Comunidades indígenas recebem ajuda do CIR para o enfrentamento à Covid-19

Por Nailson Almeida e Tiago Gregório Barreira sanitária na comunidade São Mateus, região Serras, no município de Uiramutã
Foto: Jacyr Filho/Comunicador Rede Wakywai O Conselho Indígena de Roraima (CIR) continua empenhado garantindo ajuda para as comunidades indígenas do estado. O apoio vem sendo dado desde o mês de março de 2020, momento em que a doença começou a se alastrar por todo o Brasil. Com a chegada do vírus a Roraima, o CIR preocupado com a situação dos povos indígenas, elaborou uma Campanha Emergencial para tentar evitar que pessoas fossem das comunidades para a cidade e corressem o risco de serem infectadas. Desde o início da Campanha Emergencial até o momento, cerca de sete mil famílias foram beneficiadas com a ajuda do CIR. Só de dezembro de 2020 a janeiro de 2021, quase três mil famílias foram beneficiadas. O primeiro apoio foi dado para as barreiras sanitárias nas entradas das comunidades, que foram criadas para impedir que pessoas não moradoras entrassem nas aldeias. O CIR também entregou informativos sobre o novo coronavírus nas barreiras, além de ajudar com alimentação, logística e a conscientização. Todas as regiões que o CIR atende receberam doações de cestas básicas e kits de higiene
Foto: Assessoria de Comunicação CIR Foram feitas doações de cestas básicas, kits de higiene, toucas, aventais, máscaras, álcool gel 70%, entre outras. As ajudas foram destinadas a comunidades de todas as regiões que o CIR atende, como: Serra da Lua, Serras, Surumú, Amajarí, Tabaio, Alto Cauamé, Murupú, Baixo Cotingo, Raposa, Wai-Wai e São Marcos. De acordo o coordenador geral do CIR, Enock Taurepang, a organização tem feito todos os esforços possíveis para atender todas as demandas. “O CIR tem esse dever desde sua criação que é de zelar e cuidar das comunidades indígenas e foi o que gente fez e continua fazendo nos dias atuais frente a essa questão da Covid-19”, comentou. Vendo a situação se agravar o CIR também passou a atuar com o apoio psicológico para as famílias que perderam seus entes queridos. Outra parte que tem atuado bastante é a jurídica, a fim de evitar que indígenas que morreram por Covid-19 enterrados na cidade de Boa Vista. Ainda conforme Enock Taurepang, ser enterrado na cidade vai contra as tradições. “A gente acha errada essa questão do parente que morre por Covid-19 ser enterrado em Boa Vista, isso vai contra os nossos princípios. Todos nós que lutamos principalmente os líderes que lutaram pela nossa terra, pelo nosso território, é uma desonra para nós sermos enterrados em um território que não é nosso. Não consideramos a cidade como nosso território, mas sim a nossa comunidade”, destacou. O CIR também apoia os trabalhos regionais, fortalece a medicina tradicional, através da Secretaria do Movimento de Mulheres. Atendimento psicológico nas comunidades. Foto: Iterniza Pereira/Aquivo pessoal

Desde fevereiro de 2020 o CIR contratou um psicólogo, principalmente para trabalhar com a prevenção e conscientização, dando prioridade para adolescentes, jovens e mulheres. Isso porque nas comunidades acontecem muitos casos de violência contra a mulher e geralmente elas não têm como denunciar ou não sabem como proceder quando acontece um fato desses, e também muitas não sabem quais são os tipos de violência. Já com jovens e adolescentes o trabalho é voltado para questões como suicídio, abuso de álcool, drogas, gravidez na adolescência, abuso sexual.. Então esse foi o foco do CIR no início do ano passado. A pandemia mudou todo o plano de trabalho que estava voltado para oficinas, palestras e seminários envolvendo o público. Esse era na época o foco do CIR ao contratarem um psicólogo para também poder contribuir no setor jurídico. Quem faz esse trabalho é a psicóloga indígena Iterniza Pereira Macuxi que realiza atendimento online e presencial. “Os atendimentos ocorrem com as famílias que estão em recuperação tanto em Boa Vista quanto nas comunidades. A importância desse atendimento nesse período de pandemia é de orientar e auxiliar para que as pessoas possam lidar com esse momento de isolamento e quarentena. Porque sabemos que é um momento atípico do que tínhamos vivido e isso tem mexido muito com o psicológico dessas pessoas. Então para as famílias indígenas quebrar toda essa rotina e tradição, é muito complicado”, frisou. ­A coordenação do CIR viu a importância da psicologia para os indígenas, no sentido de orientar as famílias nesse período de pandemia. Muitas pessoas acabaram adquirindo ansiedade, outras que ficaram depressivas, outras que foram diagnosticadas com síndrome do pânico e muitas não entendem porque estão tendo isso. A psicóloga também faz atendimentos para indígenas em recuperação na cidade de Boa Vista.
Foto: Assessoria de Comunicação CIR Ainda conforme Iterniza Macuxi, é importante fazer com que as pessoas entendam que é um momento delicado que precisam se cuidar que apesar de precisarmos nos isolar, não precisamos necessariamente ficar só o tempo todo. Ela destaca ainda a tecnologia, já tem como as pessoas se comunicar e manter o contato diariamente. “A psicologia tem assumido um papel muito importante em acompanhar as famílias que perderam seus entes queridos vítimas da Covid-19. O atendimento tem sido importante nesse quesito de falar que é um momento difícil que tem causado diversos problemas psicológicos nas pessoas e de elas não saberem como lidar e não saberem a importância de compartilhar com um companheiro, seus pais, irmãos ou amigos. Então psicologia ela orienta e faz com que as pessoas vejam que a gente tem como manter esse diálogo, o contato e possa compartilhar e saber como lidar e nos motivar uns aos outros”, finalizou.

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