• Bryan Araújo

Grupo bolsonarista invade aula online de líder indígena no PGGCOM e ataca alunos e professores

Aula ministrada pelo líder indígena Dário Kopenawa foi invadida por grupo bolsonarista


Foto: Victor Moriyama / ISA

A aula pública sobre Movimento dos Povos Indígenas, ministrada pelo vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Dário Kopenawa, nessa quinta-feira (30), precisou ser interrompida após ser invadida por um grupo bolsonarista que publicou vídeos e mensagens ofensivas contra os participantes.


Componente da disciplina de Mídia, Política e Movimentos Sociais do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), a aula pública é um espaço para discutir a relação entre comunicação e atores políticos e sociais no contexto amazônico.


Conforme o professor da disciplina e coordenador do Rede Amazoom, Prof. Dr. Vilso Santi, cerca de 30 pessoas estavam assistindo à aula ao vivo transmitida pela plataforma Google Meet, quando aconteceu o caso.


"A gente fez o convite, fez a divulgação da aula e obviamente várias pessoas se interessaram, para além das pessoas matriculadas na disciplina, e, pelo visto, parece que essa aula chamou a atenção de pessoas que não gostam das causas indígenas porque essas pessoas acabaram invadindo a sala", explicou.

Por volta das 9h45, horário local, seis perfis, identificados como Gabriel Imperador, Pedro Henrique, João, Flavio de Assis Santos, Caio Rodrigues e Isabella Rossi entraram na sala virtual. Na sequência, eles passaram a postar comentários ofensivos e com palavras obscenas no chat da aula pública.


Em seguida, interrompendo a fala de Dário Kopenawa, eles passaram a transmitir áudios e vídeos com músicas agresivas ofendendo mulheres, pessoas de esquerda e afirmando que "Pra votar Bolsonaro minha mão já está tremendo".


Depois da invasão, a aula precisou ser transferida para outra sala virtual. Contudo, apenas metade dos participantes originais conseguiu acessar o novo link e participar do evento, pois muitos não tiveram acesso ao novo link e outros ficaram nervosos com as ofensas.


Após o fim do encontro, Vilso Santi registrou um boletim de ocorrência sobre o caso na Polícia Federal (PF) e encaminhou um dossiê sobre a invasão à coordenação do PPGCOM e reitoria da UFRR.


"Esses ataques têm sido sistemáticos e orquestrados, há vários relatos na UFRR e em outras instituições de pessoas que estão fazendo seu trabalho nas disciplinas e que estão propondo discussões que fazem parte da construção de um saber e estas pessoas são impedidas do seu direito de trabalhar por gente que discorda do ponto de vista", contou o professor.

De acordo com Vilso Santi, no contexto pandêmico, no qual a maioria das aulas são ministradas em plataformas online, é urgente que as instituições ofereçam um espaço seguro para que docentes e discentes possam trabalhar e construir um espaço de saber adequado.


"O sentimento primeiro é de susto, a gente se assusta com o ataque, porque a gente acha que não vai acontecer conosco. Já o segundo sentimento, depois que a gente consegue refazer as conexões e recomeçar o trabalho, é de indignação porque a gente se sente desprotegido e, no nosso caso, essa desproteção é mais evidente porque a gente trabalha sem o suporte da Universidade", relatou.


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