• Fernanda Fernandes

CFC: Amazoom realiza segunda oficina do Ciclo de Formação Complementar

Atualizado: 21 de jul.

Discussão sobre estratégias de comunicação indigenistas foi conduzida pela jornalista Evilene Paixão e contou com a participação de diversos convidados especiais.


Por: Emilly Duarte, Emily Tenente e Juliana Alves


Entre os dias 07, 08 e 09 de julho, o Amazoom em parceria com a Internews, promoveu um encontro em formato híbrido para discutir Educomunicação, pautas socioambientais e as estratégias de comunicaçao indigenistas. Participaram alunos da UFRR e outras Universidades do país, que tiveram a oportunidade de conversar e compreender a importância dos meios e práticas comunicacionais indígenas e indigenistas.

Primeiro dia da oficina com o convidado, Maurício Ye’wana. Foto: Evilene Paixão.

No primeiro dia da oficina, o convidado foi o diretor da Hutukara Associação Yanomami, Maurício Ye’Kwana, que falou sobre sua trajetória como líder indígena, e das dificuldades que o mesmo passou logo que chegou na cidade. “A gente segue na luta em defesa ao povo Yanomami, que é a maior Terra Indígena do Brasil”, explicou Maurício.


Outra pauta levantada, foi sobre a campanha #ForaGarimpoForaCovid, que ocorreu em 2020, liderada pelo Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’Kwana, que recebeu em torno de 400 mil assinaturas em uma petição para a retirada dos garimpeiros de dentro da Terra Indígena Yanomami. A campanha teve duração de seis meses.


Segundo um levantamento realizado pela Rede Pró-Yanomami, foi estimado que 10.800 indígenas foram expostos na época à Covid-19, tendo 17 mortes constatadas. É importante lembrar que o vírus ainda era pouco conhecido e não tinha vacinas contra o mesmo, o que deixou a saúde dos povos indígenas ainda mais ameaçada naquele período.


Roda de conversa com a indigenista, Gilmara Fernandes. Foto: Evilene Paixão

A jornalista e mestranda em comunicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Evilene Paixão, foi a responsável pela conduçao da oficina, que contou com a participação de outros convidados. A jornalista trabalhou diretamente durante campanha #ForaGarimpoForaCovid por meio do Instituto Socioambiental (ISA). Ela explica que a campanha foi feita, exclusivamente pela internet, em redes sociais como Twitter, Facebook, Intagram e YouTube e teve bastante apoio.

Evilene, a estratégia contou com a participaçao ativa dos representantes e lideranças indígenas Dário Kopenawa e Maurício Ye’Kwana, que foram atuantes em vários vídeos e lives. “Como a gente trata da questão indígena, a esfera é federal. Ou seja, não vamos debater com o governo do estado. A gente vai debater em Brasília com o presidente, senadores, deputados federais, então isso ampliou ainda mais o movimento, pois saímos do foco local para o foco nacional". A jornalista reforça ainda que essa "estratégia de comunicação" é importante para se avançar na pressão política e nas tomadas de decisões acerca da situação atual dos povos indígenas.


No segundo dia da oficina, os alunos conheceram algumas plataformas digitais de podcast nacional e regional que tratam das pautas amazônicas como mineração, garimpo, desmatamento entre outros temas sociais.


A convidada especial deste dia foi a antropóloga Gilmara Fernandes, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Gilmara falou sobre o que ser um indigenista e qual a sua importância. “O estado de Roraima tem uma população indígena muito grande, além de vários territórios indígenas, essa população é estimada em mais de 50 mil pessoas. Então o trabalho do indigenista, do antropólogo, se dá muito nessa questão: somos não indígenas que atuamos, nos dedicamos ao estudo, ao acompanhamento, a análise e também somos aqueles que fazem as pesquisas sobre as populações indígenas do Brasil”, explica.

Participantes da oficina no último dia com o convidado, Dário Kopenawa. Foto: Amazoom

No terceiro e último dia da oficina, o assunto principal foi novamente a Campanha #ForaGarimpoForaCovid. O convidado da tarde foi Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami. Dário foi um dos porta-vozes da campanha. O mesmo participou de toda a elaboração e definição das estratégias do movimento, já que um dos objetivos da campanha também foi preparar as lideranças indígenas para atuar com a imprensa e nas redes sociais, sem esquecer da segurança e da logística adequada para participação desses representantes.


“Nós povos indígenas estamos montando estratégias de como podemos mostrar as nossas realidades, as nossas preocupações de luta e resistência. Hoje cerca são de 305 etnias diferentes em todo Brasil e estamos demarcando esse espaço da comunicação, por que é importante falar o nosso trabalho cultural. Nisso criamos essa metodologia para chamar a atenção do público, principalmente, das autoridades, dos acadêmicos, comunicadores, para compartilhar as nossas resistências e viva cultura”, ressaltou Dário Kopenawa.

Ainda segundo ele, foram feitas milhares de denúncias sobre a violência sofrida pelos Yanomami hoje. Os apelos foram enviados para as autoridades, porém nada aconteceu. Então foi necessário criar outros mecanismos que foram colocados em prática em função dos interesses do movimento indígena do estado. Sendo um exemplo disso, a campanha #ForaGarimpoForaCovid.


Durante o último dia da oficina foi apresentado para os participantes o relatório “Yanomami Sob Ataque: Garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami e propostas para combatê-lo”, produzido pela Hutukara Associação Yanomami e Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume). A publicarão denuncia a atividade criminosa garimpeira e suas consequências. O documento, lançado em abril deste ano, traz dados de 2021 da devastação do garimpo e relatos de indígenas que vivem nas regiões afetadas.

O que é educomunicação?


A Educomunicação começa a ser construída a partir da década de 1970 dedicando-se à defesa de causas ambientais, a partir da perspectiva de Paulo Freire e através de uma comunicação mais horizontal. Assumindo outras formas com o decorrer do tempo, caracteriza-se pela análise midiática incentivando a comunicação comunitária tornando-os cidadãosparticipantes ativos do processo comunicativo. No contexto de Roraima, a construção de um espaço de comunicação popular circunda a relevância das comunidades indígenas e suas lutas.


Qual à atuação do jornalista nesse contexto?


É importante que o jornalista amazônico conheça a realidade do seu campo de atuação para colaborar com as comunidades indígenas e demais pautas ambientais necessárias. Ou seja, fortalecer ecossistemas e impulsionar momentos de conversa como foi proposto pelo Amazoom, aproximando profissionais da comunicação e indígenas em uma frente de defesa na, da e pela Amazônia.



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