OIM beneficia mais de 15 mil brasileiros com ações de combate e prevenção à COVID-19

Ações realizadas na Amazônia brasileira incluíram doações de equipamentos, treinamentos de profissionais de saúde, atendimentos médicos, entrega de kits de higiene e instalação de lavatórios Fonte: OIM A Organização Internacional para as Migrações (OIM) beneficiou nos últimos meses mais de 15 mil brasileiros indígenas e ribeirinhos em comunidades vulneráveis, nos estados de Roraima e do Amazonas, com ações focadas no apoio ao enfrentamento e prevenção ao novo coronavírus. Em apoio às autoridades locais, o intuito é reforçar a rede de saúde os cuidados com a população durante a pandemia de COVID-19. Em Roraima, a OIM atuou nos municípios de Bonfim, Caracaraí, Rorainópolis e na Terra Indígena Yanomami. No Amazonas, foram atendidas comunidades urbanas e ribeirinhas da cidade de Manaus, como Parque das Tribos, Y’apyrehit, Cipiá e Bela Vista do Jaraqui. Dentre os beneficiários das ações, além dos Yanomamis, encontram-se mais de 36 etnias indígenas brasileiras, como Sateré-Mawé, Tukano, Kokama, Tikuna, Nheengatú, Macuxi e Wapichana. Conforme a coordenadora da resposta humanitária da OIM, Lia Poggio, o intuito das atividades é fortalecer o sistema de saúde local, e contribuir para diminuir o impacto da COVID-19 e aumentar a resiliência das comunidades locais vulneráveis. “Desde o início da pandemia, a OIM tem trabalhado incansavelmente para ampliar suas ações de promoção e prevenção da saúde e apoiar governos locais na resposta à COVID-19”, destaca Poggio. “As ações de saneamento, higiene e de reforço da atenção primária para a população vulnerável na Região Amazônica foram realizadas em colaboração com as autoridades locais no intuito de fortalecer o sistema de saúde e de contribuir para diminuir o impacto da pandemia e aumentar a resiliência das comunidades locais vulneráveis”, complementa. AÇÕES DE SAÚDE O suporte à rede de saúde e ações focadas na atenção primária das comunidades resultaram em mais de 2.500 atendimentos de saúde, com realização de testes de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e de detecção para COVID-19 com testes fornecidos pelas secretarias de saúde. Mais de 20 mil itens e insumos, como luvas, máscaras descartáveis e toucas, também foram doados para Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Casa de Saúde Indígena (CASAI). Além dos atendimentos, 375 profissionais de saúde dos dois estados receberam palestras sobre saúde mental e foram capacitados com oficinas, recebendo informações sobre o uso correto de máscaras e medidas de prevenção ao coronavírus. Os treinamentos alcançaram sobretudo agentes comunitários de saúde, que atuam como replicadores das informações para a população de modo mais amplo. A equipe de saúde da OIM também esteve na Terra Indígena Yanomami, na fronteira entre Roraima e Amazonas, a convite do líder indígena Davi Kopenawa. No local, 37 agentes comunitários indígenas e de saneamento receberam capacitações sobre prevenção à COVID-19 e malária, com informações sobre sintomas e tratamento para as doenças, e aulas de português e matemática básica para auxílio no mercado de trabalho. As atividades, realizadas seguindo protocolos de segurança, contaram com apoio da Hutukara Associação Yanomami, Distrito Sanitário Indígena Yanomami (DSEI-Y) e Instituto Socioambiental (ISA). “O curso vai fortalecer os agentes Indígenas de saúde. A ação é importante para a formação e o apoio à saúde para os povos da floresta”, disse Kopenawa. Para apoiar diretamente os profissionais de saúde que atuam na linha de frente com ações em saúde mental, a OIM, em parceria com o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP), promoveu atendimentos psicológicos remotos. A iniciativa alcançou 85 profissionais do Amazonas e Roraima, e forneceu apoio àqueles que sofreram com estresse e situações desafiadoras. A assistente social Monik Sampaio, que faz parte da equipe de coordenação da Casa de Saúde Indígena (CASAI) em Manaus, afirma que o “apoio psicológico é muito necessário para nós profissionais. Me consultei com a equipe psicossocial e pude diminuir um pouco da carga emocional desses últimos dias”, informou. ATENÇÃO DIRETA As doações de quase 100 mil kits de higiene em Roraima e no Amazonas alcançaram cerca de 15.000 brasileiros individualmente, além dos kits coletivos entregues para mais de 4.000 famílias. Para a desinfecção de UBSs, a OIM entregou ainda 75 kits de limpeza em Roraima e 40 em Manaus. No estado roraimense, a OIM distribuiu 60.940 kits em sacolas reutilizáveis em 31 localidades. Para a entrega nas comunidades ribeirinhas, a equipe fez duas viagens no Baixo Rio Branco, atendendo 16 pontos da região e beneficiando quase 2.500 pessoas e 715 famílias. Nessas viagens, foram entregues 15.193 kits no total. No Amazonas, a CASAI e outras 24 comunidades ribeirinhas, indígenas e não indígenas receberam 36.922 kits de higiene e desinfecção. Desse número, 31.922 foram individuais de higiene e 5.000 familiares de desinfecção. A ação beneficiou 1.834 famílias e 5.483 brasileiros. “Agradecemos a ajuda que abrange a área ribeirinha de Manaus com a entrega dos kits para os moradores da nossa comunidade em meio à atual situação da pandemia de COVID-19. Cremos que logo essa pandemia acabará e retomaremos as nossas vidas cotidianas”, relatou a presidente da Associação da Comunidade Colônia Central de Manaus, Nilza Assunção. Em complemento aos produtos de higiene distribuídos, foram instaladas estações de lavagem de mãos para reforçar os cuidados preventivos em 15 locais no estado de Roraima, incluindo comunidades indígenas, e 5 no Amazonas, sendo uma na CASAI. A enfermeira Suzana Ramos, da UBS Gentil Carneiro, de Rorainópolis, enfatiza que "a instalação das estações de lavagem de mãos na entrada faz com que os frequentadores das unidades as utilizem antes de entrar e ao sair, ajudando a quebrar a cadeia de transmissão do coronavírus. Foi uma ideia brilhante!". No Amazonas, as estações de lavagem foram construídas nas comunidades indígenas com estrutura eco sustentável, construídas com tambores reciclados, madeira reutilizadas e abraçadeiras e impermeabilização com garrafas PETs. As estruturas possuem seis torneiras e podem ser utilizadas de ambos os lados. Quanto aos resíduos produzidos após o uso da estação, eles escoam para um posto de drenagem de raízes de bananeiras, reforçando a adubação. Nas estações são colocadas placas informativas sobre quando e como se lavar as mãos. Para a manutenção e funcionamento dos equipamentos. A OIM doou 100 litros de sabão, 100 litros de álcool em gel, assim como desinfetantes a base de cloro para limpeza das unidades de saúde. COMUNICAÇÃO PARA ENGAJAMENTO COMUNITÁRIO As ações preventivas à COVID-19 também contaram com pinturas murais nas comunidades para reforçar o sentimento de coletividade e solidariedade sobre a importância dos cuidados de higiene para o combate ao coronavírus. Em Manaus, foram feitos dois murais, no Parque das Tribos e no Cipiá, ambas comunidades indígenas. Em Roraima, os murais foram pintados em Rorainópolis, Caracaraí e Bonfim. “Pintamos orientações sobre o coronavírus, que há registro em todas as comunidades indígenas do Brasil. O mural teve a uma participação dos jovens para a conscientização da comunidade sobre a COVID-19 em como podemos nos prevenir contra a doença. Com a pintura, as pessoas que não querem usar máscara, por exemplo, verão o mural e poderão se conscientizar”, disse a professora da comunidade do Pium em Bonfim, Leonir Paulino. Cerca de 3.000 crianças indígenas e ribeirinhas de Roraima e do Amazonas também participaram de ações educativas sobre a importância dos cuidados de higiene. Elas receberam um kit com cartilha lúdica sobre a lavagem das mãos para evitar a contaminação com o coronavírus e outras doença com informações em oito línguas indígenas. A produção do material foi realizada em conjunto com o Instituto Isikiran, da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e com lideranças indígenas. “É sempre importante quando as organizações abrem essa porta para a gente. É a nossa fala, a nossa língua, tem alguns grafismos na cartilha que são símbolos da nossa cultura” destaca a professora indígena Claudia Baré, educadora na comunidade Parque das Tribos, no Amazonas. Em complemento as atividades educativas, áudios sobre os cuidados básicos de higiene e medidas de prevenção foram compartilhados por aplicativos de mensagens entre o público beneficiário para fortalecer o acesso à informação segura. Três áudios e cards ilustrados foram produzidos com informações sobre lavagem de mãos, saúde mental durante a pandemia, alimentação balanceada e práticas de higiene, além de reforçar o uso de máscaras protetoras em ambientes públicos e o distanciamento físico.

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