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ELEIÇÕES 2018 - Shéridan Oliveira: competência ou oportunidade?

Atualizado: 13 de Dez de 2018

Por José Carlos Magno

Shéridan Oliveira


Pelo palco elisabetano da trama política roraimense passam, mandato a mandato, personagens que prendem os olhos de quem, atentamente, assiste e espera que os atores tragam soluções para as mazelas do Estado. Os anos passam, os problemas continuam os mesmos, mas a população se encontra entretida pelas comédias, dramas e tragédias protagonizadas por quem deveria estar trabalhando pela população. 


Entre 'heróis', anti-heróis e vilões, não se pode deixar de falar da musa da política roraimense, Shéridan Oliveira, e dos atos por ela interpretados ao longo de sua jornada pelos palácios, câmaras e secretarias do Estado.


Para recapitular, Shéridan Anchieta Oliveira começou sua carreira política em 2005, logo após casar-se com o então vice-governador do Estado, José de Anchieta Júnior, ao ser nomeada assessora chefe de comunicação da Câmara Municipal de Boa Vista sem sequer ter formação ou experiência na área.


Ao se tornar primeira dama de Roraima em 2007, com a morte de Ottomar Pinto, Shéridan Esterfany, quase que automaticamente, se tornou secretária de Promoção Humana e Desenvolvimento. Pouco antes de terminar seu casamento com Anchieta, em 2014, Shéridan foi eleita deputada federal pelo PSDB e, como parlamentar, mostrou desserviço proporcional a sua 'beleza'.


Logo no início do mandato votou favorável a um projeto de Eduardo Cunha, hoje preso, que dificultaria o aborto em caso de estupro. Votou favoravelmente também à Reforma Trabalhista e à PEC do Teto de Gastos Públicos. Tudo isso fazendo parte do partido de caras conhecidas por motivos não muito bons, como Aécio Neves, José Serra e Waldir Maranhão. Ou seja, pra coisa boa ela não se candidatou.


Shéridan também protagonizou momentos embaraçosos, misturando sua vida pessoal à política desnecessariamente. Junto de seu ex-marido, ela teve suas contas bloqueadas pela Justiça de Roraima, ao usar a aeronave do Governo para transportar o MC Sapão do Rio de Janeiro até Boa Vista, para cantar em seu aniversário. Além disso, Shéridan nomeou para seu gabinete uma babá e uma empregada doméstica que trabalhavam na sua casa, com salários de R$11 mil e R$4 mil, respectivamente.


A tucana também foi investigada por compra de votos para seu ex-marido, ao oferecer vantagens para eleitores da Capital que votassem nele.

Mesmo com esse histórico, não se sabe como, Shéridan foi reeleita. Na certeza de que muito pode piorar, é possível esperar que o desserviço da moça continue por seu despreparo, falta de consciência e empatia, se levada em consideração sua origem e a vida que levava antes de conhecer Anchieta.

Shéridan é mais uma personagem do que hoje podemos chamar de tragédia grega da política roraimense. O resultado de sua jornada, construída na base da oportunidade e não da competência, ilustra o perigo que existe em dar poder à pessoas desqualificadas que, em questão de tempo, se mostrarão mal intencionadas e corruptíveis.

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