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JURA 2023: Evento celebra dez anos de defesa da Reforma Agrária no âmbito universitário

Atualizado: 29 de mai. de 2023

Reforma Agrária Popular: em Defesa da Natureza e de Alimentos Saudáveis é o tema do evento que acontece na UFRR (Bloco II e Parlatório) nos dias 05 e 06 de Junho. Haverá certificação para os presentes.

JURA 2023: Reforma Agrária Popular: em Defesa da Natureza e de Alimentos Saudáveis. Arte: Amazoom.

Neste Ano de 2023 a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária Popular completa dez anos. Uma década de experiência coletiva, aglutinando saberes e se espraiando ao redor de mais de 70 Instituições de Ensino Superior; Grupos, Núcleos e Laboratórios de Estudo e Pesquisa; Programas de Pós-Graduação; Coletivos de Trabalho; Estudantes, Movimentos e Organizações Populares do Campo e da Cidade, articulados em torno da compreensão da Questão Agrária e da construção da Reforma Agrária Popular.


Na UFRR o evento acontece pela segunda vez em 2023. O Encontro, que vai ser realizado no auditório do Bloco II e no Parlatório do Campus Paricarana, é articulado pelo Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-RR); Movimento de Mulheres Camponesas (MMC-RR); Levante Popular da Juventude; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Boa Vista (STR-BV); Laboratório de Pesquisa e Extensão sobre o Rural (LABORR); e, Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). E, conta com o apoio de diversos organismos como a Comissão Pastoral da Terra (CPT-RR); da Universidade Estadual de Roraima (UERR) e diversas instâncias da própria Universidade Federal de Roraima (UFRR), como o Amazoom.


Conforme Maria Gerlania (a Bia) da Direção Nacional do MST em Roraima a importância da realização no JURA 2023 na UFRR está diretamente relacionada a demarcação de um outro território ainda mais simbólico para a defesa da reforma agrária popular.

Com a JURA a gente marca um território que é em defesa da reforma agrária e da importância da reforma agrária para o nosso povo. Demarca a produção de alimentos saudáveis, a produção numa outra matriz cultural – para as famílias assentadas, mas também para o conjunto da sociedade. Pois, o que a reforma agrária popular se propõe pensar é para o conjunto da sociedade, não só para o MST. Enquanto o agronegócio só produz morte, veneno e destruição a JURA faz um confronto direto para demarcar mais um território da luta. Porque na luta estão duas narrativas diferentes: a nossa – em defesa da vida, do meio ambiente, e do ser humano; e outra (a do agronegócio) que é a defesa de tudo o que que é ruim - Maria Gerlania (MST-RR).

Responsável pela organização do evento da UFRR o professor do Curso de Ciências Sociais e integrante do LABORR, Carlos Alberto Cardoso (o Cacau) lembra que Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) é um evento anual realizado em diversas universidades públicas e particulares do Brasil, bem como nos Institutos Federais. Seu objetivo geral é debater a importância da reforma agrária popular, sua relação com as instituições de ensino e pesquisa e, neste ano, “aprofundar o debate sobre a defesa da natureza e a produção de alimentos saudáveis para toda a população”.

A JURA 2023 será o segundo evento realizado em Roraima para discutir a reforma agrária popular. Contará com mesas de debates compostas por agricultores, movimentos sociais, juventude, pesquisadores e defensores da agroecologia. Várias unidades da UFRR estão envolvidas na organização do evento, juntamente com organizações e movimentos do campo popular e democrático de Roraima - Carlos Alberto Cardoso (LABORR / CCS).

Já para Elton Carvalho, Coordenador Nacional do Levante Popular da Juventude no Estado, a JURA é uma ferramenta importantíssima na superação das muitas desigualdades que existem no Brasil e uma oportunidade única para a juventude (principalmente a juventude universitária) entender melhor as ações, as práticas e as teorias que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem construindo no estado de Roraima e a nível nacional.

A Jornada Universitária da Reforma Agrária sempre foi pauta do Levante aqui de Roraima. Porque a JURA é o momento de a gente ver concretamente as questões em relação aos conflitos rurais, que acontecem no campo e aqui em Roraima As vezes aqui é camuflado. As vezes parece que não existe nenhum conflito em Roraima. Mas não, somos palco de grandes conflitos. Agora, principalmente, os conflitos que acontecem com os povos indígenas, mas também com os povos do campo, dos assentamentos e dos acampamentos - Elton Carvalho (Levante Popular da Juventude).

Modelos em Disputa


Conforme enfatiza o professor integrante do LABORR, Carlos Alberto Cardoso, a proposta da JURA em 2023 é expor uma perspectiva de produção de alimentos saudáveis, que vai contra o modelo hegemônico representado pelo agronegócio – o qual agride a natureza e oferece produtos contaminados por agrotóxicos à população – “colocando em risco nossa vida e o próprio planeta”.


É nessa disputa que, segundo Elton Carvalho do Levante Popular da Juventude, ainda é preciso lutar (inclusive desde dentro da Universidade) para a construção de políticas públicas mais efetivas e que garantam melhores condições aos trabalhadores do campo, camponeses e indígenas. “Para que estes atores não sejam esquecidos pelo estado brasileiro”.

Em muitos momentos a gente na cidade precisa ter uma ideia maior do que da importância de a gente preservar a vida e lutar por ter mais políticas públicas voltadas para o campo – Elton Carvalho(Levante Popular da Juventude).

Para Maria Gerlania do MST-RR essa disputa ganhou novos contornos no atual contexto com a instalação da CPI do MST no Congresso Nacional.

A CPI se contrapõe diretamente ao nosso modelo. Ela está aí com tudo, apostando na criminalização dos movimentos sociais – inclusive o MST. A CPI é uma tentativa dos ruralistas, apoiadores de Bolsonaro, de se manter na agenda política. Esse projeto já foi derrotado. O projeto de Bolsonaro já foi derrotado nas urnas! Mas, eles seguem tentando pautar o governo, através da CPI. Mas, nós somos um movimento social de luta, que estamos em cena como ator político. Temos força política também e vamos fazer essa disputa de narrativa que também é uma disputa de modelo de sociedade - Maria Gerlania (MST-RR).

Programação JURA 2023


O professor Carlos Alberto (Cacau) lembra ainda que promover um movimento como esse, no contexto universitário, é importante porque a universidade também é um espaço de diversidade e democracia, marcado pelo livre debate e circulação de ideias e conhecimento sobre temas relevantes para a sociedade brasileira e a humanidade como um todo.


Segundo Cacau, especialista em questões de sociologia rural, a reforma agrária é, sem dúvidas, um dos temas fundamentais para debate dentro da universidade.

Discutir o acesso à terra, a ocupação dos territórios e o processo produtivo são questões essenciais para Roraima e para o Brasil. Portanto, debater a proposta de Reforma Agrária Popular apresentada pelo MST é de fundamental importância para enfrentar a fome, que afeta grande parte da sociedade brasileira. Temos que compreender que a reforma agrária popular é o caminho para garantir alimentos saudáveis na mesa do povo, a preços justos, e para a defesa intransigente da natureza - Carlos Alberto Cardoso (LABORR / CCS).

Cacau lembra ainda que, além disso, a JURA busca relembrar o massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996. Esse dia se tornou um símbolo de luta internacional pela reforma agrária, com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denunciando a impunidade desse ato criminoso, que resultou no assassinato de 21 trabalhadores rurais sem-terra.


O evento da UFRR contará com uma programação que inclui mesas de debates, oficinas, rodas de conversa sobre agroecologia; crise climática; alimentação saudável; protagonismo das mulheres na construção da soberania alimentar etc. Além de atividades culturais e uma feira para exposição de produtos agroecológicos, da agricultura familiar e indígena de Roraima.


Inscrições Aqui (em breve).


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