• Laís Muniz

Pós-graduação: é preciso falar sobre saúde mental

Atualizado: Out 11


Foto: Laís Muniz | Com a pandemia de covid-19, mais da metade dos brasileiros declararam que sua saúde mental piorou, indica pesquisa.

Pressão por alto desempenho, publicações, trabalho, família. O estudante de pós-graduação enfrenta os mais diversos obstáculos em busca do tão sonhado título. Entre esses desafios, é possível destacar o de manter a saúde mental. Segundo estudo publicado na revista cientifica Nature Biotechnology, pós-graduandos tem seis vezes mais chances de desenvolver ansiedade e depressão.


Hstéffany Muniz é aluna do curso de Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória) da Universidade Federal de Roraima. Por ser a única mulher e a primeira colocada da sua turma, ela diz ter sofrido com a alta expectativa dos companheiros de curso e dos professores.

“Havia uma expectativa muito grande sobre tudo que eu escrevia, sobre tudo o que eu falava. Havia essa expectativa de que a melhor nota sempre seria a minha. E isso não acontecia com as outras pessoas, a expectativa era toda em cima de mim”, destacou.


A mestranda disse ainda que devido a essas expectativas, acabou desenvolvendo o pensamento acelerado.

“Evitei ir a eventos e quando ia, não conseguia me desligar. Ficava me sentindo culpada por não estar em casa estudando ou produzindo alguma coisa. Esses pensamentos ocupavam minha cabeça, desgastando minha saúde mental”, disse.


Ao ser questionada se pretendia fazer doutorado, Hstéffany informou que só faria se pedisse afastamento do trabalho.

“Trabalhar e fazer uma pós-graduação, seja ela lato sensu ou stricto sensu, é demais para a cabeça de um ser humano. Por exemplo, o ProfHistória exige que você esteja em sala de aula, e o maior problema não é esse, é estar em sala de aula em um período pandêmico. Não dá”, destacou.


ASSISTÊNCIA NAS UNIVERSIDADES


A ANPG (Associação Nacional de Pós-graduandos) é uma das organizações que atuam na busca de pautar a assistência aos pós-graduandos dentro das universidades e institutos.


De acordo com a Vice-Presidente da Regional Norte da ANPG, Priscila Lira, é preciso, mais do que nunca, que os ambientes acadêmicos discutam ações em torno dessa temática.

“O ambiente acadêmico exige muito dos pós-graduandos, as pressões prejudicam a saúde mental e sem ela não tem como “produzir”. Para além da necessidade de produção, nós acreditamos que o ambiente da pós-graduação possa oferecer qualidade de vida e pesquisa”, ressaltou.


Para ajudar a encontrar soluções para este problema, a ANPG está elaborando um questionário para mapear as violências e o sofrimento mental nas universidades. Você pode saber mais clicando aqui.


QUANDO PROCURAR AJUDA?


A psicóloga Ana Loureiro esclareceu que a ansiedade e a tristeza são emoções naturais e que estão presentes em todos os seres humanos.

“As emoções são importantes na hora de transmitir conteúdos que merecem nossa atenção e avaliar sua consistência com a situação em que vivemos. Nesse sentido, quando sentimos a ansiedade e tristeza elevadas, é importante termos consciência de que acontecimentos estão produzindo essas sensações”, indicou.


Loureiro destacou que é importante estar atento a sintomas como irritabilidade, falta de esperança e perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas.

“Também é preciso prestar atenção em sintomas físicos como palpitações, sudorese excessiva, sensação de falta de ar, calafrios ou ondas de calor, que geram prejuízos e sofrimento significativo para a pessoa. São fatores que precisam ser avaliados”, afirmou.


A UFRR (Universidade Federal de Roraima) informou à Rede Amazoom que o SAP (Serviço de Atendimento Psicológico) coordenado pelo curso de psicologia é o responsável por prestar atendimento psicológico para os alunos tanto da graduação, quanto da pós. Apesar do serviço presencial estar suspensos por conta da pandemia de covid-19, os atendimentos continuam ocorrendo on-line, e podem ser agendados pelo telefone do SAP, número (95) 99171-0722.



imagem: fique atento aos sinais de alerta. CVV: 188 ou DAS: 3308-7091

COMO LIDAR COM ESSAS EMOÇÕES?


Você sabia que a prática de exercícios físicos é uma das formas de extravasar a tristeza e a ansiedade? Foi o que explicou a psicóloga Ana Loureiro. Confira outras cinco práticas que podem te ajudar a manusear essas emoções:

1. Desligar-se de preocupações excessivas e principalmente aquelas não trazem soluções para os problemas;

2. Meditação;

3. Controle da intensidade respiratória através da respiração diafragmática;

4. Questionar se os seus pensamentos estão de acordo com a realidade.


Contudo, a psicóloga inteirou que também é preciso buscar ajuda profissional.

“É importante procurar auxílio psicológico se essas emoções tomarem uma proporção elevada, chegando a causar prejuízos e sofrimento em áreas importantes da vida da pessoa”, Disse.