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Rendimento médio do roraimense teve crescimento em 2021, mas valor ainda é baixo

Economista explica que aumento da renda no último ano pode estar associado à quantidade de empregos que têm sido gerados no estado


Por: Camilla Salustiano e Cecília Veloso



Foto: Nilzete Franco/FolhaBV


Apesar do Brasil ter registrado, em 2021, uma queda recorde do rendimento médio e atingido o menor valor desde 2012, Roraima apresentou um crescimento no rendimento médio das pessoas que possuem qualquer fonte de renda. Ainda assim, o estado representa o menor valor da região Norte.


As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Rendimento, divulgados na última sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Conforme o levantamento, na modalidade de rendimento médio mensal real das pessoas a partir de 14 anos, a maior queda foi em 2020, ano em que a pandemia da Covid-19 começou, com uma quantia de R$2.308. O maior valor registrado foi em 2012, quando atingiu a renda média de R$2.688. Em 2021, a categoria apresentou uma evolução de R$25 a mais que no ano anterior.




Conforme o economista e presidente do Conselho Regional de Economia de Roraima (Corecon/RR), Fábio Martinez, o aumento da renda no último ano pode estar associado à quantidade de empregos que têm sido gerados no estado.


“Mesmo sendo a menor renda per capita da região Norte, Roraima apresentou um crescimento no último ano. Apesar disso, é importante alertar que as pessoas ingressando em novos empregos começam recebendo um salário menor do que as que estão na empresa há mais tempo”, explicou.

Para os próximos anos, a tendência é que a renda dos roraimenses aumente cada vez mais, segundo o profissional. “Tanto para o estado, quanto a nível nacional, nós temos uma projeção mais positiva. A taxa de desemprego tem diminuído e empregos formais têm sido gerados mês após mês”, disse.


Superando dificuldades


Em 2020, Francielio de Sousa, de 38 anos, foi um dos afetados pela queda do rendimento médio no estado. O assistente administrativo de uma distribuidora de alimentos teve seu salário reduzido em 25%. Segundo ele, essa foi uma estratégia da empresa para não ter que demitir funcionários durante a pandemia.


“Antes do vírus chegar aqui, eu e minha família conseguíamos viver seguindo o nosso orçamento. Porém, quando anunciaram a pandemia foi um choque, porque mexeu com o planejamento de todo mundo. Tivemos que controlar nossos gastos cancelando vários serviços e economizando energia, tudo isso para que a redução do meu salário não afetasse tanto em casa”, afirmou.

A situação seguiu dessa forma até meados de outubro de 2020, quando a empresa normalizou os salários. Porém, pouco tempo depois veio outro baque ainda maior, pois a esposa de Francielio foi internada em janeiro de 2021, para aguardar a realização de uma cirurgia de aneurisma cerebral. Após cerca de três meses esperando o procedimento, ela foi infectada pelo coronavírus e faleceu pouco tempo depois.




Foto: Arquivo Pessoal

“Quando minha esposa ficou internada, os gastos aumentaram muito, pois faltavam várias coisas nos hospitais e a família precisava arcar com tudo. Após o falecimento dela, também sofremos com a diminuição da renda, pois ela contribuía em casa vendendo produtos de beleza. Também era ela que controlava os gastos em casa, então foi muito difícil conseguir dar conta de tudo no trabalho e ainda ter que cuidar das finanças”, lembrou.

Agora, em 2022, Francielio voltou a garantir uma vida financeiramente estável para a família, porém o desgaste em ter que administrar várias coisas ao mesmo tempo permanece.


“Todo dia bate a angústia de ter que cuidar de tudo sozinho. É muito difícil, pois tenho que trabalhar o dia todo, cuidar dos meus filhos, controlar as finanças para ver se sobra algo no fim do mês e ainda ter que viver um pouco”, desabafou.



A necessidade de reinventar-se


Apesar da melhora do rendimento médio, vários roraimenses decidiram buscar uma renda extra e investir em um negócio próprio, além de trabalharem em um emprego formal. Esse é o caso de Adriano Melo, de 40 anos. O gerente de uma loja em Boa Vista decidiu abrir sua própria loja de bolsas neste ano.


“Durante o início da pandemia, eu estava trabalhando em uma loja e foi nesse meio tempo que eu parei, pensei e decidi ter uma renda a mais. Sempre fui apaixonado por tendências femininas, e agora, em 2022, decidi investir na minha paixão por bolsas. Isso me faz feliz”, constatou.



Foto: Cecília Veloso


Adriano relata ainda, que, após investir em seu negócio, a qualidade de vida aumentou e agora ele pode gastar um pouco mais sem peso na consciência quando chega o final do mês.


“Mesmo trabalhando, sempre tive um sonho de construir algo e aumentar minha renda. Hoje em dia, posso ir ao shopping comprar um sapato e ficar com minha consciência tranquila, pois quando vivia só com meu salário de gerente era tudo limitado. Eu pretendo continuar com minha renda extra, sem pretensão alguma de parar”, concluiu.

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