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Boi Bumbá Caprichoso lança tema em defesa da Amazônia

O Boi Bumbá Caprichoso realizou no dia 30 de outubro uma grande festa no Curral Zeca Xibelão, em Parintins para lançamento do seu tema para o ano de 2022. O evento também marca a retomada dos eventos bovinos na ilha de Tupinambarana, onde as bandeiras azuis tremulam no céu e a alegria toma conta.

A festa que comemorou os 108 anos do Boi Caprichoso foi marcada por emoção, alegria, anúncios, apresentação do tema e um espetáculo de boi-bumbá que se igualou a uma noite de festival folclórico fora de época. Como forma de valorizar ainda mais os cantores azulados, estiveram na programação Cássio Gonçalves, Paula Gomes, Diego Brelaz, Geanilson Figueira, Paulinho Viana, Adriano Aguiar, Caetano Medeiros, Arlindo Neto e Jr Paulain.

O presidente Jender Lobato anunciou seu time de artistas e a integração ao quadro azulado dos consagrados Marialvo Brandão e Roberto Reis, que foram aplaudidos pela nação azul e branca. “Temos o melhor quadro de artistas do festival e ainda vem somar Marialvo Brandão e Roberto Reis. Imaginem a força do Caprichoso para o festival 2022. Aguardem um boi-bumbá Caprichoso dentro do padrão que o torcedor já conhece”, anunciou o presidente Jender Lobato.

A partir do Festival de 2022 o Caprichoso passa a contar com um time de itens substitutos que também foi apresentado durante a festa. O elenco tem Marcos Felipe como apresentador, Caetano Medeiros e Gean Figueira como levantadores de toadas, Edson Azevedo Jr como tripa, Adriano Aguiar será amo do boi, Giovana Cursino Sinhazinha da Fazenda, Denyse Moreira Rainha do Folclore, Thaisa Brasil Cunhã-poranga e Samuel Gomes será o pajé.

O Boi Caprichoso criou uma nova data para brincar de boi-bumbá com a festa de aniversário do Caprichoso. Jender Lobato decretou que a festa de aniversário do Caprichoso será comemorada a partir de agora no último final de semana do mês de outubro. “A nação azul e branca nunca abandona o nosso boi. A minha alegria é sobrenatural, minha gratidão a nação azul e branca e o boi Caprichoso lança uma nova data no calendário bovino, todo o ano no último fim de semana de outubro vamos fazer o aniversário do boi Caprichoso. Ano que vem a gente volta com essa multidão, porque quem comanda é a multidão”, confirmou.

Cultura que renasce

O Boi Caprichoso, por meio do Conselho de Arte, preparou para o torcedor azulado o espetáculo “Cultura que Renasce” como sequência da apresentação feita em junho deste ano na arena do bumbódromo quando apresentou a live “Cultura que resiste”. A ideia era fazer um show pra homenagear a galera com toadas alegres, com uma energia que pudesse marcar esse recomeço. Foi a primeira festa no curral Zeca Xibelão da gestão do presidente Jender Lobato e do vice-presidente Karu Carvalho.

Também foi a primeira vez de Patrick Araújo como levantador de toadas oficial no curral Zeca Xibelão. “Estou muito feliz. Tenho me dedicado muito, vou buscar melhorar mais para que esteja sempre preparado para a disputa no bumbódromo”, comentou o cantor ao agradecer o carinho da nação azulada.

A cunhã poranga do Caprichoso, Marciele Albuquerque, foi a primeira a evoluir. Ovacionada pelo público, ela deu o sinal para o anúncio do tema que surpreendeu a nação azul e branca. Para o título de 2022, o Boi Caprichoso defenderá a temática: “Amazônia, nossa luta em poesia”.

O espetáculo musical e coreográfico seguiu com a multidão evoluindo junto com os Tuxauas do Boi Caprichoso. A rainha do folclore, Cleise Simas, a sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, a porta estandarte, Marcela Marialva, e o Pajé Erick Beltrão fizeram apresentações dignas de notas máximas na arena do bumbódromo.

A festa de aniversário do Boi Caprichoso reafirma a união proposta por Jender Lobato e Karu Carvalho que reúne ex-presidentes que já contribuíram e poderão fortalecer ainda mais para um boi forte, unido e vitorioso.


Arte: Divulgação Boi Bumbá Caprichoso


Amazônia, nossa luta em poesia

Eldorado, paraíso perdido, inferno verde, terra da promissão, pulmão do mundo, pátria das águas e espelho da vida. São muitas as referências e estereótipos sobre a mais importante floresta tropical do planeta. Resultados de expedições, excursões e de curiosos olhares sobre esta prodigiosa floresta. Tantos avanços e mistérios desvelados pela ciência e por inquietos navegadores na busca de curas para as doenças, de antigas fórmulas farmacêuticas, de novas descobertas científicas. Também na gana de explorar, saquear e se apropriar das nossas riquezas.

E assim, a Amazônia foi inventada, reduzida a dualismos, geografismos e biologismos, nos quais o critério para marcação de seu território deixou de lado a cultura dos povos e comunidades tradicionais da região, as relações entre as pessoas e a natureza, os pertencimentos dados pela terra, as autodefinições e a sua história social.

Entre a ciência e a exploração desmedida da Amazônia, existe um olhar mais profundo, verdadeiro e transcendental. Um olhar da própria floresta, de seus mitos e ritos, de seus povos originários: indígenas, ribeirinhos e caboclos, gente das águas e da floresta. Um olhar que fala, que observa, que se vê na terra; terra que é planta, bicho e gente, essa gente-floresta que nasceu nas cabeceiras e “centrões”, sobre as águas ou até mesmo debaixo delas. Essa gente-cunhantã que corria nas capoeiras e subia nas árvores para se jogar nos beiradões. Essa gente ribeirinha moldada de chão, esmaltada pelo sol. Gente-memória, que carrega em suas mentes tantas histórias... do seu povo, de seres e deuses. Mas principalmente gente-luta, armada de poesia, que de forma terna nos embevece entre trilhas e emoções.

O poder da encantaria faz morada na mãe do corpo que se traduz na dança de terreiro, rua e curral, no bailar festivo do dois pra lá e dois pra cá, no sorriso da criança e no brinquedo de São João. Esse entrelaçar de corpos e vida forja a identidade Caprichoso, que em 108 anos de histórias sagrou-se detentor de uma arte de luta, resistência e revolução pelo saber popular, unindo cantos, danças e visualidades, poesias que se refletem nas gigantes alegorias, no traçado da indumentária, na paleta de cores a alegrar tecidos e formas - um milagre amazônico na ilha de Parintins, a ecoar pelo mundo a importância do seu cuidado e a defesa de suas tradições.

Caprichoso... boi negro, preto, feito de pano e espuma, de esperanças e lutas, que mais uma vez, reforça sua identidade altaneira, nesse território que é nosso corpo e nosso espírito, nossa sede e vida... Amazônia, nossa luta em poesia.



Sinopse tema: Conselho de Arte.

Com Informações: Portal Fest Norte