Setembro Amarelo: Como a Mídia pode abordar um tema que ainda é um tabu

Por João Vianna Neto Setembro Amarelo (Foto: Divulgação) Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está em oitavo dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coréia do Sul e Paquistão. São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil. Trata-se de uma triste realidade, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias. Entretanto, também é influenciado por uma combinação de fatores, como transtornos psicológicos e questões socioculturais, raciais, familiares, filosófico-existenciais e ambientais. A escala é preocupante, estima-se que até 2020, a adição de mortes por essa condição passe dos 50% ao ano. O suicídio é um problema de saúde pública e a adoção de medidas preventivas torna-se ainda mais necessária, os últimos dados mostram que aproximadamente 75% dos casos de suicídio ocorrem em países de renda baixa ou média que quase nunca dispõe de sistemas de saúde acessíveis a toda população, ou seja, tratar deste assunto é de extrema importância social. Diante disso, desde 2014, o Conselho Federal de Medicina – CFM, em parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano. Com parcerias firmadas e apoio midiático, a campanha ganhou mais força em 2016, espaços inéditos na imprensa, pontos turísticos iluminados com a cor da campanha, locais públicos e privados pelo brasil inteiro, palestras e eventos, ações e caminhadas, tudo para reduzir os números e trazer a visibilidade para o debate desse tema tão necessário. Na página da campanha https://www.setembroamarelo.com, é possível encontrar materiais gratuitos que podem auxiliar os interessados, são diversos materiais de uso público: Diretrizes para a Divulgação e Participação da Campanha Setembro Amarelo, materiais online para download. Crédito:Divulgação Ministério da Saúde COMO A MÍDIA PODE AJUDAR Suicídio é a eminência trágica de um drama pessoal, que transcorre num palco de relações interpessoais, em um ambiente onde influi muito a cultura, a economia, as tradições de uma sociedade. Muito mais que um drama íntimo, o pensamento suicida sofre muito com a influência da mídia também, até pouco tempo o assunto era tratado como tabu, agora temos uma ampla divulgação e maiores discussões na sociedade. Contudo, a divulgação midiática deve ganhar mais atenção, a exploração do suicídio na imprensa pode acarretar um sentimento de encorajamento para o ato, em certos momentos a discrição da imprensa pode ser melhor que o seu barulho. O Centro de Valorização da Vida – CVV, ressalta que 90% dos suicídios podem ser prevenidos, e a imprensa deve se comportar de uma forma diferente em relação ao tema, trazer a tona o problema, sem sensacionalismo, mas com o objetivo de informar, mostrar a quem está vivenciando a situação que deve sim procurar ajuda. Presa a códigos de conduta antigos a mídia ainda vacila ao noticiar casos de suicídio. Diante disto, a Organização Mundial de Saúde ensina, numa cartilha, como noticiar sem estimular novos casos. Crédito:Divulgação Ministério da Saúde Não dar destaque à notícia, evitar muitas atualizações, não divulgar o local e o método com detalhes, não publicar fotos ou cartas na íntegra são algumas das coisas que você pode ficar atento ao escrever uma matéria. A comunicação correta pode ajudar a salvar vidas e evitar o sofrimento de muitas famílias, diz a cartilha. Enfim, a notícia sobre um crime, assalto, acidente e outros, são notícias que servem de alerta, como exemplo a notícia sobre uma esquina onde ocorrem muitos acidentes, você está alertando as autoridades e a população, isso não acontece com o suicídio, o ato suicida é um crime da pessoa contra ela mesma, um alarme sensacionalista em cima de um caso assim, pode ser o estopim para a pessoa que está passando por essa depressão. Toda ajuda é válida para reduzir esses números, o tabu foi quebrado, e com um trabalho ético e informativo vidas podem ser salvas.

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