Primeiro dia do evento sobre 30 anos da TI Yanomami reuniu mais de 120 pessoas no auditório do CAF

Atualizado: 14 de ago.

Segundo dia do seminário ocorre nesta sexta-feira (12), a partir das 18h, na UFRR. Inscrições para novos participantes poderão ser realizadas no local.

Na mesa: Evilene Paixão (PPGCOM); Dário Kopenawa (HAY); Júlio Ye'Kuana (AWY), Júnior Herukari (Condisi/YY);

e Alisson Marugal (MPF-RR).

A primeira noite das atividades do seminário "O Futuro é Indígena: 30 anos da Terra Yanomami", realizado nessa quinta-feira (11), reuniu lideranças indígenas e indigenistas para discutir atual momento dos povos indígenas que vivem na maior terra indígena do país.


O evento contou com a presença do vice-presitende da Hutukara Associação Yanomami (HAY), Dário Kopenawa Yanomami, do presidente da Associação Wabasseduume Ye’kuana (AWY), Júlio Ye'Kuana, do presidente do Condisi Yanomami e Ye'kuana, Júnior Herukari, e do procuraro do Ministério Público Federal (MPF-RR), Alisson Marugal.


Mais de 120 pessoas acompanharam as atividades no primeiro dia do evento.


Ao todo, o seminário levou mais de 120 pessoas ao auditório do auditório do Centro Amazônico de Fronteiras (CAF) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), somente na primeira noite. A maioria dos participantes realizou a inscrição na hora para participar do evento.

“A sociedade roraimense não conhece o território, não sabe quem são os Yanomami. É preciso mostrar a resistência do nosso povo, pedir por respeito e expor o que a gente sofreu nesses 30 anos de enfrentamento dos invasores, de garimpo, desmatamento, destruição da educação e saúde” - Dário Kopenawa.

Dário Kopenawa, uma das principais lideranças indígenas dos povos Yanomami e Ye'kuana, contou que o evento é um importante momento para chamar a atenção da população de Roraima para conhecer a história e atual situação dos povos indígenas que vivem no estado.

“A sociedade roraimense não conhece o território, não sabe quem são os Yanomami. É preciso mostrar a resistência do nosso povo, pedir por respeito e expor o que a gente sofreu nesses 30 anos de enfrentamento dos invasores, de garimpo, desmatamento, destruição da educação e saúde”, afirmou Dário.

Dário Kopenawa, uma das principais lideranças indígenas dos povos Yanomami e Ye'kuana.

Alisson Marugal, outro convidado do evento que tem atuado na defesa dos povos indígenas, ressaltou a importância do Seminário sobre os 30 anos da Terra Yanomami e apontou os principais desafios da luta em defesa e proteção do Território.

“A atividade de mineração ilegal tomou uma proporção imensa afetando mais de 16 mil indígenas. Então é um desafio atuar nesse contexto! Eventos como esse são extremamente importantes para que possa dar visibilidade e publicidade a uma situação que eu classifico como uma tragédia humanitária”, explicou.

Conforme o procurador, o desmonte das políticas públicas de proteção ambiental e territorial, assim como a valorização do preço do ouro nos últimos anos, foram um dos principais fatores que acabaram favorecendo o crescimento da atividade mineração ilegal nas terras indígenas.

“A atividade de mineração ilegal tomou uma proporção imensa afetando mais de 16 mil indígenas. Então é um desafio atuar nesse contexto! Eventos como esse são extremamente importantes para que possa dar visibilidade e publicidade a uma situação que eu classifico como uma tragédia humanitária” - Alisson Marugal.

“O discurso de incentivo a mineração ilegal acaba legitimando essa atividade. Um projeto de lei, por exemplo, que transita no Congresso Nacional visando legalizar a mineração da Terra Indígena cria expectativas nessas pessoas de que no futuro essas jazidas e essas atividades ilegais sejam legalizadas”, finaliza.

Wellen Araújo é doutoranda em Educação na Amazônia/UFAM e veio assistir o evento. Ela afirma que é de extrema importância que assuntos como esses sejam debatidos dentro da comunidade acadêmica e que é necessário abrir espaço para que os povos indígenas exponham a situação que têm enfrentado.

“É de extrema importância aqui dentro da UFRR estar discutindo essas pautas e esse cenário que os povos indígenas estão enfrentando. Principalmente para os povos que foram representados aqui, os Yanomamis e os Ye’kuanas. São pautas que a cada dia tem que ganhar espaços e tem que ser discutidas dentro da nossa sociedade e principalmente no estado de Roraima”, disse.


Segundo dia de atividades

O segundo dia do evento ocorrerá nesta sexta-feira (12), a partir das 18h no auditório do CAF/UFRR e contará com a presença de David Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami (HAY); Maurício Ye’kuana, que também é diretor da HAY; e, Edinho Batista Macuxi, coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR).

David Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami.


Interessados em participar do seminário podem se inscrever no local do evento. A mesa do segundo dia irá debater o processo histórico de luta dos povos indígenas no Brasil e falar sobre os principais desafios enfrentados nos 30 anos de demarcação da Terra Yanomami.


Exposição:

Registros realizados em sobrevoos recentes pela Hutukara Associação Yanomami (HAY), das áreas devastadas pela invasão garimpeira dentro da Terra Indígena Yanomami. estão à mostra na Exposição Fotográfica “O Futuro É Indígena: 30 Anos Da Terra Yanomami”, durante a realização do Seminário.

Imagens da Exposição fotográfica e do primeiro dia do evento.


O público poderá conferir imagens impressionantes do desmatamento, assoreamento, poluição dos rios e igarapés. A presença dos garimpeiros em plena atividade ilegal, com seus maquinários, equipamentos, aviões, helicópteros, entre outros registros impactantes.


Promovido pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFRR, o Seminário e a Exposição Fotográfica pretendem colaborar com as organizações indígenas para dar visibilidade a estas questões, e como forma de denunciar esses crimes.

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