Comunidade indígena de Ta’rau Paru ganha Centro Cultural em projeto do UNICEF e CIR, em Roraima

Centro atenderá crianças e jovens da comunidade localizada na fronteira com a Venezuela. Ta’rau Paru acolhe 600 indígenas refugiados e migrantes, que pertencem ao mesmo grupo étnico A comunidade indígena de Ta’rau Paru, em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, ganhou nesta segunda-feira um Centro Cultural para realização de atividades comunitárias. O novo espaço atenderá principalmente crianças, adolescentes e jovens da comunidade de cerca de 900 pessoas da etnia Taurepang-Pemón – dessas, cerca de 600 são indígenas venezuelanos. A inauguração ocorre no âmbito do projeto do UNICEF em parceria com o Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do apoio financeiro do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (Echo, na sigla em inglês) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid). O Centro Cultural, cujo nome ainda será definido pela comunidade, foi construído em alvenaria no formato de uma maloca, com 16 metros de diâmetro. Está equipado com 50 cadeiras com apoio de braço, impressora, projetor, computador e outros equipamentos para a realização das atividades. É ali que funcionará o espaço Súper Panas de Ta’rau Paru (saiba mais ao final). “É importante buscar, dentro da resposta emergencial, soluções sustentáveis que respondam às necessidades da comunidade. Esse centro vai proporcionar um espaço de integração das crianças que chegaram da Venezuela e as que já estavam aqui”, afirma Marcela Bonvicini, chefe do Escritório do UNICEF em Roraima. Localizada dentro da Terra Indígena São Marcos, Ta’rau Paru – assim como Sakamutá, Bananal e Sorocaima II, todas na fronteira com Venezuela – está entre as comunidades indígenas no Brasil mais severamente impactadas pelo fluxo de refugiados e migrantes da Venezuela – por sua vez uma das maiores crises migratórias do mundo, com 6 milhões de pessoas deslocadas. Lá, a apenas 600 metros da fronteira com a Venezuela, refugiados e migrantes foram acolhidos: apesar dos limites entre países, trata-se do mesmo povo indígena, com origem linguística e laços de parentesco. Mas o crescimento populacional desordenado – a comunidade de 300 pessoas chegou a acolher 900 indígenas que viviam no lado venezuelano – agravou a vulnerabilidade desses grupos. “A inauguração do Centro Cultural é a realização de um sonho do povo Taurepang, de cada família e de cada criança da comunidade. O espaço foi criado para fortalecer a diversidade e valorizar ainda mais a nossa cultura”, disse o tuxaua Aldino Ferreira, da comunidade Tarau Paru. De acordo com o projeto desenhado pelo tuxaua (cacique) da comunidade, Aldino Ferreira, o Centro Cultural é apenas a primeira parte central de uma estrutura maior que conterá outros espaços de convivência e trocas. “Os povos indígenas não têm fronteiras. Esse centro vai melhorar a qualidade de vida das crianças e jovens, sendo um espaço de convivência para mostras culturais e o resgate da língua e da cultura. É um movimento na busca de autonomia da comunidade”, afirma a coordenadora do Departamento de Gestão Territorial e Ambiental do CIR, Sineia do Vale. Após a inauguração, as crianças da comunidade vão pintar as paredes internas do espaço em uma oficina de arte. Ao todo, vivem hoje 452 crianças e adolescentes em Ta’rau Paru. Sobre o trabalho do UNICEF
Os espaços Súper Panas – expressão comum em países como Venezuela que pode ser traduzida como “super amigos” – são espaços amigáveis de acolhimento que oferecem atividades de apoio psicossocial e educação não formal para crianças e adolescentes refugiados e migrantes, integrando intervenções de educação e proteção. Os seus profissionais atuam também na prevenção de violências e abusos. Em territórios e abrigos indígenas, a estratégia é adaptada para se adequar às especificidades culturais dessas populações. Em Ta’rau Paru, a intervenção foi iniciada com atendimento psicológico de crianças que presenciaram conflito armado do outro lado da fronteira. Atualmente, 27 Súper Panas estão abertos nos estados de Roraima, Amazonas e Pará, implementados com o apoio financeiro de Echo e do Escritório para População, Refugiados e Migração do Departamento de Estado dos Estados Unidos (PRM, na sigla em inglês). Além do espaço Súper Panas para crianças e adolescentes, o UNICEF atua para criar espaços permanentes de diálogo com os povos indígenas para construção de diretrizes de cuidado e acesso a serviços, bem como do fortalecimento das capacidades de interlocução política e autonomia. No contexto migratório de Roraima, do Amazonas e do Pará, indígenas refugiados e migrantes que vivem em abrigos e ocupações espontâneas são monitorados quanto à saúde e à nutrição, assim como acesso a água e saneamento. O UNICEF atua ainda com as instituições nacionais e locais ligadas à regularização migratória, à saúde e à educação para que o atendimento desses grupos leve em consideração as particularidades culturais dessas comunidades. Fonte: UNICEF

Comunidade indígena de Ta’rau Paru ganha Centro Cultural em projeto do UNICEF e CIR, em Roraima