• Rafaela André

Inclusão na pandemia: Projeto #MAESDAFAVELAON oferta internet gratuita à mulheres vulneráveis

Atualizado: Mar 19


Foto: Acervo pessoal/CUFARR


CUFA - A "luz no fim do túnel periférico


A pandemia do novo coronavírus, supostamente, chegou ao Brasil no dia 26 de fevereiro de 2020. Quando um homem de 61 anos foi diagnosticado com a doença. O idoso estava em São Paulo e havia chegado recentemente da Itália. Desde então, iniciou-se uma espécie de “transmissão comunitária”. Ou seja, que afeta a população em cadeia. Não demorou muito, até que todos os Estados brasileiros estivessem positivados.


Com a intensificação dos casos, medidas de contingenciamento foram tomadas, como: O uso obrigatório de máscara, distanciamento social, proibição do funcionamento de estabelecimentos, como restaurantes, bares, entre outros.


Neste cenário, para conter gastos, empresas privadas também adotaram estratégias, como: Demissão em massa de servidores, corte de salários e bonificações e, em casos mais extremos, o fechamento de estabelecimentos.


Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação aumentou e atingiu 14, 3% na quarta semana de agosto de 2020. O que representa cerca de 1,1 milhão a mais de desempregados, o que ao final das contas, totalizam 13,7 milhões de brasileiros.


Com isso, a desigualdade estrutural foi exposta. Enquanto pessoas com maior poder aquisitivo enfrentavam a COVID-19 com recursos, alguns moradores de áreas periféricas vivenciavam dilemas: As despesas do lar, adquirir gêneros alimentícios, pagar contas e até a aquisição de materiais de proteção contra a doença.


Pensando neste público alvo, a Central Única das Favelas - CUFA que é uma organização nascida através de jovens moradores de comunidades, que buscavam espaço e representatividade, empenhou-se em ofertar melhores condições de “sobrevivência” aqueles que só viam duas opções em todo o Brasil: Ou morrer de COVID-19 ou de fome.


“Através de parceria com grandes empresas, máscaras e álcool em gel foram distribuídos. Só em Roraima foram, respectivamente, 7 mil e 3 mil litros. Alimentos , como 300 caixas de ovos também foram distribuídas” - Nerley Guerreiro, presidente da CUFA Roraima.



Foto: Acervo pessoal/CUFARR - Beneficiária Renata Azevedo e presidente da CUFA RR, Nerley Guerreiro.


“Eu recebi máscara e gel. Agora, fiquei sabendo também da entrega dos ovos, vim de novo. Sempre participando! É uma coisa boa, não é? Pois tem gente que não tem dinheiro nem pra comprar gel. Eu mesmo pra comprar o gel tá caro!” - Afirmou a dona de casa, Renata de Azevedo, uma das beneficiárias.


Os esquecidos em Boa Vista - CUFA RR doa itens de proteção individual à catadores de recicláveis


Seguindo a diretriz de ajudar os necessitados, catadores de recicláveis de cooperativas que atuam no “lixão” da capital Boa Vista, também foram beneficiados com a entrega de equipamentos de proteção individual.




“Ao todo, 3 cooperativas foram beneficiadas com a doação de álcool em gel e máscara. A cooperativa Nova Esperança, Associação Global e a Associação Terra Viva. Todos trabalhadores em materiais recicláveis” - Marineide Peres, colaboradora da CUFA RR.



Foto: Cufa/Marineide Peres- Colaboradora


“Meu nome é Evandra e eu gostaria de agradecer a CUFA Roraima que se fez presente aqui hoje. na reciclagem Boa Esperança, ajudando com álcool em gel e máscara. Isso é muito gratificante, pois nós precisamos muito! Pois, o nosso trabalho é de risco. Então, nós agradecemos, eu e os meus companheiros agradecemos esta parceria” - Dona Evandra - Trabalha com reciclagem há 18 anos em Boa Vista.

Foto: Cufa/ Evandra - Catadora de recicláveis

Recorte social: Projeto Mães da Favela


Foto: Acervo pessoal/CUFARR


Agora, façamos um recorte social dentro da parcela de pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica: Mulheres, "chefes de família" que tiveram a geração de renda inviabilizada. Pensando neste público alvo, a CUFA lançou o projeto “Mães da Favela”. A iniciativa visa amenizar os impactos da pandemia no cotidiano dessas mulheres.


Através de doações, que podem ser realizadas por meio do site maesdafavela.com.br , foi criado um fundo solidário que arrecadou até o momento R$ 169.120.680,00. Esta quantia foi destinada para ações da organização não governamental. De forma bem organizada, só de cestas básicas doadas, a Central atendeu 5.000 periferias em solo brasileiro. Do total, 1.379.764 famílias foram atendidas e 5.519.059 pessoas impactadas (considerando uma média de 4 pessoas por casa). O que representa 18.227.552 toneladas de alimentos ( média de 13,5 kg/cesta).


Foto: Acervo pessoal/CUFARR


Dentro deste contexto, a inovação pode ser vista na destinação dos “vale mães”, que se trata de uma cesta básica digital, no valor de R$120 recebidos por dois meses, por mulheres cadastradas pela CUFA de seu Estado. A meta é que elas decidam o que comprar, tendo em vista as necessidades de seus lares. Foram 59.150 entregues, sendo R$ 7.098.000.00 investidos.


“Sou beneficiária do projeto Mães da Favela, da Cufa, e eu gostaria de agradecer, pois minha família foi diagnosticada com a COVID-19 e ficamos no isolamento. Pra honra e glória do Senhor, já estamos curados! Mas, está sendo meio complicado o retorno às atividades e graças a Deus e ao benefício, a gente recebeu um apoio muito grande”. Luana, moradora do município de Mucajaí.

Acervo pessoal: Luana - Beneficiária


Inclusão digital: A Mãe Tá On

Foto: Acervo pessoal/CUFARR


Como forma de ampliar o trabalho desenvolvido pela Central Única das Favelas, por meio do projeto “Mães da Favela” e dar continuidade às ações de combate aos impactos sociais, foi lançada no dia 24 de setembro de 2020, uma plataforma chamada “Mães da Favela On”.

O intuito, segundo a CUFA é de “quebrar” as barreiras de acesso digital. A meta é tornar democrático o acesso, ao ofertar ferramentas para que estas mulheres vençam o isolamento digital e consigam retomar suas atividades, de forma virtual e até angariar renda.


Este é o maior projeto de conectividade em áreas periféricas feito no Brasil. Consiste na instalação de pontos de wifi e na distribuição de chips, que já começaram a ser, respectivamente, instalados e entregues.


Através dos chips, as famílias terão 24 horas por dia de acesso à internet para conteúdos de educação e empreendedorismo previamente selecionados pelo time da curadoria do projeto, 15h por mês de conteúdos livres, ligações telefônicas e uso de WhatsApp ilimitados por seis meses (a partir da ativação do chip). A estimativa é de que aproximadamente 2 milhões de pessoas ganhem a conectividade.



“Agora, que tenho acesso ilimitado a internet, meus filhos poderão se dedicar mais aos estudos nas aulas onlines. Pois, um dos problemas que minha família enfrentou durante a pandemia, foi com o pacote de internet que não suportava as aulas, nem permitia baixar os materiais. A iniciativa veio no momento certo, os meninos estavam perdendo aulas e não tinha apoio algum da escola para que eles continuassem. Foi bem difícil, mas agora tudo dará certo". Scheila - Mãe beneficiada pelo projeto.



Foto: Acervo pessoal/CUFARR


Técnico em informática comenta a importância da iniciativa em um momento pandêmico


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