Crise na Venezuela: Histórias de imigrantes em Boa Vista

Por Juliany Raposo e Sandeivyde Alves A crise migratória que o país vizinho vive fez com que aproximadamente 5 milhões de pessoas saíssem da Venezuela. Deixando casa, bens, lembranças e muitas vezes até parte da família. Os imigrantes foram para diversos países enfrentando várias dificuldades para se manter no novo ambiente. No Brasil a grande maioria dos imigrantes entraram no país por Roraima. Aqui eles têm muitas dificuldades, a primeira delas é a barreira da língua, preconceito, falta de abrigos e de trabalhos também são grandes problemas que eles encontram. Hector Julio Estaba Larfaga de 26 anos, é um dos muitos imigrantes que vieram para o Brasil por causa da crise. Ele fala das dificuldades: “Por uns todos pagam, o preconceito com venezuelanos é demais”. Ele é casado com Styphany Barradas da Silva Souza de 24 anos que é Brasileira e também vivia na Venezuela e teve que sair do país. Os dois viviam ao sul de Bolívar e vieram para o Brasil no ano passado. Styphany que abrigou Hector em Boa vista, logo depois de um tempo os dois começaram um relacionamento amoroso. Ele passou muito tempo sem emprego em Roraima, se mantendo apenas com a ajuda de conhecidos que pagavam por pequenos serviços prestados pelo imigrante. Mas nas últimas semanas Hector conseguiu um emprego formal em uma empresa de instalação de internet. A crise e conflitos da Venezuela fizeram Rafael Reyes de 33 anos, sair de Maturín em busca de melhorias: “Onde eu vivia, como em toda Venezuela, não tinha como trabalhar os empregos eram muito escassos. Eu e minha esposa já estávamos muito tempo sem trabalhar”; disse o imigrante. Rafael passou por várias dificuldades em Roraima, ficou em locais improvisados por falta de vagas em abrigos e passou alguns meses desempregado. A situação dele mudou após conseguir emprego em uma marcenaria de móveis pré-moldados. Com o novo emprego Rafael conseguiu alugar um quartinho e juntar dinheiro para trazer a esposa Eva Marina Reyes de 26 anos, e o filho Luciano David de 5 anos. Outro problema enfrentado por muitos imigrantes é a educação. Muitas crianças venezuelanas em idade escolar têm que sair da escola. No Brasil essa também é uma das maiores dificuldades dos pais, manter a educação dos filhos. Betzabel Fajardo de 33 anos, vivia em Caracas com o ex-marido e as filhas. Após vim para Roraima, além dos obstáculos como a falta de emprego, dificuldades de alimentação e local para morar; conseguir escola para as filhas também era uma das preocupações da imigrante. Depois de um tempo atrás de vagas ela conseguiu que as filhas voltassem a estudar: “O melhor foi conseguir escola para minhas filhas. As duas mais maiores estudam em colégio estadual e a mais nova em escola da prefeitura”, disse Betzabel. Betzabel tem esperanças de um futuro melhor com a educação das filhas. Rafael espera ter êxito e uma vida melhor em Boa Vista. E Hector demonstra alegria com o novo emprego. Assim como eles muitos outros imigrantes sonham e planejam algo melhor para suas vidas migrando. Aqui muitos deles empreendem, buscam soluções, inovam, criam e iniciam alternativas. Apesar das dificuldades enfrentadas pela situação de seu país e pela imigração. Eles não saíram por que queriam simplesmente mudar de país, mas por causa de conflitos, falta de emprego, de abastecimento de alimentos, a alta inflação e muitas outras razões e motivos. Mesmo assim eles têm um sentimento aqui no Brasil, o sentimento de esperança e que tudo vai ficar bem.

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