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  • Foto do escritorElane Oliveira

Marco Temporal: Povos Indígenas de Roraima celebram vitória histórica

O julgamento do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal ( STF), depois de várias sessões, teve um desfecho vitorioso aos povos indígenas do Brasil.



Marcha contra o Marco Temporal em Roraima. Foto: Ellie Macuxi/ CIR.

O julgamento do marco temporal no Supremo Tribunal Federal ( STF), considerado o “julgamento do século”, depois de várias sessões, teve um desfecho vitorioso aos povos indígenas, nesta quinta-feira(21). Um resultado que marca mais um capítulo na história dos povos Indígenas do Brasil.


Com a formação da maioria dos votos contra o marco temporal na sessão de hoje, 09 votos contra e 02 a favor, o resultado consagrou uma vitória histórica para os povos indígenas do país.

Em vários cantos do Brasil, os povos se mobilizaram contra a Repercussão Extraordinária (RE) 1.017.365, conhecida como marco temporal, o Projeto Lei 2.903/23 e outros retrocessos aos direitos indígenas garantidos na Constituição Federal Brasileira.


Em Roraima, povos indígenas de várias regiões se reuniram na Praça Ovelário Tames Macuxi, para acompanhar, mas também celebrar uma vitória que ficará na memória das lideranças, mulheres, crianças e de todos que ali passaram para fortalecer a luta e resistência secular dos povos indígenas.

Movimento na praça do Centro cívico. Foto: Elane Oliveira.

Votaram contra o marco temporal, o relator da ação, o ministro Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Roberto Barroso, Dias Toffoli e, nesta quinta-feira (21), os ministros Luiz Fux , Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Rosa Weber. Os ministros Nunes Marques e André Mendonça, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, votaram a favor. Após o resultado que consagrou a vitória, o movimento festejou com danças e cantos tradicionais.


Praça Ovelário Tames Macuxi, em Boa Vista, Roraima. Foto: Elane Oliveira.

Lideranças indígenas como Valdir Tobias, do povo Macuxi, que acompanhou a promulgação da Constituição Federal Brasileira de 1988,também celebrou essa conquista e disse, no palco, ” é assim que se conquista”, disse sobre a organização da mobilização indígena que reuniu mais de 8 mil indígenas na Praça Ovelário Tames Macuxi, em Boa Vista.



Nas falas a jovem Júlia Wapichana, expressou a felicidade e gratidão ao movimento indígena de Roraima, que luta pelos direitos dos povos originários de todo Brasil, ” Temos dificuldades, temos conquistas e a gente segue sendo movimento indígena, a nossa luta continua “, concluiu a jovem.


Quem também se emocionou e emociou a todos durante a fala, foi o pequeno guerreiro da comunidade Willimon da TI Raposa Serra do Sol, ”Estamos todos alegres porque conseguimos nosso território, Nós nunca vamos abaixar nossas cabeças, vamos lutar até o fim” finalizou.


Marcha


Durante a marcha contra o Marco Temporal pelas ruas de Boa Vista, as lideranças ecoaram seus repúdios.


Povos indígenas voltando da Marcha/ Foto: Elane Oliveira

“Estão querendo acabar com nossos direitos ,e isso não aceitamos , sem nossos direitos nós não temos educação e território, por isso somos contra o marco temporal”, repudiou o professor Telmo Ribeiro da região Raposa.

“Pelas mulheres, crianças, homens e jovens nós dizemos que somos contra o Marco Temporal, chega de exploração nos nossos territórios, chega de morte “, Afirmou Kelliane Wapichana, Secretária geral do Movimento de mulheres indígena de Roraima.

Tuxaua Lázaro Wapichana, da terra indígena Puim, também trouxe para mobilização a força da juventude indígena. “Dizer aos parlamentares que são mais de 523 anos se existirem, nós já estávamos quando os colonizadores chegaram aqui, o nosso território é sagrado, quero reforçar que nós povos indígenas de Roraima não estamos passando fome”, finalizou o tuxaua.


Fonte: CIR



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