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Da terra para a mesa: I Feira da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Indígena celebra quem planta, resiste e alimenta Roraima

  • Foto do escritor: Amazoom
    Amazoom
  • há 22 horas
  • 4 min de leitura

Nos dias 30 e 31 de maio, o Malocão do Insikiran recebe produtores rurais, povos indígenas, movimentos sociais, culinária regional, artesanato, música, oficinas e rodas de conversa em um encontro que celebra comida de verdade, cultura popular e soberania alimentar.


Nos dias 30 e 31 de maio de 2026, das 9h às 22h, o Malocão do Insikiran, na Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista, vai virar uma espécie de roça bem cuidada no meio da cidade. É lá que acontece a I Feira Estadual da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Indígena de Roraima, reunindo produtores rurais, povos indígenas, agricultores familiares, movimentos sociais, artistas, estudantes, famílias e gente curiosa para descobrir de onde vem a comida que chega ao nosso prato.

 

O evento será realizado no Insikiran/UFRR, na Av. Capitão Ene Garcez, nº 2415, bairro Aeroporto, e terá comercialização de alimentos, artesanatos, pratos típicos, intervenções culturais, shows, oficinas e rodas de conversa.

 

Mais do que uma feira, o encontro quer abrir uma porteira simbólica entre o campo e a cidade. Durante dois dias, a UFRR será atravessada por cheiros de comida da terra, sementes, artesanatos, cantos, debates e histórias de quem planta, colhe, resiste e insiste em fazer da agricultura um modo de vida. A proposta é fortalecer a produção local, valorizar os povos do campo, os povos indígenas e os agricultores familiares, além de reafirmar a importância da reforma agrária, da soberania alimentar e da geração de renda no campo.

 

Geomar Vilela da Silva, Coordenador do Setor de Produção e membro da Coordenação Nacional do MST, define a feira como um espaço para “fortalecer quem produz comida de verdade, preservar nossos territórios”. Para ele, reafirmar que a luta pela terra é também lutar por “dignidade, soberania e justiça social”. Na sua fala Geomar lembra que, cada alimento carrega mais do que sabor: carrega trabalho, resistência e esperança. É como se cada banana, cada grama farinha, cada artesanato e cada prato típico chegasse ao Malocão com uma pequena biografia escondida – a biografia de quem acorda cedo, enfrenta sol, estrada, ausência de políticas públicas e ainda assim planta futuro.

 

A programação também será acompanhada pelo Festival Por Terra, que acontecerá simultaneamente à feira, com intervenções culturais, shows, oficinas e rodas de conversa. A previsão é reunir dezenas de feirantes, bandas musicais e ações artísticas ao longo dos dois dias, transformando o espaço universitário em uma grande aldeia de saberes, sabores e encontros. Haverá ainda ato de abertura com autoridades do governo, da UFRR e de movimentos sociais.

 

Para Job Martins, coordenador do Ponto de Cultura Ulisses Manaças e representante nacional do MST em Roraima, a feira é um convite aberto à população para conhecer de perto a diversidade, a cultura e a resistência do estado. Em sua convocação, ele destaca que o encontro vai reunir feirantes, bandas musicais e intervenções artísticas, fazendo aparecer “a cultura de Roraima” para a própria população. A frase soa simples, mas guarda uma ideia poderosa: às vezes, a cidade precisa olhar para sua terra para se reconhecer.

 

Rainielly Barbosa Soares, do Movimento de Mulheres Camponesas de Roraima (MMC), reforça que a feira será um momento de partilha, cultura, lazer, informação e troca de saberes. Segundo Rana, o público terá a oportunidade de conhecer sementes, produções camponesas, agricultura familiar, povos do campo, povos da floresta e povos indígenas de Roraima. A presença das mulheres camponesas ajuda a lembrar que a produção de alimentos também passa pelas mãos de quem cuida, organiza, planta, cozinha, vende, educa e sustenta comunidades inteiras – muitas vezes sem receber o reconhecimento devido.

 

A feira responde, assim, às perguntas básicas do jornalismo sem perder o cheiro de terra molhada: 

O quê? A I Feira Estadual da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Indígena de Roraima. Quem? Produtores rurais, indígenas, agricultores familiares, movimentos sociais, artistas, UFRR, governo e população em geral.  Quando? Nos dias 30 e 31 de maio de 2026, das 9h às 22h.  Onde? No Malocão do Insikiran, na UFRR, em Boa Vista.  Como? Com feira de produtos, artesanato, culinária regional, Festival Por Terra, oficinas, shows, rodas de conversa e ato de abertura.  Por quê? Para fortalecer a produção local, aproximar campo e cidade, defender a soberania alimentar, valorizar os territórios e celebrar quem transforma a luta pela terra em alimento, cultura e dignidade.

 

Para os estudantes a feira também é uma aula aberta. Não daquelas presas no quadro branco, mas uma aula viva, com barracas, vozes, sotaques, panelas, cartazes, sementes e tambores. Ali, a notícia não está apenas no palco ou na programação oficial. Está na mão calejada que entrega um alimento, na artesã que explica o desenho de uma peça, na agricultora que fala sobre renda, no jovem que dança, na liderança que denuncia, na universidade que se abre para ouvir os territórios.



No fim, a I Feira Estadual da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Indígena de Roraima quer dizer uma coisa simples e imensa: a comida não nasce no supermercado. Ela nasce da terra, do trabalho, da memória e da luta. E, nos dias 30 e 31 de maio, essa luta terá endereço, horário e convite aberto: Malocão do Insikiran, UFRR, das 9h às 22h.

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