top of page
  • Foto do escritorMelissa Lima

Aumento das mulheres em cargos de liderança gera opiniões negativas

Sendo as áreas de ciências, política e esportiva as mais afetadas


Por Allyne Bentes, Laura Silvestre e Melissa Lima*


Imagem: Melissa Lima

Apenas 47% de pessoas se sentem confortáveis em ter mulheres em posição de liderança. Houve uma diminuição na quantidade de 54% em relação ao ano de 2022, como mostra o último levantamento publicado em 2024,  realizado pela rede Women Political Leaders e a Kantar Public com mais de 10 mil pessoas de 14 países diferentes, dentre eles: Alemanha, Japão, França, Canadá, Reino Unido, Estados Unidos e Itália.


Em 2022, 38% dos cargos de liderança no Brasil eram ocupados por mulheres, aponta o relatório da Women in Business. Mesmo sendo considerado um número baixo, o país ainda é o quarto colocado no ranking global e se mantém à frente dos demais países da América Latina. A estatística mostra um aumento de 11 pontos percentuais no cenário mundial em relação a 2012, que registrava 21% de cargos de chefia ocupados por mulheres.


O aumento se deve a novas estratégias de equidade de gênero elaboradas por empresas e instituições, dentre elas está o planejamento de editais com a condicionante de preencher um determinado número de vagas.  Esses planos de equidade geram um efeito negativo em pessoas, principalmente homens, que se sentem desconfortáveis com mulheres em posição de liderança. 


“Acho que é um reflexo que está diretamente ligado a uma ampliação mesmo que sutil,  mesmo que pequena,  mas ainda há essa ampliação no sentido das políticas de equidade de gênero nas empresas e nos espaços das instituições públicas” explica Luziene Parnaíba, professora de ciências sociais da Universidade Federal de Roraima e pesquisadora do Observatório da violência contra a mulher.


Preconceitos, assédios e discriminações: dificuldades das mulheres no mercado de trabalho 


Com o aumento de mulheres em cargos de liderança, em contrapartida, também cresce o número de preconceitos relacionados a essa conquista. Mais de 74% das mulheres já sofreram alguma forma de assédio ou discriminação na vida profissional e em 72,7% dos casos foram cometidos por seus superiores, mostra a pesquisa realizada pela Infojob.


O medo de sofrer assédio sexual ou moral por seus chefes (homens), fazem as mulheres optarem por chefes de gêneros semelhantes, segundo uma pesquisa exclusiva realizada por alunas de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR), na disciplina de Web, com 101 pessoas, dentre elas 76,2% mulheres e 23,8% homens.


“Pelo meu histórico de subordinação a líderes homens, posso dizer que em todas as minhas experiências houve algum desconforto. Geralmente líderes homens, pelo cargo de poder que têm, se sentem seguros e confiantes em dar em cima ou assediar funcionárias, ou parecem odiar as mulheres, assumindo um tratamento muito rude em comparação aos seus funcionários homens” relata uma das participantes da pesquisa.


A base estrutural que ocasiona essa intolerância com as mulheres no campo profissional, sejam elas em posição de liderança ou não, vem do contexto patriarcal em que o Brasil, e grande parte dos países, foram se desenvolvendo. “Os homens historicamente ocuparam o espaço público e as mulheres foram condicionadas a permanecer na esfera privada das relações sociais e familiares” aponta a pesquisadora Luziene Parnaíba. 


Uma das manifestações do patriarcado está justamente na forma como as pessoas tendem a enxergar os homens e as mulheres como líderes. Esta reportagem elaborou dois infográficos com os principais adjetivos utilizados pelos participantes da pesquisa para descrever ambos os gêneros.




Imagem: Allyne Bentes



Imagem: Allyne Bentes

Os infográficos demonstram como as pessoas ainda ligam mais às mulheres,  as características de cuidadoras e maternas – delicada, compreensível, empática, não-autoritária – e características vistas como essenciais para chefia, aos homens – autoritário, direto, objetivo e ordenado. “Parece ser mais fácil receber ordens de um homem”, diz um dos participantes da pesquisa.


Por que mulheres ocupam menos da metade dos cargos de docência nas universidades?


As mulheres enfrentam desafios únicos no mercado de trabalho, principalmente devido à diferença de disponibilidade em relação aos homens. Enquanto estes enfrentam menos barreiras familiares e estruturais, as mulheres na maioria das vezes precisam conciliar suas responsabilidades como mãe , esposa e profissional. Essa realidade, ainda permeada pelo machismo, muitas vezes resulta na exclusão de oportunidades para as mulheres. 


Mesmo com os avanços ao longo dos anos,  a desigualdade de gênero persiste em várias áreas, incluindo a ciência e docência. De acordo com um estudo feito pela Universidade Federal de Viçosa, intitulado Desigualdade de gênero na carreira docente: Fatores intervenientes, pesquisadoras afirmam que apenas 30,2% das 63 universidades federais são lideradas por reitoras. 


“Este fenômeno pode ser explicado devido à atuação de estereótipos de gênero e pelos papéis sociais e culturais da mulher, como por exemplo, os períodos de significativa mudança no ritmo de vida, como o vivenciado com a maternidade e os cuidados com as crianças pequenas. A maior parte das docentes do sexo feminino encontram-se nas categorias de  professora auxiliar ou adjunta, correspondendo aos anos iniciais da carreira docente”, destacam as autoras, Tatiani Gouvêa e Ana Louise Fiúza. 


Levando em conta a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a discente e pesquisadora, Paolla Bentes, declarou que em 19 cursos da UFRR, existem apenas 138 mulheres atuando na docência e administrativa do campus. Portanto, aproximadamente 41,1% inseridas no corpo docente são mulheres. 


Imagem: Laura Silvestre

Luziene Parnaíba, que também é professora da UFRR, explica como as mulheres são negligenciadas no âmbito acadêmico desde os anos 70. 


“O aumento da presença feminina nas universidades representa uma mudança significativa, resultado da luta contra o patriarcado. Historicamente, as mulheres foram limitadas à esfera privada, mas desde a segunda onda do feminismo, observa-se um crescimento na participação feminina nas instituições de ensino superior. Apesar disso, os espaços de liderança ainda são majoritariamente ocupados por homens, evidenciando desafios persistentes na busca pela equidade de gênero dentro do ambiente acadêmico”, pontuou. 


Segundo o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmica da UFRR, responsável por acolher informações da instituição, no curso de Jornalismo, apenas 6 dos 16 docentes são mulheres, e há uma única técnica administrativa no curso. Tatiane Hilgemberg, docente, doutora em Comunicação Social, atua na UFRR desde 2018 e diz que é desafiador estar em ambiente acadêmico onde as mulheres são minoria.


“Enquanto as mulheres não ocupam espaço de liderança na academia, essas ações não irão mudar. Mesmo que os homens sejam empáticos quanto ao assunto, as necessidades das mulheres não são ouvidas. Também existem certas desconfianças sobre o quanto a mulher será capaz de exercer aquela atividade ou quando uma pessoa do sexo masculino palpita sobre sua pesquisa, achando que sabe mais dela do que você ”, esclareceu. 


A docente também notou a diferença - apesar de pequena - dentro do âmbito acadêmico. Onde ela percebe que a possibilidade de oportunidades são maiores. Atualmente, Hilgemberg atua como Coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Esportes da Intercom, a maior sociedade científica em Comunicação do Brasil.


“A vice-coordenadora também é mulher, houve uma união dos próprios colegas da área para que a gente assumisse. Sempre foi falado sobre a importância do lugar das mulheres nesses ambientes, eu percebo essa mudança. E é um ato bastante importante para que possamos ser luz para outras mulheres. Percebo em eventos a importância de estarmos assumindo locais de liderança, a melhor forma de inspirar outras mulheres é inserir outras mulheres que estão começando a carreira ou que se interessam no assunto. É de fato trabalhar em conjunto”, disse. 


Movimento Parent In Science 


O movimento Parent in Science (“Mães e Pais na Ciência”, em tradução para o português), surgiu com o intuito de discutir sobre maternidade e paternidade dentro do universo da ciência. Criada em 2016 pela pesquisadora cientista Fernanda Stanisçuaski, o objetivo do projeto é fazer levantamentos de dados referente ao quantitativo em questões de gênero e parentalidade no cenário científico brasileiro.


O Parent in Science (PIS) investigou o impacto da maternidade e paternidade por meio do Curriculos Lattes de 2.692 cientistas. Notou-se a diferença entre homens e mulheres, onde as cientistas mães, após o nascimento de seus filhos não submetiam e publicavam tantos trabalhos quantos os homens, fazendo com que essa queda durasse toda a fase de Primeira Infância de seus filhos. Já cientistas homens e sem filhos, esse número aumentou de maneira linear ao decorrer da carreira.


Imagem: Laura Silvestre

Esse dado gerou avanços dentro da Ciência, onde foram adotados editais de financiamento, criação e extensão de bolsas, licença maternidade, espaço de recreação infantil e o acolhimento das mulheres pesquisadoras em seu local de trabalho. 


Em 2020, o movimento alertou na revista Science sobre o aumento da disparidade de gênero durante a pandemia da Covid-19. Uma pesquisa com mais de 14 mil cientistas brasileiros mostrou que mulheres com filhos foram as mais impactadas pelo trabalho remoto. Mulheres negras e brancas com filhos pequenos tiveram sua produtividade acadêmica mais afetada, enquanto homens sem filhos foram os menos afetados. O movimento compilou os dados em um informativo para subsidiar políticas públicas que protejam os grupos mais afetados.


Como por exemplo, foi criado o programa “Amanhã” em 2021, que incentiva mães a concluírem seus cursos de pós-graduação. Por meio de um auxílio financeiro, ele visa complementar a renda dessas alunas, evitando o abandono dos cursos em um contexto ocasionado pela pandemia. 


O valor do auxílio varia entre 400 a 800 reais mensais, por até nove meses. O Parent In Science não apenas impulsionou o diálogo sobre parentalidade e ciência, mas também inovou ao conduzir estudos para examinar como a vinda dos filhos impacta a trajetória profissional de mulheres em distintas fases da vida acadêmica.


Adoecimento mental e sobrecarga


Seis em cada 10 mulheres entre 36 e 55 anos são encarregadas do cuidado direto de alguém, além disso, o levantamento realizado pelo Instituto DataFolha também demonstra que 86% das mulheres brasileiras consideram ter muitas responsabilidades, 28% delas sendo a única fonte de renda do lar. 


A sobrecarga de trabalho dentro e fora de casa, aliada às pressões sociais e aos preconceitos a que grande parte dessas mulheres são expostas, desencadeou um adoecimento mental em que mulheres e jovens possuem mais ansiedade no cenário atual e a longo prazo pode provocar um afastamento laboral.


“Você precisa trabalhar redobrado para se mostrar capaz tanto quanto o homem. Por ser mulher e por ter outras tarefas atreladas (mãe, esposa, filha, profissional), tudo isso é um conjunto que a sociedade te faz pensar não ser capaz de conduzir” relata a gerente supervisora de uma franquia do Banco BMG (help), Larissa Nascimento.


Produção: Secretaria Municipal de Saúde do Estado de São Paulo


Estresse, fadiga e irritabilidade são as principais consequências que o acúmulo de tarefas está gerando nas mulheres e desde a pandemia estão mais presentes no cotidiano feminino. Capacidades como memória e atenção são afetadas por essa sobrecarga de trabalho, além da alimentação e do sono, segundo a psicóloga, Érica Da Cruz.


Como enfrentar e combater esse preconceito?


É essencial implementar dispositivos jurídicos e legais que favoreçam o ingresso e a permanência das mulheres tanto em instituições públicas quanto em empresas. Isso inclui estabelecer critérios de paridade de gênero desde os processos seletivos, garantindo que mulheres não sejam penalizadas por questões como maternidade. Além disso, é fundamental criar um ambiente de trabalho que respeite os direitos das mulheres.


No entanto, garantir a igualdade de gênero vai além do ingresso de mulheres em cargos de poder. É necessário também criar espaços de acompanhamento e conscientização para combater manifestações negativas que possam configurar assédio moral. Isso implica em promover uma cultura organizacional que valorize o trabalho das mulheres e proíba condutas que visem impedir sua ascensão ou diminuir sua contribuição. Assim, ao lado de medidas legais de acesso e permanência, é crucial implementar iniciativas que assegurem um ambiente de trabalho inclusivo e livre de discriminação de gênero.


“Não basta apenas garantir o ingresso através dessas cotas paritárias da equidade de gênero, mas também garantir que neste ambiente sejam respeitadas”, destacou Luziene Parnaíba.

Também é fundamental investir em programas de conscientização e capacitação para líderes e colaboradores, visando desconstruir estereótipos de gênero e promover a equidade em todos os níveis hierárquicos. Esses programas podem incluir treinamentos sobre diversidade, workshops sobre liderança inclusiva e campanhas de sensibilização para criar uma cultura organizacional que valorize a contribuição de todas as pessoas, independentemente de seu gênero. Dessa forma, ao promover a igualdade de oportunidades e combater o preconceito, as empresas e instituições públicas não apenas fortalecerão sua equipe, mas também irão contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva.


Mulheres no Poder e na Política 


No levantamento realizado sobre mulheres em cargos de liderança, em que 76% dos entrevistados eram mulheres, mais da metade de todas situações em que mulheres estariam no comando foram escolhidas como as preferíveis, o que contrasta com o número de mulheres reais no comando. Com números praticamente empatados, os respondentes demonstraram equilíbrio entre a quantidade de vezes em que estiveram sob a chefia de homens e de mulheres, apesar de que, em quase 60% das vezes, as mulheres fossem maioria na força de trabalho.


Imagens: Melissa Lima

Representatividade e Desafios


A participação de mulheres na construção da sociedade através da política é um desafio a ser batido até hoje, apesar da notável importância histórica de figuras como Dona Leopoldina, Princesa Isabel e Chica da Silva nas decisões mais importantes do país ainda nos tempos do império. Mesmo que o voto tenha sido conquistado há quase um século, a política brasileira ainda é marcada por grandes disparidades em relação à representatividade.


Embora sejam mais da metade da população (51,13%) e cerca de 53% do eleitorado, as mulheres ocupam apenas 15% dos cargos eletivos no país. Essa sub-representação se reflete em todos os níveis da política, desde as câmaras municipais até o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o TSE Mulheres, plataforma do Supremo Tribunal Eleitoral que compila dados sobre a participação da mulher na política, em 2022 o Brasil ocupou a 129ª posição entre 190 países, com apenas 17,7% de assentos na Câmara dos Deputados, o menor quantitativo desde 1998.


Existem diversas medidas que podem contribuir para o aumento da participação feminina, que vão desde a implementação efetiva da Lei de Cotas Eleitorais com punições para os partidos que não cumprirem a cota mínima de candidaturas femininas, até o próprio combate à violência e educação para a igualdade de gênero, mas apesar dos esforços esses são passos lentos, agravados por uma série de fatores estruturais: como a violência, a discriminação, a falta de apoio e os estereótipos de gênero; econômicos: como a falta de apoio e políticas públicas eficazes que promovam a independência financeira da mulher e a permitam exercer funções fora de casa de maneira segura para sua família; ou políticos: como a onda de conservadorismo que o mundo vem enfrentando nos últimos anos.


Dilma Rousseff


Dilma Rousseff (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Eleita presidente do Brasil duas vezes consecutivas, Dilma Vana Rousseff foi a 36ª governante a ocupar o Palácio da Alvorada, de 2011 a 2016, sendo a primeira mulher no cargo na história. Antes de sua presidência, Dilma teve uma carreira política ativa, como Ministra de Minas e Energia e Ministra-Chefe da Casa Civil durante os primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva


Membro do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma esteve ativa na luta política desde a ditadura. Torturada e perseguida pelo regime, tornou-se figura importante da luta feminina pelos direitos políticos e representatividade, bem como do enfrentamento ao preconceito de maneira geral, mas principalmente o de gênero. 



Produção: Petra Costa/Netflix


Seu governo, marcado pelas críticas contundentes e o fatídico impeachment, também foi o responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas como o combate ao feminicídio, com a criação da Casa da Mulher Brasileira; pelo reconhecimento de mulheres como chefes de família, o que permitiu que obtivessem a titularidade do cartão do Programa Bolsa Família; e pela maior presença delas no mercado de trabalho formal, com a ampliação da licença-paternidade de 5 para 20 dias e a Política Nacional Integrada para a Primeira Infância e permitiria que pais dividissem os cuidados com as crianças por mais tempo, além da PEC das Domésticas, que deu sete novos direitos à categoria.


Hoje, Dilma é presidente do Banco dos BRICS, instituição financeira para o desenvolvimento multilateral criada e administrada pelo bloco econômico das maiores potências emergentes da atualidade: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Atualmente vive em Shanghai, maior cidade da China, onde fica a sede do banco, e permanecerá no cargo até meados de 2025.


Janja


Janja (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Outra mulher importante que hoje habita a residência presidencial é Rosângela Lula da Silva, popularmente conhecida como Janja, atual primeira-dama do Brasil. Socióloga de formação, Janja participa ativamente de todas as ações do governo de perto, e apesar de não possuir cargo ou remuneração, trabalha e despacha em um gabinete na biblioteca do Palácio do Planalto.


De todas as suas ações de destaque até mesmo antes da eleição de Lula, o episódio mais marcante de sua trajetória política foi a atuação firme nos ataques de 8 de Janeiro de 2023 à Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde ficam as sedes do legislativo, executivo e judiciário. 


Em entrevista a diversos veículos de comunicação e exibido até mesmo no documentário “A Democracia Resiste”, produzido pela Globoplay, o presidente Lula declarou que o decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que serviria de estopim para o golpe de Estado planejado por articulação do governo Bolsonaro com as forças de segurança nacional, só não foi assinado por insistência de Janja, que foi a única em meio a ministros e conselheiros a perceber o movimento golpista prestes a acontecer naquele momento.


Janja também foi a pessoa por trás da nomeação da artista Margareth Menezes para o Ministério da Cultura, foi quem aconselhou a exoneração da assessora da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, após a publicação de um vídeo preconceituoso em suas redes sociais, e se colocou como porta-voz das ações do Ministério das Mulheres, bem como realiza reuniões regulares com pastas ligadas ao desenvolvimento social, direitos humanos e igualdade.


Ana Florêncio


Ana Florêncio (Foto: Giovani Oliveira/Semuc)

No âmbito regional, a atuação de mulheres segue sendo crucial para a manutenção da política. Jornalista experiente no meio institucional, Ana Maria Florêncio Campos traça uma trajetória que mescla jornalismo, empreendedorismo e atuação na esfera pública. A atual chefe da Secretaria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Boa Vista (Semuc) concedeu entrevista exclusiva para falar sobre sua carreira e o papel da mulher nas esferas de poder.


Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, Ana Florêncio iniciou sua carreira na revisão do Estadão e do Jornal da Tarde, em São Paulo, mais tarde fundando o Jornal de Parnaíba em Santana de Parnaíba, onde vivenciou todas as etapas da produção jornalística.


Entrando no ramo da assessoria, mudou-se para Brasília, onde atuou em diferentes áreas do governo, como a Câmara dos Deputados, o Senado, a Presidência da República e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Essa experiência lhe proporcionou contato direto com o poder público e a capacidade de lidar com ambientes políticos complexos.


Em 2000, veio a Boa Vista, onde conheceu Teresa Surita, na época candidata à prefeitura. Convidada a integrar a equipe de comunicação, Ana aceitou e se mudou para a cidade em 2001. Ao longo dos cinco mandatos de Teresa, acompanhou de perto os desafios da gestão pública em Roraima. Em 2023, após o término do mandato de Teresa, foi convidada pelo atual prefeito, Arthur Henrique, para retornar à Semuc.


Segundo Ana, durante os anos no serviço público já lhe ocorreram algumas situações de machismo e discriminação, reconhecendo a necessidade de se esforçar mais para provar sua competência em um ambiente profissional dominado por homens, mas apesar dos desafios, nunca desistiu dos seus sonhos, defendendo a igualdade de oportunidades para as mulheres.


“Na prefeitura nunca aconteceu isso, mas em Brasília, por exemplo, existe um machismo enraizado. No parlamento é assim. Quem são os chefes deles? São eles, então isso dá um empoderamento ao homem de forma conflitante contra as mulheres dentro do legislativo”.

Ana ainda reforçou a importância do empoderamento feminino e resistência na hora de ocupar cargos importantes como ferramentas de combate à discriminação de gênero.


“O homem pode ter apenas uma indicação, já a mulher tem que ter a indicação e ainda provar a nossa competência. Como conquistamos espaço, não deveríamos estar provando competência, mas nós mulheres precisamos exigir isso. Se empoderar, e não abaixar a cabeça. Não deveria existir essa questão de gênero ou competência. Cabe a nós não admitir ", finalizou.

*Conteúdo produzido no escopo da disciplina JOR51 – Webjornalismo.


25 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page