação da mulher com o ciclismo ainda enfrenta muitas barreiras, o machismo estrutural que acarreta em um acúmulo de tarefas e em comentários preconceituosos, e até as premiações desiguais, afasta as possíveis atletas de seguirem no caminho. Simone Bortolotto, uma das integrantes do grupo e atleta na modalidade de Moutain Bike conta que já ouviu comentários machistas.

Simone Bortolotto em competição (Arquivo Pessoal)
“No meu caso aquelas brincadeiras de não faríamos o mesmo que eles, machismo também na parte de “hoje vai ter pedal forte, mulheres não vão aguentar””
Fabiane Karla, ciclista e idealizadora do grupo (Arquivo Pessoal)

Continuar com o ciclismo é um desafio diário, Fabiane complementa:

“a maior dificuldade é não desanimar, não é fácil pedalar, não é fácil ser mulher, você sai da porta de casa na rua tem toda essa insegurança essa violência e esse desrespeito com a mulher”.

Mesmo com os empecilhos, a paixão pelo ciclismo une essas mulheres em busca de mais representação feminina nas provas, Simone ressalta “hoje mudou muito em termos de premiação que antes eram maiores para homens, já tem umas que se igualam”.


O grupo segue em busca de recrutar mais mulheres para o ciclismo e vê-las cada vez mais nos pódios das competições, “o sentimento de ver essas mulheres ocupando esses espaços é de que juntas somos mais fortes” afirma Fabiane.


(Arquivo Pessoal)

Bicicleta e feminismo: a bike como ferramenta de emancipação feminina

Ao longo da história a bicicleta foi uma importante ferramenta para a emancipação feminina, de acordo com o artigo “Women's lib arrived on bicycles” da CNN, no fim do século XIX com o impulsionamento do uso da bicicleta na Europa as mulheres também começaram a utilizá-la, um avanço que reestruturou até mesmo as vestimentas das mulheres na época, as grandes saias e espartilhos apertados foram substituídos pelas bloomers, calças largas que lembravam ao formato da saia mas que permitiam às mulheres uma liberdade de locomoção maior.

(Mulheres defendendo o direito ao voto em Londres, no início do século XX) Crédito foto: Divulgação | Vadebike.org

Apesar dos avanços, a sociedade e até mesmo juntas médicas afirmavam que a bicicleta era um instrumento que corrompia a “virtude” feminina e afetava negativamente a saúde das mulheres, causando até infertilidade. Mesmo com as críticas e até agressões físicas, como foi o caso de Emma Eades, uma das primeiras ciclistas de Londres atingida por pedras e tijolos enquanto usava a bicicleta, a prática só ganhou mais adeptas e foi ligada ao movimento feminista que utilizava como meio de locomoção para à luta por seus direitos, especialmente ao voto, à propriedade e a assinar contratos.


A bicicleta deixou um legado de liberdade de mobilidade para mulheres, atualmente existem movimentos como cicloativismo feminista que partem da ideia de usar a bicicleta como um meio de locomoção empoderador e reconfigurar a relação das mulheres com os grandes centros urbanos.

Desafio Rosa 2019:


Uma das atividades que visa fortalecer o grupo Pedal Feminino Roraima e buscar mais adeptas para o mundo do ciclismo é o Desafio Rosa, com 4 anos história o desafio é uma competição simbólica voltada para mulheres e aberta também para a participação masculina. Esse ano a competição ocorrerá no dia 24 de novembro e percorrerá os trechos Barba de bode, Carvoaria e Jabuti.


As inscrições podem ser realizadas na loja Over Bike, localizada na avenida Glaycon de Paiva, n.º 1469, bairro São Vicente.


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