Entre caminhos e fronteiras, UFRR reúne pesquisadores para debater Migrações na Amazônia

De 28 de setembro a 2 de outubro, encontro aproxima pesquisadores do Brasil e do exterior, estudantes e programas de pós-graduação para discutir mobilidade humana, comunicação, educação e direitos.
Há fronteiras que aparecem nos mapas. Outras cabem na tela de um celular, atravessam uma sala de aula ou acompanham alguém muito depois da viagem. Essas diferentes formas de partir, permanecer e encontrar lugar no mundo estarão no centro do “(I)mobilidades e Fronteiras”, que acontece de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026, na Universidade Federal de Roraima (UFRR). Com mesas-redondas, palestras, apresentação de trabalhos, formação e lançamento de livros, o encontro reunirá pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras em diálogo com estudantes e demais interessados nas experiências da mobilidade humana.
Em Roraima, onde a fronteira participa do cotidiano, a proposta é aproximar a pesquisa dos territórios e das pessoas que lhe dão sentido. As atividades integram uma agenda mais ampla de trabalho de campo, cooperação científica e articulação institucional, vinculada à Rede Internacional Migração e Refúgio, apoiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no âmbito do Programa Conhecimento Brasil.
O encontro articula o Seminário da Rede Internacional Migração e Refúgio em Roraima, o VII Seminário Internacional do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Fronteiras (PPGSOF) e o Seminário em Comunicação Digital e Migração. Participam dessa construção o Programa de Pós-graduação em Sociedade e Fronteira (PPGSOF), o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) e o Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia (EDUCANORTE).
Para o Prof. Dr. João Jarochinski, integrante da organização, a presença dos pesquisadores em Roraima permite ampliar parcerias e fortalecer investigações desenvolvidas na universidade.
“A aposta central é que o encontro presencial entre pesquisadores que desenvolvem investigações em diferentes contextos possa produzir novas agendas de pesquisa, ampliar cooperações e consolidar uma rede científica capaz de articular diferentes escalas e perspectivas”, destaca.
Programação do evento
A programação acadêmica nasceu dessa aproximação. Uma agenda inicialmente voltada à reunião de pesquisadores e às atividades de campo ganhou novas dimensões com a participação dos programas de pós-graduação. Para estudantes de graduação e quem pensa em ingressar no mestrado ou no doutorado, o encontro oferece uma oportunidade de conhecer pesquisas em andamento, conversar com seus autores e descobrir como uma inquietação do cotidiano pode se transformar em investigação.
Conforme a Profa. Dra. Leila Baptaglin, coordenadora do EDUCAMORTE,
“Discutir mobilidades e fronteiras também é perguntar quem consegue chegar à universidade, permanecer nela e ter seus saberes reconhecidos. Para o PGEDA, esse encontro é uma oportunidade de aproximar formação, pesquisa e experiências amazônicas, convidando os estudantes a pensar uma educação que dialogue com a diversidade dos nossos territórios.”
As relações entre migração e vida digital terão espaço especial. Na quarta-feira, 30 de setembro, das 18h às 20h30, a mesa “Migrações, comunicação e tecnologias digitais” reunirá as professoras Sofia Zanforlin, da UFPE; Denise Cogo, da ESPM; Amanda Alencar, da Erasmus University Rotterdam; e Vângela Morais, do PPGCOM/UFRR. A mediação será do professor José Tarcísio de Oliveira Filho, representante do PPGCOM na organização.
“O evento vai contar com diversos espaços dedicados aos estudos sobre comunicação, mídia e migrações, com a presença de pesquisadoras que são referências na área, tanto no âmbito nacional, como internacional”, afirma José Tarcísio.
Segundo ele, a participação do PPGCOM aproxima graduandos, mestrandos e docentes de debates sobre a digitalização das fronteiras, o uso das tecnologias de informação e comunicação nos deslocamentos e as políticas de securitização contra migrantes. Também estarão presentes pesquisadores do projeto “Ativismo migrante em plataformas digitais em apoio a políticas de extrema direita e anti-imigração”, apoiado pelo CNPq. A participação amplia as discussões sobre comunicação digital e disputas políticas em torno das migrações.
A abertura oficial está prevista para segunda-feira, 28 de setembro, às 18h, no Auditório do PPGSOF. Na sequência, a mesa sobre produção e circulação científica acerca das migrações internacionais contará com as professoras Luciana Lima, da ABEP/UFRN; Rosana Baeninger, do NEPO/Unicamp; e Pedro Góis, da Universidade de Coimbra, sob moderação de Natália Demétrio, da UFRR.
Ao longo da semana, os debates abordarão interculturalidade, migração e cultura, povos indígenas em mobilidade e cidades em contextos migratórios. A programação inclui o 28º Programa de Capacitação em População, Cidades e Políticas Sociais, com participação do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó”, da Unicamp, parceiro da rede desde a apresentação da proposta ao CNPq.
As apresentações de trabalhos ocorrerão em 1º e 2 de outubro, das 14h às 18h, nas salas do Centro de Ciências Humanas (CCH). O encerramento, na sexta-feira, a partir das 18h, discutirá cidades em contextos de migrações, com Jorge Malheiros, da Universidade de Lisboa; Lucia Bógus, da PUC-SP; e João Jarochinski, do PPGSOF/UFRR. A moderação será da professora Leila Baptaglin, do EDUCAnorte/UFRR.
Entre a universidade e os territórios, o encontro pretende abrir caminhos para pesquisas que continuem depois da última mesa. Para quem está começando, fica o convite: trazer perguntas, escutar experiências e descobrir quantos mundos podem se encontrar dentro de uma mesma, mas diferente Amazônia.
Serviço
O quê: (I)mobilidades e Fronteiras.
Quando: 28 de setembro a 2 de outubro de 2026.
Onde: Universidade Federal de Roraima, em Boa Vista, com atividades no Auditório do PPGSOF, no Salão Nobre da Reitoria e nas salas do CCH.
Público: estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, docentes e demais interessados nas temáticas do encontro.
Programação: sujeita a alterações.





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