• Laís Muniz

Veganismo: um estilo de vida que vai além das restrições alimentares

Atualizado: 21 de out. de 2021


FOTO: arquivo pessoal



Segundo Ricardo Laurino, presidente da Sociedade Vegetariana do Brasil, 30 milhões de brasileiros são adeptos ao estilo de vida. Atualmente, grandes empresas, como a BRF, Nestlé, Unilever, Burger King e McDonald’s já investem em produtos exclusivamente veganos.

Em Roraima, a microempresária Francisca do Nascimento, é uma das pessoas que investiu no negócio de comidas vegetarianas e veganas. Ao perceber uma necessidade em Boa Vista, apostou no mercado consciente.



Mesmo durante a pandemia de Covid-19, seu restaurante especializado em pratos alternativos ganhou um público fiel, contudo, sua iniciativa ainda enfrenta grandes desafios, como o transporte de materiais de origem vegana como salsichas de proteína de soja.




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O nutricionista Jorge Cavalcante explica que é possível levar uma vida tranquila e saudável, desde que, quando necessário, haja a suplementação, para evitar perdas nutricionais.

“Existe toda uma forma de equilíbrio entre as refeições. Em algumas substâncias, há uma biodisponibilidade maior através das carnes, porém, é possível ter acesso a essas substâncias através de outras fontes, como legumes, verduras e fitoterápicos”, destacou.


O nutricionista ainda informa que veganos e vegetarianos podem ser tão saudáveis quanto pessoas com dietas distintas.

“Até mesmo alguns atletas de fisiculturismo seguem dietas vegetarianas e veganas, o que não quer dizer que essas dietas sejam mais saudáveis do que de quem consome carne. O que eu quero dizer é que uma pessoa vegana pode ser tão saudável quanto um carnívoro”, explicou.


De acordo com a pesquisa Ibope em 2018, no Brasil, os veganos já somam 14% da população. Em contraste, o país ocupa o 5º lugar no ranking mundial de maiores consumidores de carne, que é liderado pelos Estados Unidos, Austrália, Argentina e Israel.


A VIDA VEGANA


FOTO: arquivo pessoal

Lais Fernanda Matos é vegana há 5 anos. Após um ano no vegetarianismo, seus ideais falaram mais alto, pensando principalmente na sua saúde, responsabilidade social, ambiental e animal.


Fernanda não usa nada de origem animal, e claro, os cosméticos estão inclusos. Ela é adepta das marcas Vizzela, Sallve e Lola cosmetics, e diz se sentir satisfeita por não precisar renunciar aos seus ideais para conseguir cuidar de si.

“Conhecer marcas brasileiras veganas acessíveis foi excelente para que eu não renunciasse a nada para tornar minha vida mais alinhada aos meus ideais. No próprio mercado nacional, existem marcas que se importam com a vida animal e que estão dispostas a se tornarem alternativas de qualidade para quem busca beleza sem prejudicar outros seres vivos”, destacou.


MARCAS VEGANAS DO BRASIL


De acordo com um relatório da Grand View Research, o mercado global de cosméticos veganos deve atingir 20,8 bilhões de dólares até 2025. E o Brasil não fica para trás quando se trata de sustentabilidade e um mundo mais verde.


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Grandes marcas e empresas mudaram políticas de anos para serem mais conscientes em relação a natureza, como o Boticário, Natura, Granado, Phebo, Quem Disse Berenice? entre outros. Porém, também existem marcas que tem como principal política ser vegana e livre de crueldade.


MERCADO LOCAL


Em Roraima, o Ateliê e Saboaria Flor da Pele é um dos exemplos de empreendimentos focados em produtos veganos e livre de crueldade. Ângela Coelho, idealizadora do Ateliê, produz sabonetes, hidratantes, desodorantes, perfumes e outros produtos artesanais. Entre eles, podemos destacar os sabonetes naturais.



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Dona Ângela explica que os sabonetes não contêm nenhuma adição de lauril, um componente que faz espuma, feito de parabenos, que tem grande impacto no meio ambiente. Ela explica que os sabonetes, ricos em glicerina, cuidam muito mais da pele.

“Eles (os sabonetes) são bem diferentes daqueles que encontramos em mercados e farmácias. Feitos a mão, eles contêm inúmeros benefícios, como hidratar a pele e os cabelos, sem tirar a hidratação natural da pele”, explicou.



A empreendedora também destaca que além dos sabonetes serem eficientes na limpeza, eles também são indicados para pessoas com problemas dermatológicos como dermatite, psoríase, queimaduras e alergias.


Por serem naturais, os sabonetes vendidos pelo Ateliê também podem ser usados em animais, crianças e idosos, pois não causam nenhum tipo de irritação a pele ou ao coro do animal.





VEGANISMO É SUSTENTABILIDADE


A percepção de conservação do Veganismo também contempla os processos de produção de insumos de forma mais sustentável. Atualmente, cerca de 30% das áreas terrestres são usadas para a produção de carne.

Um terço do cultivo mundial de grãos é destinado para criações de animais, o que é equivalente ao território da Austrália. Para além disso, o consumo de água para suprir a produção animal já ultrapassa o consumo total da população urbana.




SER VEGANO NÃO COMPETE SOMENTE A CLASSE A


Não importa onde você mora, e sim, como você pensa. O veganismo tem o papel de conscientizar o mundo de pautas como o desperdício de alimentos, redução do uso de plástico, excesso da geração de lixo e fontes renováveis de energia. Um consumo inteligente conserva um planeta mais verde.


Por Ingryd Mayrla, Isabella Castro e Laís Muniz

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