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Amazoom coloca Roraima no Mapa dos Laboratórios de Jornalismo do Brasil

Mapeamento do Projor, Farol Jornalismo e ABEJ identificou 44 laboratórios de experimentação em cursos de Jornalismo no país; entre os quatro representantes da região Norte, o Amazoom, aparece como experiência voltada ao combate à desinformação, à cobertura socioambiental e à formação crítica de estudantes. No mapa brasileiro dos laboratórios de jornalismo, há um ponto aceso no extremo Norte do país. Ele pulsa em Roraima, onde o Amazoom – Observatório Cultural da Amazônia e do Caribe, vinculado ao Curso de Jornalismo (CCJ) e ao Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), foi reconhecido entre os 44 espaços de experimentação jornalística identificados pela primeira edição do projeto Laboratórios de Jornalismo no Brasil. O levantamento foi realizado pelo Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo e pelo Farol Jornalismo, em parceria com a Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ), e publicado no Observatório da Imprensa. O mapeamento revela um Brasil em que estudantes de graduação aprendem jornalismo não apenas dentro da sala de aula, mas também no calor das pautas, na poeira das ruas, na escuta das comunidades e no vaivém das plataformas digitais. Ao todo, os 44 laboratórios estão ligados a 39 instituições de ensino superior, sendo 23 públicas e 16 privadas, distribuídas por 17 estados das cinco regiões do país. O diagnóstico privilegiou espaços extracurriculares, nos quais estudantes produzem reportagens, podcasts, publicações impressas, vídeos e conteúdos para redes sociais, exercitando práticas próximas às do mercado e, ao mesmo tempo, experimentando formas próprias de contar o mundo. O Amazoom Desde 2017, o Amazoom aparece como um anteparo fincado na floresta: capta ruídos, traduz conflitos, observa silêncios e ajuda a formar jornalistas atentos às complexidades da Amazônia. O levantamento destaca que, na região Norte, o observatório atuou no enfrentamento à desinformação durante a crise sanitária Yanomami e mantém um olhar voltado às dinâmicas socioambientais. Não é pouca coisa. Em uma região frequentemente narrada de fora para dentro, o Amazoom reafirma a importância de produzir jornalismo a partir do território, com estudantes, pesquisadores e comunidades olhando juntos para aquilo que muitas vezes escapa ao radar da imprensa comercial. A presença do Amazoom ganha ainda mais peso quando se observa a distribuição regional do levantamento. Enquanto o Sudeste concentra 16 laboratórios, o Sul reúne 12 e o Nordeste soma 10, o Norte aparece com apenas quatro iniciativas, distribuídas entre Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. Isso significa que o Amazoom não é apenas mais um nome na lista: é uma das poucas experiências nortistas reconhecidas nacionalmente nesse primeiro mapa. Em termos simbólicos, sua entrada no levantamento ajuda a tensionar o eixo da formação jornalística brasileira, lembrando que o país também precisa aprender com as bordas, com os rios, com as fronteiras e com os territórios onde a notícia não chega pronta: nasce em disputa. O Projeto Nacional O projeto Laboratórios de Jornalismo também mostra que a reportagem segue viva como prática central da formação. Entre os 44 laboratórios identificados, 36 trabalham com narrativas aprofundadas em texto, enquanto 34 produzem conteúdos para redes sociais, 27 atuam com áudio e 23 com vídeo. O Instagram está presente em 100% das iniciativas mapeadas. Esse dado ajuda a compreender o lugar do Amazoom: mais do que uma plataforma de publicação, o observatório funciona como espaço de aprendizagem, experimentação e presença pública, onde a formação jornalística se cruza com pesquisa, extensão, cultura, território e responsabilidade social. A metodologia do levantamento combinou duas frentes: a circulação de um formulário com 30 campos, aberto entre março e o começo de maio de 2026, e o contato ativo com cursos de Jornalismo de todo o país que ainda não haviam respondido. Foram recebidas 69 respostas válidas, das quais 44 atenderam aos critérios definidos pelo projeto. O recorte priorizou laboratórios extracurriculares ou híbridos, especialmente aqueles vinculados a ações de extensão e produção regular de conteúdo jornalístico. Cartografia de Futuros Possíveis Para estudantes de graduação e pós-graduação, a notícia interessa porque mostra que o jornalismo universitário deixou de ser apenas exercício escolar. Em muitos casos, é campo de intervenção pública. Os laboratórios mapeados cobrem lacunas informativas, atuam em territórios pouco observados, produzem jornalismo de impacto e aproximam a universidade da sociedade. No caso do Amazoom, essa aproximação passa pela Amazônia real: aquela atravessada por crises sanitárias, disputas ambientais, povos originários, fronteiras culturais, desinformação e modos próprios de comunicar. Por isso, o Mapa Nacional dos Laboratórios de Jornalismo não é apenas uma lista. É uma cartografia de futuros possíveis para a profissão. E, nesse desenho, o Amazoom surge como uma estrela do Norte: pequena no número absoluto das estatísticas, mas imensa naquilo que projeta. Desde Roraima, o projeto lembra que formar jornalistas é também ensinar a escutar o território. Porque há notícias que não cabem nos gabinetes, há pautas que caminham pela mata, há vozes que chegam como vento antes de virar manchete. E há laboratórios, como o Amazoom, que ajudam estudantes a perceber que o jornalismo começa justamente quando alguém decide prestar atenção.

Amazoom coloca Roraima no Mapa dos Laboratórios de Jornalismo do Brasil
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