Política e Aprendizado: O protagonismo do movimento estudantil nos espaços físicos da UFRR

Acadêmicos da UFRR manifestam seu posicionamento político nos blocos da universidade. Por: Francisco Eduardo As universidades brasileiras no exercício de suas funções possuem um papel de extrema importância para com a sociedade. Nesses espaços, o resultado do conjunto de atividades se convertem em desenvolvimento da consciência social e do senso crítico dos estudantes, além das transformações em seus núcleos familiares e na forma que o conhecimento é aplicado para contribuir no corpo social. Em um ambiente de construção coletiva de saberes e compartilhamento de vivências, o espaço físico das universidades é adaptado à identidade acadêmica, expressando assim, um posicionamento político. Nesse espaço de desconstrução, a acadêmica Adriã Galvão do 5º semestre do curso de jornalismo se vê completamente diferente como pessoa desde quando entrou na Universidade Federal de Roraima. “Esse espaço me fez ter reflexões e entender problemas da sociedade que antes eu não entendia bem ou simplesmente não faziam parte do meu cotidiano”, afirma Adriã. A maioria dos cursos da UFRR possui disciplinas introdutórias de Sociologia, Filosofia e Antropologia em sua grade curricular e envolvem discussões políticas que abrangem diversos âmbitos da sociedade. “Consigo entender melhor qual é o meu lugar como mulher, comunicadora e cidadã brasileira. Todos temos muito a aprender e compartilhar com o mundo”, afirma. Para muitos alunos, em especial os calouros, ter um ambiente politizado na universidade também funciona como um estímulo para engajamento político e mais entendimento dos conflitos do mundo. “Estou iniciando o mundo acadêmico e acho muito importante chegar num ambiente em que há pessoas articuladas com seus posicionamentos políticos. É um bom direcionamento para quem está começando, ainda mais no lugar em que nós pensamos, criticamos e conhecemos as problemáticas sociais”, diz Julieth Giovanna, acadêmica de Artes Visuais. Ambiente interto do Centro Acadêmico de Artes Visuais. Fotos: Francisco Eduardo A manifestação política dos estudantes atua principalmente nos centros acadêmicos, diretórios centrais e executivas, que assumem a responsabilidade de representar o curso de uma determinada instituição e a comunidade acadêmica em geral. O objetivo principal dessas entidades é dar voz e suporte aos alunos. Nos blocos espalhados pelo Campus Paricarana da Universidade Federal de Roraima (UFRR), a politização feita pelos centros acadêmicos ocorre em assembleias, feiras, rodas de conversas e, principalmente, com a criatividade nos murais e corredores com arte, símbolos e exposição de dados sociopolíticos. Muitos debates são realizados em locais como a praça do Bloco I, a entrada do Centro de Ciências Humanas e o Instituto Insikiran. O presidente do Diretório Central dos Estudantes, Elso Júnior, enxerga a arte como característica vital e intrínseca do movimento estudantil da UFRR. “A arte está relacionada com a política há muito tempo e permite que os estudantes falem coisas e simplifiquem ideias que são muito complexas. O posicionamento político advindo da arte sempre vai ser capaz de gerar reflexões”, afirma Elso. O movimento estudantil da UFRR tem como principais mobilizadores os centros acadêmicos dos cursos da instituição, que realizam atividades pensadas em aproximar os alunos do universo pensante, crítico e comunicativo. Há diversas entidades e projetos independentes que são desenvolvidos por esses centros afim de estimular a comunicação, projetos culturais e ações para causas sociais. Os centros integram atividades fechadas e interdisciplinares, que geram produções positivas pro cenário acadêmico a longo prazo. Arte e Politização Muitas vezes a arte envolvida na forma de expressar o posicionamento político da comunidade acadêmica é produzida pelos próprios estudantes. O Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo (CAAU), por exemplo, idealiza uma série de eventos que tem como finalidade ocupar a universidade e dar vida a espaços que na maior parte do tempo não são harmonizados. “Ocupar espaços da UFRR por meio de quaisquer manifestações, com o devido zelo com o patrimônio público, é representar a presença dos acadêmicos ativamente, naquele local. Adotar um viés abertamente político confere ao espaço e ao ocupar mais significado, por visibilizar posicionamentos e lutas no âmbito do movimento estudantil, que é o que dar vida e o que deveria protagonizar as atividades que ocorrem no campus”, afirma a vice-presidente do CAAU, Ananda Henklain. Entre esses eventos organizados na UFRR, o CAAU promove por meio desses espaços momentos de maior proximidade e troca com a comunidade acadêmica em geral. A sala do centro é aberta para os estudantes se expressarem e é uma local livre para convívio com livros, materiais de desenho e inspiração criativa. “Manifestar-se e marcar presença na universidade deveria ser expressão do direito que é nosso de ter esse espaço e fazer uso dele, marcá-lo com nossa identidade e - mais importante de tudo - dar a ele identidade”. - Ananda Henklain. A área do Centro Acadêmico de Medicina (CAMED) foi ornamentada pelos estudantes que já pensavam em uma forma de figurar o espírito de liderança do movimento estudantil como o símbolo do punho fechado e mural livre para escrever pensamentos, poemas e citações de representantes de movimentos sociais. João Victor acredita que todo centro acadêmico deve expressar seu posicionamento político. “Acho que a nossa própria sala é uma expressão política. Acredito que a maioria das pessoas tem seu processo de formação política dentro da universidade e acho muito importante termos um espaço pra gente debater coisas e falar o que pensamos”, afirma João, diretor da secretaria de saúde comunitária do CAMED. “Há uma repressão para que alguns eventos e ações não ocorram na universidade. De forma organizada dentro do centro acadêmico ou de forma geral, os estudantes devem ocupar espaços físicos e demonstrar que nosso movimento está vivo”, diz Elton Carvalho, coordenador geral do Centro Acadêmico de Ciências Sociais. Tendo em vista que atualmente os estudantes de todo o país vivenciam um governo que repudia a classe estudantil, as universidades devem incorporar autonomia e independência para a construção de um saber articulado que impulsione o desenvolvimento da sociedade e que possa desmontar os problemas da ordem social dominante. Dentro da conjuntura da universidade, há diversas formas de organização entre os estudantes para estabelecer e efetivar uma voz ativa do movimento estudantil. A reação coletiva da comunidade acadêmica pode ultrapassar os muros da universidade e manifestar, politicamente, oposição à censura, cortes de verbas na educação e discursos de ódio. Confira abaixo os registros das diversas formas de posicionamento político dos estudantes nos blocos da Universidade Federal de Roraima. Fotos: Francisco Eduardo

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