PANDEMIA EM TERRAS YANOMAMI

Atualizado: Mar 19

Maior território indígena do Brasil em extensão, a Terra Yanomami, localizada entre os estados de Roraima e do Amazonas, e em boa parte da fronteira com a Venezuela, vem sofrendo com a pandemia do novo coronavírus e o descaso das autoridades de saúde.


Foto: Pieter Van Eecke/Clin d'Oeil Films


Após o anúncio oficial da crise sanitária e o alastramento da Covid-19 no Brasil em março de 2020, os mais de 26,7 mil indígenas, incluindo grupos isolados que habitam essa região em cerca de 360 aldeias, foram considerados grupos de risco pelo Ministério da Saúde. Isso porque, segundo especialistas, os povos originários não possuem um sistema imunológico resistente para combater doenças e por isso, acabam ficando mais vulneráveis a elas. Assim como o novo coronavírus, esse é o caso da malária, que costuma ocasionar problemas e deixar as comunidades em alerta.


Por telefone, Junior Hekurari, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (CONDISI) do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Yekuana (DSEI), relata a falta de apoio do Governo federal em relação a transporte de profissionais e medicamentos.


“Estamos abandonados pelo Governo federal, que até agora não fez nenhum tipo de ação para o povo Yanomami. O Governo federal não contratou aeronaves para trabalhar na Terra e quase não temos profissionais”, disse.


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) chegou a emitir uma medida cautelar solicitando ao Governo brasileiro a adoção de medidas de proteção aos povos indígenas Yanomami e Yekuana. Ao tomar a decisão, a comissão reconhece que o Brasil não está cumprindo seu papel de proteger a população indígena do país.


REGISTROS DIFERENTES


O Ministério da Saúde é responsável pelo combate à pandemia nas aldeias por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e por isso, é também responsável pelo levantamento de casos entres os indígenas. Contudo, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), que desde o início da pandemia acompanha de perto a situação da doença nos polos, apresenta dados que divergem do apresentado pela SESAI, principalmente quando se trata de confirmações de óbitos. Uma explicação é que o Ministério da Saúde só contabiliza os indígenas aldeados. Em contraponto, o COIAB leva em consideração os indígenas em perímetro urbano, aumentando o número de casos registrados. Confira abaixo.










fonte: https://coiab.org.br/






fonte: http://www.saudeindigena.net.br/coronavirus/mapaEp.php



Segundo o boletim da Secretaria do Índio já foram registradas 10 mortes em terras Yanomami desde o início da pandemia a COIAB tem registrado 17 falecimentos. A falta de controle dos casos dificulta a efetividade de ações de combate.


CASOS EM TERRAS YANOMAMI


Os primeiros casos surgiram em julho de 2020. 80 pessoas, entre idosos e crianças, foram positivadas em exames para o coronavírus. A primeira morte por covid-19 foi no dia 9 de abril de 2020, o adolescente Yanomami, Alvanei Xirixana, que tinha 15 anos. Ele vivia na região do município de Alto Alegre, ao norte de Roraima.


Segundo o boletim da Secretaria do Índio, foram registradas 10 mortes em terras Yanomami desde o início da pandemia, enquanto a COIAB tem registrada 17 falecimentos. A falta de controle dos casos dificulta a efetividade de ações de combate.


CASOS EM TERRAS YANOMAMI


Os primeiros casos surgiram em julho de 2020. Oitenta pessoas, entre idosos e crianças, testaram positivo em exames para o coronavírus. A primeira morte por Covid-19 foi registrada no dia 9 de abril de 2020. O adolescente Yanomami Alvanei Xirixana, vítima da doença, tinha 15 anos e vivia na região do município de Alto Alegre, ao norte de Roraima.


Segundo o último boletim divulgado pela SESAI, nas terras indígenas de todo o Brasil 43.942 casos foram confirmados desde o início da pandemia, 714 casos estão em investigação e 40.888 já estão recuperados. Dentre as comunidades, 587 óbitos foram registrados.


Em Roraima, 5.220 casos foram confirmados, sendo 1.448 no DSEI Yanomami. Desse total, 613 recuperados e 10 mortes registradas. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Saúde do Estado (SESAU) na segunda-feira, 1.


MEDIDAS ADOTADAS PARA CONTER O AVANÇO


O garimpo continua impactando as terras indígenas de Roraima e a incidência dessa mineração ilegal contribui para o avanço de problemas ambientais, culturais e principalmente de saúde.


Como uma medida de defesa, após o avanço da Covid-19, os indígenas que vivem nessas comunidades, com o apoio do Conselho Indígena de Roraima (CIR), criaram um plano emergencial e instalaram barreiras de controle, explicou o assessor Jurídico do CIR, Ivo Cípio Aureliano.


foto: Exercito brasileiro/divulgação


“No início da pandemia, diante da omissão do governo, onde as comunidades já se sentiam amedrontadas diante da doença nova, foi feito um plano emergencial para garantir o apoio às barreiras de controles, criadas pelas próprias comunidades”, disse o assessor.


Ele explicou que as famílias deixaram de trabalhar em suas roças e produzir dentro das comunidades, e o apoio consistia na arrecadação de recursos para compra de cestas básicas.