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Semáforos de Boa Vista são locais de trabalho para venezuelanos

Por: Eliane Guimarães Edição: Laura Lima

Foto: Eliane Guimarães

Imigrantes vendendo produtos em semáforos de Boa Vista. Essa se tornou nos últimos três anos, uma das cenas mais vistas na capital de Roraima. Desde 2015, diversos venezuelanos fogem da crise que se instalou no país de origem; e em busca de trabalho e o que comer, eles encontram no Brasil uma nova oportunidade de recomeçar.


De acordo com a ONU, existem mais de 3 milhões de refugiados e imigrantes venezuelanos no mundo, mais de 96 mil, entre eles, crianças e adultos, já cruzaram a fronteira do Brasil em busca de alimentos, medicamentos e emprego. O motivo da migração é a crise político-econômica, instalada na Venezuela. Sem transporte, e guiados apenas pela esperança, a maioria deles, andam mais de 215 km a pé até à capital, para começar uma nova ‘caminhada’ em busca de um emprego.


Com abrigos insuficientes para a quantidade de imigrantes, as calçadas de lojas, paradas de ônibus e prédios abandonados se tornam a nova casa deles e, as avenidas o local de trabalho. Antes, em Boa Vista era possível notar poucos vendedores ambulantes em semáforos, atualmente, em cada sinal de trânsito, pode-se notar um, e na sua maioria, venezuelanos. Vendendo produtos alimentícios, eletrônicos e domésticos nos semáforos, eles enxergam uma maneira e oportunidade de ganhar dinheiro para fugir da fome.


Foto: Eliane Guimarães

Luís Torres, mora em Roraima há 8 meses, deixou sua família em Caracas, capital da Venezuela, para vir em busca de emprego no estado. Em seu país de origem era cozinheiro, atualmente, limpando os vidros dos carros e, às vezes, vendendo suco ou frutas, nos semáforos de Boa Vista.

“Nos primeiros dias foram difíceis, não comemos bem e foi uma luta. Eu gostaria de ter um emprego melhor, embaixo de um teto, para que quando chova eu possa continuar trabalhando sem me molhar, e ter um horário e companheiros de trabalho”.







Todos os dias, ele precisa dispor de esperança para acreditar que as vendas serão boas, e por lidar com diversas pessoas, muitas delas, estressadas e cansadas ao retornar do trabalho, também surgem alguns contratempos.

“Às vezes eu vendo rápido, outras vezes não vendo muito, depende também do gosto de algumas pessoas, algumas gostam muito de tomar um suco, outras de laranja e essas são coisas que se vendem rápidas, mas consigo vender de pouco a pouco. Mas, as maiores dificuldades aqui nos semáforos são algumas pessoas que ficam furiosas ou de repente não ajudam, mas não culpo eles, porque todos nós temos problemas na nossa vida”.

Com todas as dificuldades sendo enfrentadas a cada dia, ainda assim, ele consegue apreciar e reconhecer as belezas do Brasil. “Aqui em Roraima, eu gosto muito das bolachas, das músicas que são muito bonitas, dos rios, e as praças”, conta.

Foto: Eliane Guimarães

Outro imigrante que sobrevive com vendas nos semáforos é Jesus Toares. Na Venezuela, ele trabalhava como soldador de estruturas metálicas e em decorrência da crise que se instalou em seu país, decidiu vir para o Brasil. Por não ter encontrado ainda um trabalho fixo, se mantem financeiramente revendendo produtos nas avenidas da capital. Segundo ele, os produtos para as vendas nem sempre são os mesmo, pois alguns são difíceis de serem vendidos. Para isso, Toares vai “mudando até chegar a algo que venda mais rápido”.


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