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Roraima já registra mais casos da Covid em julho do que nos meses de abril, maio e julho de 2022


Mês de julho registrou 4.742 casos, um aumento de 822 casos sobre os três meses juntos. Levantamento reúne dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).


Por: Yara Ramalho




Foto: Yara Ramalho


Roraima já registrou mais que o dobro de casos confirmados de Covid-19 durante o mês de julho, na comparação com os meses de abril, maio e junho deste ano. Foram 4.742 casos nos primeiros sete dias de julho, contra 2.293 diagnósticos positivos dos três meses juntos. O levantamento faz parte de uma análise realizada pela reportagem com base nos dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau). 


Os dados apontaram que em abril, maio e junho foram confirmados 285, 338 e 1670 casos da doença, respectivamente. Para se ter uma ideia, apenas nos cinco primeiros dias de julho, foram 3.115 casos - 822 diagnósticos a mais.


Para o professor de Saúde Coletiva no Centro Universitário Estácio da Amazônia, Rodrigo Danin, esse aumento de casos está diretamente ligado ao afrouxamento das medidas de prevenção contra o coronavírus, como a diminuição do uso de máscaras, restrição das campanhas relacionadas à higienização das mãos e o desuso do álcool em gel.


“Tudo isso está relacionado ao aumento do número de casos da Covid-19. Essa doença também pode ser considerada sazonal, num período mais chuvoso ela vai se manifestar com números muito maiores”, explicou o especialista 





Apesar do aumento dos casos, o estado apresentou uma queda no número de óbitos causados pelo coronavírus. Em abril, foram seis vidas perdidas para a doença, enquanto que, em maio, foi apenas uma. 


A última morte foi registrada no dia 22 de junho, após um período de 42 dias seguidos sem confirmações de óbitos. O mês de julho ainda não confirmou novas mortes.


Segundo Rodrigo Danin, esse resultado é reflexo da vacinação. “A gente tem que levar sempre em consideração o fato das pessoas estarem sendo imunizadas, né? Em média 83% da população do país está imunizada e isso quer dizer que poucas dessas pessoas que contraíram o vírus chegaram a ter complicações”, ressalta.


SAIBA MA


Em Roraima, 68,5% da população já recebeu pelo menos a primeira dose do imunizante, conforme o vacinômetro, site criado pelo governo estadual para divulgar o número de doses recebidas, distribuídas e aplicadas. Essa porcentagem representa 432.644 pessoas. 


Com relação à segunda dose, 327.747 habitantes receberam a vacina contra a Covid – 75,8% em relação a 1ª dose. Ao todo, 760 doses foram aplicadas em todo o estado.


Os dados de vacinação trazem bons resultados. Mas, na análise do especialista. ainda não é o momento ideal para relaxar.


“A vacina não é uma varinha mágica. Você não toma a vacina e pronto, tá livre da Covid-19. O que acontece é a diminuição da gravidade do caso nas pessoas que são contaminadas”, explicou Danin.

Insegurança

Mesmo tendo tomado todas as principais doses da vacina contra a Covid, a estudante Sara Oliveira, de 21 anos, tem medo de contrair a doença e, consequentemente, contaminar os dois filhos pequenos.


“O medo é eminentemente pois com o aumento de casos vem a super lotação dos postos de saúde e emergências, elevando o custo de cuidados no atendimento particular. Isso também dificulta muito o atendimento que já não é muito fácil no SUS (Sistema Único de Saúde)”, relatou.

Na capital Boa Vista há 34 Unidades de Saúde Básica (UBS), com todos os serviços da atenção básica. Destas, sete são destinadas para casos exclusivos da Covid-19, como a UBS Olenka Macellaro, no bairro Caimbé, na zona Oeste do município.


Na quinta-feira (8), a reportagem foi até unidade para registrar o fluxo de pessoas. No entanto, por volta das 16h, apenas cinco pessoas estavam no local.


Foto: Yara Ramalho


Em outra unidade, no bairro Santa Teresa, apenas uma pessoa aguardava atendimento. Esse cenário pode ser resultado da apresentação de sintomas leves da doença, que é confundida com gripes virais e desmotiva as pessoas a procurarem o atendimento médico, como é o caso da assistente de protocolo, Karen Picanço.


Na última semana de junho, a jovem apresentou tosse seca e febre, sintomas parecidos com o do vírus, mas, inicialmente, não procurou uma unidade de saúde.


Cerca de uma semana depois, ela buscou atendimento médico. Apesar da grande desconfiança, o teste deu negativo.


No entanto, Karen que já está totalmente vacinada decidiu intensificar as medidas de prevenção devido ao aumento de casos.



Foto: Yara Ramalho


“Eu tomei todas as vacinas e tomaria tudo de novo se pudesse. Como tenho contato com muitas pessoas sempre uso máscaras em lugares fechados, shopping e o meu próprio local de trabalho”, garantiu a jovem.


Segundo Rodrigo Danin, essas ações são muito importantes para evitar a contaminação pelo coronavírus.


“Para que a gente evite esse aumento, nós temos que voltar a fazer o uso das medidas preventivas que fazíamos. A gente deve voltar a usar máscaras, manter a atenção na higienização das mãos, ou seja, não relaxar nas medidas preventivas e ficar sempre atento, lembrando, que a gente tem uma doença ainda pouco conhecida pela ciência”, ressaltou Rodrigo.

Pandemia

Roraima confirmou os primeiros casos da doença no dia 21 de março de 2020. Dois anos e três meses depois, na noite dessa quinta-feira (7) o estado confirmou mais 777 novos casos da doença, de acordo com o relatório epidemiológico da Sesau.


Com a atualização, o número de infecções chegou a 164.739 mil casos. Ainda de acordo com o boletim, nenhuma morte foi confirmada.


Ao todo, Roraima contabiliza 2.153 vítimas da doença e outros 19 óbitos em investigação pela Secretaria de Saúde.





Em todo o estado, há a circulação de quatro variantes do coronavírus. Segundo a Sesau, o número de confirmações seguem em 266 da Gamma, 35 da Delta e 20 da Ômicron, variantes de preocupação.


Além delas, há um caso da variante Mu, uma alteração de interesse. Até essa sexta-feira (8), 154.163 pessoas são consideradas recuperadas da Covid.


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