Espaço e representatividade no curso de Comunicação Social

Acompanhe a série de matérias produzidas pelos acadêmicos da turma de webjornalismo da UFRR

 

Com esforço e determinação, jovens de povos tradicionais vêm conquistando espaço na Universidade Federal.

 (foto: Ayan Ariel)

Pintura indígena no Centro de Comunicação, Letras e Artes

 

Universidade Federal de Roraima passou a ofertar vagas para indígenas apenas em 2008

 

Ao chegar à Universidade Federal de Roraima, especialmente no Bloco I, uma das primeiras coisas com que as pessoas se deparam é uma pintura indígena logo na entrada. Em frente a ela, uma canoa, meio de transporte utilizado pelos povos tradicionais, simula um cenário familiar para estes povos.

 

Apesar de estar localizada no Estado, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem proporcionalmente a maior população indígena do país, a UFRR passou a ofertar vagas para este público apenas a partir de 2008. Essas vagas são garantidas graças a uma resolução do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, que possibilitou a abertura de um espaço específico aos povos indígenas.

 

Apesar da garantia ao ingresso ao nível superior de ensino, os indígenas conseguiram entrar no curso de Comunicação Social apenas em 2010. Todos os anos aproximadamente 40 novos alunos ingressam no curso e apenas quatro destes são \indígenas.

 

O começo para muitos deles é sempre difícil, pois a realidades das comunidades é muito diferente da vivida nas cidades, desde a cultura, tradições, modo de pensamento, o ensino, entre outros fatores. Apesar da forma de ingresso ser diferenciada, a metodologia das aulas é a mesma para todos.

 

Estudar jornalismo é um sonho de infância

 

A estudante Márcia Fernandes, 31, é da comunidade indígena Tabalascada e ingressou no ano de 2014.2, atualmente é estagiária na TV Universitária. “Estudar jornalismo é um sonho de criança, nunca me imaginei fazendo outra coisa. Quando assistia TV, me imaginava em uma bancada apresentando e a cada dia vejo que tudo que imaginei está se tornando real, a experiência de estar em uma universidade é enriquecedora e agregadora”, afirma Márcia.

 

A adaptação foi difícil

 O estudante Thiago Lima, da etnia Macuxi, da comunidade do pato, terra indígena São Marcos, cursa o 3° semestre. Ele sempre quis estudar jornalismo, mas não sabia que a UFRR ofertava vagas aos povos tradicionais. “Quando saiu o edital do Processo Seletivo Indígena vi que tinha vaga para Comunicação social, que até então não sabia se era Jornalismo, mas depois pesquisei e realmente era o curso que eu queria”, disse.

 

A adaptação de início foi difícil, pois Thiago teve que sair da comunidade em que vivia para Boa Vista. “Aqui a sociedade é diferente no seu comportamento, então foi um desafio que enfrentei e não só no fato em me acomodar-se na cidade, mas também as preocupações para repassar nosso conhecimento das comunidades e compartilhar na instituição”, relatou.

 

O estudante afirma ainda que logo nos primeiros dias quase ninguém falava com ele. “Com o passar do tempo eu fui conversando e em todas as formas eu me identifiquei como indígena, então as pessoas foram me reconhecendo e conhecendo a nossa forma de comportar e de eles saberem que nós somos indígenas e também temos esse lugar dentro da academia”, conta.

 

Sobre as influências dentro do âmbito do seu povo.

 

A paixão pelo curso faz com que Thiago incentive os jovens de sua comunidade a irem atrás de seus sonhos. “A partir de então começo a falar para os outros jovens da minha comunidade para se interessar em fazer comunicação tendo em vista a importância para o nosso povo dá visibilidade para nossas causas”, ressaltou Tiago.

 

Orgulho na comunidade

 

Um jovem indígena na universidade é motivo de orgulho para os familiares e lideranças das comunidades. “É gratificante para as lideranças ver que nós estamos estudando e procurando dá o melhor em prol do nosso povo, trazendo a cultura da comunidade para a universidade. Eles se sentem muito honrados em ter estudantes indígenas e em saber que foi por isso que tanto lutaram, para que os filhos, netos e parentes tivessem vez dentro das instituições”.

 

Esforço dos alunos indígenas é reconhecido pelos professores

 

Ter uma adaptação no âmbito da sala de aula ás vezes é mais dificultoso do que o próprio vestibular. A professora do curso de Comunicação Social, Sandra Gomes ressalta a força e determinação destes acadêmicos em vir estudar na cidade.

 

“Para o aluno Indígena chegar à Universidade a dificuldade é duplicada, pois tem a questão da distância. A escola nem sempre tem uma boa qualidade como algumas escolas da capital, e mesmo assim o aluno consegue superar tudo isso e chegar aqui na instituição. Isso já é um grande ponto positivo para estes alunos”, afirmou Sandra.

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