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Rede Latino-americana nasce na Colômbia para dar voz própria à Comunicação Ambiental

  • Foto do escritor: Amazoom
    Amazoom
  • 6 de mai.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 7 de mai.

Lançada durante o II Simpósio da Red LECA, na Universidad de La Sabana, iniciativa reúne pesquisadores, universidades e organizações sociais para fortalecer epistemologias do Sul, democracia, justiça ambiental e cooperação científica na América Latina.


Prof. Dr. Bruno Takahashi, da Michigan State University, no lançamento da Red LECA. Foto: Vilso Jr Santi.
Prof. Dr. Bruno Takahashi, da Michigan State University, no lançamento da Red LECA. Foto: Vilso Jr Santi.

A Red LECA - Rede Latino-Americana de Estudos em Comunicação Ambiental, foi lançada oficialmente durante o II Simpósio da Red LECA, realizado na Universidad de La Sabana, em Chía, Cundinamarca, na Colômbia, com o tema "Democracia y Comunicación Ambiental en América Latina". O encontro reuniu pesquisadoras, pesquisadores, estudantes, comunicadores e representantes de organizações sociais interessados em pensar a comunicação ambiental a partir dos territórios latino-americanos, de suas urgências, feridas, resistências e modos próprios de produzir conhecimento.


Mais do que uma cerimônia de criação institucional, o lançamento marcou a passagem de uma ideia coletiva para uma rede em movimento. A Red LECA nasce como espaço de articulação acadêmica, política e sensível para enfrentar um desafio que já não cabe apenas nos laboratórios, nas salas de aula ou nos artigos científicos: compreender como a crise ambiental também é uma crise de linguagem, de escuta, de democracia e de imaginação pública.


O Prof. Dr. Bruno Takahashi, da Michigan State University, destacou que a comunicação ambiental não pode ser reduzida à simples transmissão de informações, à circulação de notícias ou ao uso de mídias e redes sociais. Para ele, comunicar é também produzir formas de compreender o mundo, construir relações entre humanos e com aquilo que ele chamou de “mais que humano”, e disputar os sentidos que organizam nossas realidades. A proposta da Red LECA, nesse horizonte, é mostrar que há epistemologias e ontologias produzidas desde o Sul Global capazes de orientar pesquisas, decisões e práticas comunicacionais mais conectadas às realidades latino-americanas.


Takahashi lembrou que muitas teorias formuladas no Norte Global foram historicamente usadas para explicar o Sul, nem sempre dando conta de suas complexidades. A rede, segundo ele, quer inverter esse gesto: fazer emergir contribuições latino-americanas que sirvam não apenas para compreender a própria região, mas também para dialogar, em condições mais justas, com pesquisadoras e pesquisadores de outras partes do mundo.

“Não se trata somente de criticar, mas também de construir”, afirmou Bruno, ao mencionar projetos já em andamento, como artigos, dossiês acadêmicos, publicações multilíngues e iniciativas formativas em comunicação ambiental e sustentabilidade.

A investigadora Dra. Raquel Aparicio Cid, da Universidad de Guadalajara, apresentou os princípios que vêm orientando a elaboração do Manifesto de Criação da Red LECA. Em sua fala, ela enfatizou que a América Latina enfrenta graves problemáticas ambientais associadas a modelos de desenvolvimento capitalistas, extrativistas e predatórios, que atingem territórios, populações e formas de vida. Por isso, defendeu que a pesquisa em comunicação ambiental precisa contar com bases teóricas e epistemológicas próprias, capazes de ler a região a partir de suas experiências, conflitos e saberes.


Raquel também destacou que a Red LECA não pretende construir um pensamento único. Ao contrário: sua força está na pluralidade de perspectivas, disciplinas, práticas e territórios. Entre os princípios apresentados, aparecem o compromisso ético e político com a sustentabilidade da vida, a transformação cultural diante dos modelos de desenvolvimento insustentáveis, a pluralidade epistemológica e ontológica, e a defesa da participação social, do diálogo e da democracia.


Dra. Raquel Aparicio Cid, da Universidad de Guadalajara. Foto: Vilso Jr Santi.
Dra. Raquel Aparicio Cid, da Universidad de Guadalajara. Foto: Vilso Jr Santi.

Para ela, a comunicação ambiental é uma prática fundamental para a vida democrática, especialmente em contextos marcados por autoritarismo, violência, despojo de direitos e captura das instituições por interesses privados.





Já a jornalista e investigadora Carolina Gil Posse, da organização Salud sin Daño, reforçou o caráter colaborativo e em construção da rede. Segundo ela, a Red LECA vem sendo tecida desde o seu primeiro simpósio, realizado em Lansing, nos Estados Unidos, e ganhou corpo ao longo do último ano por meio de encontros virtuais, atividades presenciais, projetos coletivos e trocas entre pesquisadoras, pesquisadores e instituições da região. Agora, com o lançamento formal, a rede passa a organizar sua expansão e abre caminho para que novas pessoas interessadas em comunicação ambiental possam se somar ao coletivo.


Investigadora Carolina Gil Posse, da organização Salud sin Daño. Foto: Vilso Jr Santi.
Investigadora Carolina Gil Posse, da organização Salud sin Daño. Foto: Vilso Jr Santi.

Entre os objetivos apresentados por Carolina estão o fortalecimento do campo da comunicação ambiental por meio de iniciativas de pesquisa, diálogo, divulgação e educação; a consolidação de uma perspectiva crítica na região; a criação de redes entre pesquisadores, grupos acadêmicos, organizações sociais e comunidades; e a difusão regional e global de pesquisas capazes de dar visibilidade à perspectiva latino-americana.


Ela também apresentou o novo logotipo da Red LECA, criado por Isabella D'Albora, estudante da Universidad de Montevideo, como marca visual desse coletivo que agora começa a caminhar com nome, rosto e horizonte.


O lançamento da Red LECA acontece em um momento em que falar de meio ambiente na América Latina é falar também de democracia, desigualdade, mineração, mudanças climáticas, povos indígenas, comunidades tradicionais, saúde, território, ciência, juventudes e disputa de narrativas. A rede nasce, portanto, como uma espécie de ponte: entre universidades e comunidades, entre pesquisa e ação pública, entre crítica e esperança, entre a palavra acadêmica e o chão quente dos conflitos socioambientais.


O seu recado é direto: comunicação ambiental não é apenas uma editoria sobre árvores, rios e bichos ameaçados. É uma forma de investigar quem decide sobre os territórios, quem lucra com a destruição, quem é silenciado nas coberturas, que futuros são narrados como possíveis e quais vidas são tratadas como descartáveis.


No lançamento da Red LECA, a comunicação apareceu como aquilo que ela talvez seja em seus melhores momentos: não só uma ferramenta para contar o mundo, mas uma prática coletiva para tentar reconstruí-lo.


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