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Maria do Socorro: Atleta amadora corre o mundo para realizar seus objetivos

Por João Vianna

Foto reprodução: Arquivo pessoal/ Arte João Vianna

Ela é considerada a prova mais exaustiva dos jogos olímpicos, com seus 42 quilômetros e 195 metros, a maratona é um teste de determinação, superação e dor. A modalidade mais longa do programa olímpico, deriva da lenda de Pheidíppides, do ano 490 a.C. Neste período, soldados gregos e persas travaram uma batalha na cidade de Maratona, localizada na Grécia, suas mulheres ficaram ansiosas pelo resultado porque os persas juraram que depois da batalha marchariam sobre Atenas, violariam suas mulheres e sacrificariam seus filhos, ao saberem dessas ameaças os soldados gregos deram ordem as suas esposas que caso não recebessem a notícia de sua vitória em 24 horas, as mesmas deveriam matar seus filhos e em seguida suicidarem-se.

Os gregos, mesmo em minoria, saíram vencedores, porém a batalha levou mais tempo que o previsto de 24 horas, foi então que o general Milcíades ordenou ao soldado e atleta ateniense Pheidíppides que corresse até Atenas, situada cerca de 41 quilômetros de Maratona, para levar a notícia de sua vitória antes que elas executassem o plano combinado. Pheidíppides correu essa distância na maior velocidade que pode, a exaustão foi tamanha que ao chegar em Atenas disse apenas a palavra "Vencemos"e caiu morto no chão. Depois disto, Pheidíppides tornou-se herói grego, entretanto, a principal homenagem veio somente cerca de 2.400 anos depois, em 1896, nos primeiros jogos olímpicos da era moderna onde foi homenageado com uma corrida que originalmente tinha cerca de 40 quilômetros, cuja a distância era a mesma percorrida pelo herói da lenda.


Arte: João Vianna

Atualmente são realizadas 500 maratonas anualmente em todo o mundo, e de acordo com levantamento anual do maratonista brasileiro criado por Danilo Balu e disponibilizado no Blog Recorrido, os números compilados de 28 maratonas brasileiras apontam a existência de 31.809 maratonistas no Brasil, 24.939 homens e 6.871 mulheres. No estado de Roraima, 11 corridas foram confirmadas em 2019, reunindo representantes de outros estados, o esporte já carrega o apreço de vários atletas profissionais e amadores, como Maria do Socorro, exemplo de determinação e força de vontade.


Arte: João Vianna

Maria do socorro Coelho Ferreira, é aos 57 anos uma atleta pelo mundo. Auditora de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado Roraima, Maria é atleta, mãe, filha, esposa e dona de casa. O que começou com uma simples caminhada ao lado do esposo, já lhe rendeu desafios em maratonas de 4 países diferentes, das seis World Marathon Majors, só lhe falta a de Londres e Boston, as quais estão programadas para 2020 e 2021 respectivamente.

Medalha de Tóquio/Foto: Arquivo pessoal

Nascida em terra roraimense, Maria do Socorro relata que o atletismo apareceu na sua vida por incentivo do esposo. “Comecei o esporte fazendo caminhadas na companhia do meu esposo, todos os anos ele participava da corrida internacional 9 de julho, e sempre me chamava para começar a treinar. Aos poucos fui trocando a caminhada pela corrida, quando vi já estava correndo alguns quilômetros e um certo dia fui participar da 9 de julho, então atualmente divido minhas 24 horas diárias com a família, trabalho e esporte", Disse.


Caminhar, correr, andar, a vida é movimento e nós não devemos ficar parados, há quem diga que o prazer de correr ultrapasse o de comer. Além de ser um momento de liberdade corporal indescritível para Maria, não faltam motivações para correr mundo afora. Entretanto, deve-se seguir um treinamento específico para cada maratona, são oito meses de preparo, correndo quatro vezes por semana para atingir o fortalecimento muscular. "São oito meses de preparo e dieta alimentar, além de dormir e acordar cedo para os treinos", completa Maria.


Outra grande motivação é a melhoria da saúde física e mental, os benefícios são maravilhosos. Conforme os pesquisadores, os motivos para praticar o esporte vão além da competição ou premiação, são citadas inúmeras vantagens, entre elas a redução do peso corporal, redução da pressão arterial, redução de riscos de infarto, melhora no nível de colesterol e etc. "Saber que a minha saúde física ficará melhor assim como meu humor, meus pensamentos. É a combinação perfeita de tudo isso", frisa.

Medalha de Berlim/Foto:Arquivo Pessoal

Além disso, Maria diz que o gás para correr vem do desconhecido, do que ainda não se viu, das culturas, cheiros e aromas, da gratificação de conhecer o mundo através do esporte, daquilo que ela chama de "Maraturismo". "Dá um gás danado correr em um país que não conheço, concílio maratona com turismo, ou seja, faço maraturismo. É muito gratificante, embora a maratona ou corrida seja um esporte individual, você sempre está rodeado de amigos, de ambos os sexos, com um objetivo em comum: a corrida".

Mesmo com tanto treinamento físico e preparo mental, ela descreve algumas dificuldades em sua jornada mundial. Na maratona de Tóquio, criada em 2007 e vinculada no ano de 2013 para a composição da World Marathon Majors, questões físicas e geográficas fizeram do percurso o mais difícil em sua carreira. "A maratona de Tóquio, que eu participei em 03 de março de 2019, foi bem difícil, tinha a questão climática e a sensação térmica da posição geográfica do Japão", cita.

Tóquio/Foto: Arquivo Pessoal

Porém, Maria expõe algumas dificuldades em ser atleta amadora na cidade de Boa Vista, mostrando que as dificuldades não limitam-se apenas aos obstáculos das maratonas estrangeiras. Muitas vezes o atleta corredor de rua não tem um local totalmente apropriado para treinar. "Ser atleta amador tem lá suas dificuldades, os treinos geralmente são realizados dividindo espaço com pedestres, ciclistas e condutores de veículos, isso muitas vezes é perigoso" exclama Maria.


Já cantava Milton Nascimento "Mas é preciso ter força, É preciso ter raça é preciso ter gana sempre, quem traz no corpo a marca Maria, Maria, mistura a dor e a alegria" Maria do Socorro almeja mais do mundo do esporte, o sonho de concluir a World Marathon Majors está mais perto do que nunca. A WMM é uma série de seis das máximas e mais populares maratonas do mundo que integram uma série anual para designar os melhores corredores de maratona masculinos e femininos, amadores ou profissionais do mundo inteiro. As maratonas ocorrem todos os anos nas cidades de Tóquio, Boston, Londres, Berlim, Chicago e Nova York. Destas, Maria trouxe para casa as medalhas de Nova York, Berlim, Chicago e Tóquio. As medalhas são por concluir todo o percurso de 42km195m, e não por ganhar de outro participante. Já em Roraima, a atleta foi ao pódio duas vezes na corrida da OABRR, uma vez na corrida do TJ e outras locais, todas de acordo com a sua faixa etária. "Vou ficar devendo os números das medalhas nacionais, pois são bastantes, não sei te dizer quantas são no momento" finaliza Maria.






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