• Alvaro Sales

Volta dos shows ao vivo durante a pandemia

Atualizado: Out 14

A Prefeitura Municipal de Boa Vista (PMBV) modificou o decreto de flexibilização do comércio permitindo que bares, restaurantes e afins fiquem abertos até às 03h, com capacidade de até 70% da lotação. No início da pandemia, os estabelecimentos foram proibidos de funcionar pelo decreto Nº 38-E, para evitar aglomerações. Os músicos que dependem parcialmente da renda dos shows ao vivo foram afetados e tiveram que encontrar novas formas de exercerem seu trabalho.


Por conta do distanciamento social, e, consequentemente, das mudanças nas regras de funcionamento, os estabelecimentos foram obrigados a funcionar com capacidade reduzida e sem música ao vivo. No dia 24 de agosto de 2020, a então prefeita Teresa Surita anunciou por meio do twitter a liberação de shows ao vivo. Segundo a autoridade, a flexibilização foi possível graças ao baixo número de óbitos por Covid-19 na capital.


Foto de Stéphano Araújo, via Instagram

Stéphano Araújo, conhecido como Tefinho, é vocalista da Back Country. A banda é composta por 7 músicos. De acordo com o vocalista, apesar da tristeza, o grupo entendeu que a decisão de paralisar os shows ao vivo era correta.


No período de um ano, a Back Country realizou quatro lives, uma delas atingindo mais de quatro mil visualizações. De acordo com o vocalista da banda, a maior saudade dos shows ao vivo é o público, mas ressaltou que foi necessário a adaptação. Para o músico, o apoio dos amigos e das pessoas que acompanham a banda foi muito importante. Durante o período que os shows

estavam sendo vetados, o grupo também participou de lives e drive-in promovidos pela PMBV.



Stéphano relatou como vem sendo a adaptação depois que os shows presenciais voltaram, “O público estava e ainda está bem ansioso por eventos, as pessoas sempre querem dançar, querem coisas mais animadas, mas tivemos que nos adaptar com isso, e sempre lembramos o público que não é permitido dançar, de acordo com o decreto”, explicou Tefinho.


Com a flexibilização do decreto, músicos estão voltando à antiga rotina.

“Antes da pandemia a média era de quatro a cinco shows por semana. Nessa fase de transição, foi bem complicado, a maioria das vezes a gente tocava uma ou duas vezes na semana, agora que as coisas estão melhorando, estamos voltando a nossa agenda normal”, pontuou.


O vocalista, ao ser questionado sobre estar trabalhando diretamente com o público neste período, conta sobre o receio em estar exposto ao vírus.

“Hoje, graças a Deus, muita gente tem se vacinado e isso ajuda bastante. Infelizmente, há várias pessoas que não se vacinaram ou não querem se vacinar, mas acredito que as coisas vão melhorar”, comentou.


João Vitor é roadie da banda Back Country e apesar de não depender totalmente da renda que recebe da banda, trabalha para complementar. Ele diz ter receio em estar em contato direto com o público durante a pandemia e por isso, o cuidado é dobrado.


O produtor conta que mesmo estando sempre no palco, tendo contato apenas com a banda e os organizadores, se mantém sempre de máscara, usando constantemente álcool em gel, evitando ter contato direto com o público.

Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com João, é difícil seguir à risca os protocolos, mas ele se esforça para fazer sua parte. Ele comentou sobre a relação do público com a música ao vivo.

Após o decreto, Anandra Alves já frequentou os estabelecimentos que contam com música ao vivo. Ela diz que demorou um pouco para sair novamente, mesmo depois do decreto de liberação, mas que optou sempre ir a estabelecimentos que tenham áreas externas abertas. Ela afirma sempre usar máscara para ir ao banheiro e evita lugares que tenham muita aglomeração.


Anandra conta que nos lugares com música ao vivo, normalmente tem avisos pedindo para que os clientes não dancem e não saiam de suas mesas, mas que as pessoas raramente respeitam esses pedidos. Ela ainda afirma achar correto os estabelecimentos exigirem o cartão de vacina.

“A vacina é uma esperança para que diminuam os casos. É muito importante que todos se vacinem e os bares exijam o cartão, é até uma forma de incentivo, já que muitos não querem se vacinar”, enfatizou.


Atualmente em Boa Vista, 67,13% das pessoas foram vacinadas com a primeira dose e 27,20% com a segunda, de acordo com a Prefeitura. A pandemia trouxe limitações em todas as áreas, mas a tendência é que com o número alto de adesão da vacina, tudo retome a normalidade na medida do possível.


*Por Ágata Macedo e Álvaro Joséh.