De Roraima a Barcelona: Professora Leila Baptaglin vai discutir arte urbana, educação e migração com bolsa da Fundación Carolina
- Amazoom

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Docente da UFRR foi contemplada com bolsa de pós-doutorado para pesquisar o papel da arte urbana na redução das desigualdades nas experiências de imigração em Roraima, no Brasil, e Barcelona, na Espanha.

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) atravessará o Atlântico pelas mãos da arte, da educação e das experiências de migração. A professora Leila Baptaglin, docente do PGEDA, do PPGE e do curso de Artes Visuais da instituição, foi contemplada com uma bolsa de pós-doutorado da Fundación Carolina para desenvolver atividades de pesquisa na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), na Espanha. Sua proposta que aproxima Roraima e Barcelona a partir dos muros, das ruas, das imagens e das histórias de quem migra.
O resultado final da seleção foi divulgado pela Fundación Carolina, instituição reconhecida no campo acadêmico ibero-americano por fomentar a cooperação internacional entre universidades e pesquisadores. A bolsa permitirá que a professora realize uma estância de pesquisa de até 90 dias, no período compreendido entre 1º de setembro de 2026 e 31 de julho de 2027, conforme as regras do programa.
O projeto de investigação tem como título “O papel da arte urbana no processo de educomunicação para migrantes: uma proposta para reduzir as desigualdades – em Boa Vista (Roraima, Brasil) e Barcelona (Catalunha, Espanha)”.
“Em linhas gerais a proposta aspira investigar o papel da arte urbana como processo educomunicativo para imigrantes, buscando compreender como experiências artísticas nos espaços públicos podem contribuir para reduzir desigualdades, criar pertencimento e aproximar vidas que, muitas vezes, atravessam fronteiras carregando saudade, memória e futuro na mesma mala” – Leila Baptaglin.
A professora Leila será acompanhada em Barcelona pelo professor Nicolás Lorite García, doutor em Ciências da Informação e docente vinculado ao Departamento de Publicidade, Relações Públicas e Comunicação Audiovisual da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). A parceria fortalece o diálogo entre a produção acadêmica da Amazônia brasileira e centros internacionais de pesquisa em comunicação, cultura, arte e migração.
Para Leila Baptaglin, a conquista amplia os caminhos de internacionalização da UFRR e reafirma a potência da arte como linguagem de encontro.
“Essa pesquisa nasce da escuta dos territórios. Roraima é atravessada por experiências migratórias muito intensas, e a arte urbana pode ser uma forma de comunicação, educação e acolhimento. Levar essa discussão para Barcelona é também reconhecer que a Amazônia tem muito a mostrar ao mundo sobre fronteiras, deslocamentos, desigualdades e criação coletiva”, destaca a professora.
O coordenador de Relações Internacionais (CRINT) da UFRR, professor Marcus Vinicius Silva, celebrou o resultado e ressaltou o caráter competitivo da seleção. Segundo ele, a aprovação passou por três etapas: primeiro, uma etapa institucional na UFRR; depois, uma etapa nacional conduzida pela ANDIFES; e, por fim, a avaliação da própria Fundación Carolina, responsável pela concessão das bolsas.
“Nem todos os candidatos indicados pela ANDIFES são aprovados pela Fundación Carolina, o que demonstra o caráter seletivo e competitivo do programa. Trata-se de uma conquista importante para a professora Leila, para o PPGE e para a UFRR, especialmente por se tratar de um programa internacional bastante concorrido e reconhecido no meio acadêmico ibero-americano”, afirmou Marcus Vinicius.
Cooperação Internacional
A conquista também projeta a UFRR em um cenário de cooperação internacional no qual a pesquisa produzida no extremo norte do Brasil deixa de ser vista como margem e passa a se apresentar como centro de pensamento. Entre Boa Vista e Barcelona, a proposta da professora Leila desenha uma ponte feita de grafites, relatos, deslocamentos e pedagogias possíveis. Uma ponte onde a arte urbana não é apenas paisagem: é documento, sala de aula, abrigo simbólico e forma de comunicação para quem busca reconstruir a própria vida em outro território.
A bolsa da Fundación Carolina representa, portanto, mais do que uma experiência individual de pós-doutorado. Ela reafirma a importância da internacionalização da universidade pública, fortalece os programas de pós-graduação da UFRR e mostra aos estudantes de graduação e pós-graduação que a pesquisa feita em Roraima pode conversar com o mundo sem perder o sotaque da fronteira, da floresta e da cidade que pulsa nos muros.
No fim das contas, a notícia responde a uma pergunta que interessa a toda universidade: por que isso importa? Porque cada bolsa conquistada abre uma janela. E, desta vez, pela janela aberta entre Roraima e a Espanha, entram a arte, os migrantes, a educação, a comunicação e a certeza de que pesquisar também é uma forma de atravessar o mundo sem abandonar o lugar de onde se fala.




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