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Rock in Rio: uma aventura caríssima para os nortistas

Atualizado: 10 de Out de 2019

Por: Eduardo Fredi, Francisco Eduardo e Samantha Rufino


Entrada para a cidade do rock. Foto: Eduardo Fredi

O Rock in Rio é um dos maiores e mais consagrados festivais do país e do mundo, com 19 edições na conta e 34 anos de existência o festival contabiliza mais de 2 mil artistas escalados e cerca de 9 milhões de pessoas na platéia ao longo da história.


A primeira edição surgiu em 1985 em meio a um contexto político de redemocratização do país. O primeiro festival de grande porte em toda a América Latina foi idealizado pelo empresário Roberto Medina e sediado no Rio de Janeiro. O evento ocorre a cada 2 anos e já atingiu países como Lisboa, Espanha, Estados Unidos, Madrid e Buenos Aires.


Na edição 2019, o festival contou com 7 dias de programação e incluiu no lineup os mais diversos estilos musicais, desde o clássico rock com Scorpions, Iron Maiden e Foo Fighters até o popular funk carioca com Anitta e Ludmilla e inovando com o R&B da cantora H.E.R e os novos nomes da cena alternativa da música brasileira como Plutão Já foi Planeta e O Terno.




A SAGA DE UM NORTISTA


Com a popularização do evento e variedades nas atrações internacionais e nacionais o número de pessoas que se locomovem para acompanhar o show dos artistas favoritos aumenta a cada ano, pessoas de todas as regiões do país costumam viajar para a cidade do Rio de Janeiro exclusivamente para prestigiar o festival.


O trajeto pra quem mora em Roraima é mais complicado em comparação com as demais a regiões do país, a distância aproximada entre a capital Boa vista - Roraima e a cidade do Rio de Janeiro é de aproximadamente 5000km.




Com o trajeto dividido em várias etapas, na maioria das vezes a viagem se torna um pouco complexa, para baratear os custos muitos buscam alternativas como trechos por terra até Manaus e voos com conexões mais demoradas. Para ter uma noção mais física desse processo de locomoção nosso repórter Eduardo Fredi fez um relato em vídeo de como foi sua experiência entre Boa Vista e Rio de Janeiro.





UM PESADELO CHAMADO “PASSAGEM AÉREA”


A experiência de ir para o Rock in Rio é complicada para quem não mora em solo carioca, principalmente para as pessoas que vivem no extremo Norte do país. Além do aumento do preço dos ingressos a cada nova edição do festival, o público nortista precisa desembolsar uma quantia valiosa para comprar as passagens aéreas, que tendem a ser mais caras na região.


O estado de Roraima possui o valor de transporte aéreo mais caro do país, segundo últimos dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Foi analisado que a tarifa para voos domésticos roraimenses custa em média R$645,10 com distâncias de até 2.298km.


No mesmo ranking, Rondônia aparece no segundo lugar e logo em seguida o estado do Amazonas. Ambos estados estão localizados na região Norte e também trazem a mesma dificuldade financeira para quem deseja viajar para o Rock in Rio. No ano de 2019, houve uma queda de 1,3% no preço médio da passagem aérea nacional, mas a região norte segue apresentando as maiores tarifas do país.




O público do Rock in Rio é composto em maioria por turistas que vem da região do sudeste* devido a proximidade do Rio de Janeiro. Para esse público, o deslocamento para o festival se torna mais acessível por conta de voos rápidos, rotas de ônibus e pacotes completos de viagem ofertados pelos serviços de hotelaria e turismo da “cidade maravilhosa”.


No ano de 2019, se baseia em R$371,76 o preço médio nacional de voos domésticos. Um valor extremamente diferente comparado aos índices da região Norte. Para um roraimense que deseja vivenciar o Rock in Rio, são necessários meses de planejamento e cuidados com o orçamento da viagem.


Entramos em contato com pessoas da cidade de Boa Vista que já tiveram a oportunidade de celebrar o festival e eles compartilham conosco suas experiências e dicas para quem deseja ir no Rock in Rio nas próximas edições.


Luanna de Carvalho, 24 anos, acadêmica de Ciências Sociais.
“Já conhecia o Rio de Janeiro, mas ir com meus amigos foi minha primeira experiência. Fui para assistir o show da Lady Gaga e apesar do gasto e do cancelamento, foi uma viagem inesquecível. Fizemos passeios, conhecemos pessoas de outros estados e compartilhamos momentos indescritíveis.
A maior dificuldade é a passagem aérea. Tive a sorte de comprar na base dos R$700 depois de muita pesquisa e madrugadas de plantão nos sites de companhias aéreas. Minha dica é: comece a se planejar o quanto antes, veja sites de hospedagem como o Airbnb, indique um amigo para ganhar desconto na reserva, opte por passeios gratuitos e tente sair da sua cidade com tudo fechado e de preferência, pago”
Iago Reis, 23 anos, acadêmico de Arquitetura e Urbanismo
“Na viagem e no festival fiz bons amigos que mantenho contato até hoje. Sair da região Norte sempre é uma grande burocracia logística, é a parte mais difícil ao meu ver. São muitas trocas horas de voo e às vezes muitas trocas de avião e os preços não são nem um pouco acessíveis.
O Rio de Janeiro é uma cidade cara, então minha dica é se planejar bem e se organizar financeiramente e psicologicamente para encarar algumas realidades que de longe passam por perto da nossa em Roraima.”
Gessy Almirante, 38 anos, funcionária pública
“Já fui em duas edições de 2011 e 2015. Todas as vezes fui com amigos e lá fizemos mais amizades ainda. O festival é lindo e vemos pessoas de todas as idades por lá.
Como sempre fui acompanhada, minha dica é que pesquisem com antecedência o preço da passagem e comprem as passagens junto de seus amigos, pois algumas companhias dão descontos para viagens em grupo.”
Clarissa Melo, 23 anos, acadêmica de Artes Cênicas
“A viagem exigiu muito planejamento, mas foi maravilhosa. Fui com um um grande grupo de amigos e nós dividimos apartamento.
Claramente a maior dificuldade são as passagens. Esse sempre vai ser o maior trabalho pro roraimense. A dica é ter isso como prioridade depois de comprar os ingressos do dia que você quiser ir. Também vale muito a pena investir no transporte ofertado dentro do festival, pois você não tem só a vantagem de ir e voltar com mais conforto, mas também de entrar antes e em um local mais estratégico que te deixa mais perto do Palco Mundo.”

Na edição de 2019, o Rock in Rio recebeu visitantes de 73 países e turistas de todos os estados do Brasil. Seja de avião, carro, navio, ou ônibus, há sempre um número grandioso de pessoas no festival.


ROCK IN RIO 2019: Mais uma edição de sucesso


A festa da 34ª edição encerrou no último dia 6 de outubro, o Rock in Rio 2019 atingiu um público de 700 mil pessoas nos sete dias de evento se consolidando como a terceira maior edição em número de pessoas, perdendo apenas para as edições de 2001 e 1985 e empatada com os anos de 2017 e 2011.


Outra mudança em termos de números foi a sede do evento, a Cidade do Rock aumentou sua estrutura para 385 mil metros quadrados, 60 mil a mais do que a edição passada, totalizando 17 áreas e 9 palcos e 300 horas de festival.


Além do crescimento do público e estrutura, um dos ganhos é para a economia do estado, segundo a Secretaria de Turismo o festival movimentou R$ 1,7 bilhão de reais e gerou 25 mil empregos. Outro dado importante é em relação ao lixo produzido, cerca de 370 mil toneladas foram recolhidos, sendo 245 mil destinados para reciclagem.


Os 7 dias de festival foram marcados por muita música, diversidade e também posicionamentos políticos de artistas e da própria platéia, a Amazônia, oposição ao atual governo e a violência cometida pelo estado estiveram em pauta.


A organização do evento garante que já iniciou os trabalhos e negociações para 2021, os fãs mais ansiosos já podem contar com a participação do DJ brasileiro Alok como atração da 35a edição e esperar que a sorte esteja ao seu favor na escolha da organização para o próximo line up.


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