• Laura Silvestre

CCOS e ACNUR realizam curso de Jornalismo Humanitário em Roraima

Atualizado: 13 de nov.

O encontro discutiu sobre desinformação e como ela pode causar impactos na construção de imagem de um indivíduo.


Por Daniela Batista e Laura Silvestre.

Foto: Thiago Santos

Aconteceu nos dias 8 e 9 de novembro a segunda edição do Curso de Jornalismo Humanitário, parceria entre o CCOS e a ACNUR. O encontro ocorreu no Centro Amazônico de Fronteiras da UFRR, com transmissão ao vivo para as universidades da região Nordeste que fazem parte da Cátedra Sérgio Vieira de Mello. Foram abordados temas como: educação midiática, refúgio, migração, direitos humanos e desinformação.


O evento foi promovido pelo Curso de Comunicação Social (CCOS), por meio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O organismo implementou a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, juntamente com os centros universitários do Brasil, com o intuito de garantir o acesso a direitos e serviços oferecido às pessoas refugiadas e a solicitantes de refúgio e oferecer apoio no processo de integração local.


Vanessa Beltrami, Assessora de Comunicação da ACNUR, comentou que inicialmente os cursos eram oferecidos apenas para alunos do curso de direito. No entanto, ela conta que observou-se a necessidade de alcançar o público de estudantes de jornalismo. A intenção é que futuramente os os profissionais possam desenvolver na mídia os assuntos sobre refúgio e migração, com respeito e sensibilidade - algo que sempre se espera de um bom profissional.


"Fizemos esse curso com o intuito de sensibilizar e aproximar os alunos do assunto, e estamos felizes com os resultados obtidos, pois só no primeiro dia alcançamos cerca de 100 pessoas"- Vanessa Beltrami.

O professor do Curso de Comunicação Social - Jornalismo, Timóteo Camargo diz que o objetivo do curso foi produzir reflexões que possam fazer com que os estudantes criem novas perspectivas sobre pautas que lidam com o fluxo migratório. O professor enfatizou ainda que pretende estreitar o relacionamento com a Cátedra e com as demais organizações que participaram do evento, para que as parcerias possam gerar uma série de novas atividades.


“Quando entramos no campo profissional um novo ritmo de produção acaba sendo imposto ao profissional de comunicação, o que gera dificuldades para que se possa repensar sobre algumas questões como o direito humanitário. Quando esse momento de reflexão é feito durante a formação do jornalista, os resultados vão permear durante toda a vida desse profissional, o que acaba gerando resultados positivos para a sociedade”, relatou Camargo.


A aluna Allyne Bentes considera que o Curso de Jornalismo Humanitário é fundamental para a formação dos profissionais de comunicação, já que os temas abordados ajudam na construção de uma opinião positiva sobre migrantes e refugiados. “O jornalismo é um dos mais eficazes moldadores de opiniões e um profissional com uma capacitação adequada contribui para a estruturação de melhores condições de vidas para os refugiados. Principalmente ao noticiar fatos que desconstroem a xenofobia que está tão fortemente enraizada no nosso país”.


A educadora do programa Educamídia, Mariana Ochs foi uma das convidadas a mediar o evento e diz se sentir feliz pela oportunidade de interagir com os estudantes do Curso de Jornalismo da UFRR. Ela reiterou a importância da informação em um espaço tão atravessado por meio de comunicação digital:


“O jornalista tem um papel fundamental de educar a sociedade sobre o que é um consumo consciente de informação de qualidade. Precisamos formar leitores que recebam as informações de forma crítica e consciente” - Mariana Ochs.

O evento contou também com a participação da jornalista Yesica Morais, que em uma roda de conversa com os participantes contou sobre a sua vivência como migrante e comunicadora, dando voz àqueles que buscam oportunidades de reconstruir suas vidas em outros países. Yesica apresentou também o seu trabalho na fronteira, onde vive, e explicou como usa seu alcance nas redes sociais para dar visibilidade às questões da Venezuela.


"É muito importante abrir espaço para os migrantes em palestras públicas ou em qualquer outro local. O impacto que esse tipo de encontro teve para jornalistas e estudantes do curso, serviu para conscientizar sobre a forma em que eles podem entregar a matéria. Eu acredito que quem pode mudar o futuro são os jovens e os estudantes em formação”- Yesica Morais.

Galeria com as imagens do Curso de Jornalismo Humanitário: Fonte: Amazoom.

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