• Yohanna Emmelly

Venezuelanos promovem ação para ajudar imigrantes em situação de rua

Grupo distribui marmitas para imigrantes que ficam nas proximidades da rodoviária de Boa Vista durante os fins de semanas.

Preparação das marmitas entregues durante a ação (Foto: Arquivo Pessoal))

Uma ação social foi criada para levar marmitas para famílias venezuelanas que vivem em condição de rua na Rodoviária Internacional de Boa Vista, no último sábado (12). O projeto venezuelano Raíces y Broto distribuiu 62 porções de comida para ajudar os conterrâneos que vivem em situação delicada no país.


Yahilet Mendoza, 26, participante do projeto, disse que a ação surgiu motivada pela necessidade de ajudar as pessoas, pensando principalmente nas crianças.


“Minha motivação para vir aqui são as crianças. Elas ficam dias sem comer, porque dependem de doações dadas pelas pessoas que passam por aqui”, disse.

A mulher, que não tem emprego fixo, explica que tira dinheiro dos trabalhos como diarista para ajudar na compra dos alimentos distribuídos.


“Nós compramos arroz, frango e tudo o que fazemos. É a segunda vez que viemos, pois só fazemos as ações quando temos material suficiente. A primeira vez entregamos 24 marmitas e ficamos tristes por não podermos ajudar mais, hoje conseguimos entregar 62”, declarou.

O grupo também utiliza as redes sociais para mobilizar e chamar a atenção das pessoas para abraçarem a iniciativa. Através de seu canal no Youtube, Israel Martinez, integrante do grupo, compartilha a ação com seus seguidores.



“Vamos seguir fazendo e ajudando, pois cada vez que entregamos uma marmita a uma criança, vemos seu aspecto e as vezes estão totalmente debilitadas. Isso nos emociona e nos motiva a ajudar ainda mais”, finalizou Yahilet.

Migrantes nas ruas de Boa Vista


Dados da Análise Conjunta de Necessidades, da plataforma Regional de Coordenação Interagencial R4V, site da Organização das Nações Unidas (ONU), revelaram que, dos imigrantes entrevistados, 34% relataram não ter moradia garantida para o próximo mês.)


Ajudada pelo Raíces y Broto, Franli Angelina, 19 anos, chegou há três meses em Roraima e como não conseguiu vaga nos abrigos disponibilizados na capital, adotou a rua como sua casa. Ela contou um pouco sobre as dificuldades de viver próximo a rodoviária de Boa Vista.


“Eu cheguei em Roraima sozinha com meu filho, busquei os abrigos, mas havia muita gente querendo uma vaga também. Ainda que eu estivesse acompanhada de uma criança de um ano, não consegui entrar. Aqui não vivo uma vida cômoda. Nossa única ajuda é o que nos dão. Meu sonho é dar uma vida melhor ao meu filho”, relatou a jovem.


Procurada, a Operação Acolhida - a força tarefa do Exército Brasileiro que trabalha recepção, no abrigamento e na interiorização -, informa que em Boa Vista, há mais de 400 vagas, entre os setes abrigos e Posto de Recepção de Atendimento e a ocupação dos abrigos se dá por especificidades dos grupos de imigrantes, como, aqueles que possuem família, os que necessitam cuidados médicos, os indígenas e os que já preenchem os pré-requisitos para interiorização.


As prioridades para o abrigamento, segundo a nota, ocorrem conforme maior vulnerabilidade, como pessoas com deficiência, mães solo e idosos. A nota ainda afirma que por existir regras para o convívio e bem-estar


Os dados sobre a quantidade de moradores na capital atualmente é desconhecido. Em 2019, a Justiça de Roraima determinou que a Prefeitura de Boa Vista implementasse um programa para monitorar a população em situação de rua, uma vez que o intenso fluxo de imigrantes venezuelanos têm provocado um aumento na população do Estado.


Na época, a Prefeitura destacou que as ações de enfrentamento da crise migratória cabiam ao Governo Federal.


Procurado, o Poder Executivo Municipal não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação do texto.


46 visualizações0 comentário