• Yohanna Emmelly

CFC: Amazoom realiza terceira oficina do Ciclo de Formação Complementar

O encontro que discutiu a importância das audiovisualidades na região amazônica contou com a participação de convidados especiais.

O facilitador Pedro Alencar no primeiro dia da oficina sobre Audiovisualidades Amazônicas.


Foi realizada entre os dias 3 e 5 de agosto, a oficina “Audiovisualidades amazônicas e práticas etnocomunicacionais”, promovida pelo Amazoom em parceria com a Internews. O encontro, o terceiro da Ciclo de Formação Complementar (CFC), foi conduzido por Pedro Alencar - radialista, repórter cinematográfico e integrante do Amazoom.


No primeiro dia do evento, foram exibidos filmes produzidos tanto por nativos da região amazônica, quanto aqueles que usaram a geografia do lugar como pano de fundo. Além disso, o facilitador Pedro Alencar, destacou a importância de se dar visibilidade às produções nortistas e à necessidade de se valorizar a arte cinematográfica que vem ganhando espaço no Brasil e no exterior.


“A Amazônia já faz tempo que é cenário da sétima arte, hoje muito mais devido o acesso ao cinema digital. Quando se fala da Amazônia em qualquer lugar no planeta as pessoas admiram, querem conhecer e querem ver qualquer produção de audiovisual feita aqui. A importância do cinema feito na Amazônia é essa: mostrar para o mundo a sua riqueza, o seu povo, a sua cultura, a sua diversidade”, explicou Alencar.

“A importância do cinema feito na Amazônia é essa: mostrar para o mundo a sua riqueza, o seu povo, a sua cultura, a sua diversidade” - Pedro Alencar.

No segundo dia, a oficina contou com a presença da convidada Yara Walker, que é jornalista e cineasta. Yara problematizou o papel das mulheres no cinema roraimense e as dificuldades enfrentadas por elas para se inserir nesse cenário. Dificuldades que vão desde o machismo até a falta de oportunidades no mercado de trabalho.

A jornalista e cineasta Yara Walker abordou o papel da mulher nas produções roraimenses.


“Temos o machismo e a falta de oportunidades, uma vez que para chegar nesse mercado existe um processo muito institucional que dificulta o acesso. Há falta de políticas públicas também. Por isso é necessário fortalecer e incentivar esse espaço para que as mulheres participem. Eu me sinto mais otimista com o atual cenário, pois eu vejo que as mulheres têm ganhado um espaço cada vez maior”, pontuou Walker.

“Temos o machismo e a falta de oportunidades... Há falta de políticas públicas também. Por isso é necessário fortalecer e incentivar esse espaço para que as mulheres participem" - Yara Walker.

No encontro, foi exibido também o documentário produzido pela jornalista, que fala sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado audiovisual roraimense. “A partir da minha primeira experiência, eu conheci as pessoas do cinema atual e percebi que havia muitas mulheres na TV e no jornalismo. Mas, no cinema estava em falta! Então, refleti que havia alguma coisa que eu poderia fazer. Eu pensei que talvez pudesse dar voz para essas mulheres para que elas pudessem falar desse problema”, explicou.


Após isso, uma roda de debate e conversa foi organizada onde os participantes puderam tirar dúvidas e opinar sobre o assunto.


Já no terceiro dia, o convidado foi o cineasta Alex Pizano, que contou como iniciou sua carreira no cinema roraimense - no início dos anos 2000 - e as dificuldades do processo de produção encontradas em Roraima.

“O cinema que a gente faz aqui é de guerrilha. Primeiro que a gente faz tendo que provar que é capaz porque as pessoas não acreditam - Alex Pizano.

“O cinema que a gente faz aqui é de guerrilha. Primeiro que a gente faz tendo que provar que é capaz, porque as pessoas não acreditam. E não é só pela parte financeira, mas é da própria população que tem preconceito com o que é regional. Não se dão a oportunidade de ver pelo menos uma ou duas obras e de gêneros diferentes”, afirmou Pizano.


O cineasta também destacou que por mais que o documentário seja o carro-chefe das produções de Roraima, ele incentiva que as pessoas se aventurem em outros tipos de produções. “Durante toda minha vida as produções cinematográficas daqui eram quase sempre os documentários. Nunca tinha filme de tal gênero. Então, eu pensei que não custava nada fazer um filme policial; um romance; ou um de ficção científica, por exemplo. De forma séria! Nesses gêneros, só tinha filmes produzidos por estrangeiros, mas não tinha um nativo daqui”, relatou.


Alex explicou que a resistência da população em aceitar as produções regionais e as dificuldades de se conquistar esse público influencia na demanda de investimento, uma vez que sem público não existe razão para investir em algo.

"Eu pensei que não custava nada fazer um filme policial; um romance; ou um de ficção científica, por exemplo. De forma séria - Alex Pizano.

Pizano detalhou ainda suas experiências na produção de seus filmes e exibiu alguns de seus curtas-metragens. Também ponderou sobre a importância das produções audiovisuais nortistas e destacou os festivais e premiações que essas produções ganharam. O cineasta , por fim, abriu uma roda de conversa para que os participantes tirassem dúvidas sobre as produções roraimenses.



Atenção:

A quarta oficina do Ciclo de Formação Complementar (CFC) está prevista para acontecer em meados de setembro. Depois das ferias! Fiquem ligados!


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