• Elane Oliveira

A poleterapia pode ser usada como ferramenta terapêutica?

Além de modalidade esportiva, o pole dance também pode ser um importante aliado contra transtornos psicológicos e para boa saúde mental.


Professora Cristina Manah em frente ao Roraima Gardem Shopping. Fonte: Instagram.

A dança se tornou uma opção de atividade física que ajuda a manter o corpo e a mente saudáveis, pois é considerado um exercício que trabalha a coordenação motora e a flexibilidade. Segundo a profissional de Educação Física, Anne Medeiros, a dança é considerada uma atividade física que gasta muita energia e traz inúmeros benefícios ao corpo humano.

“A melhora da consciência corporal, coordenação motora e equilíbrio, o combate ao sedentarismo, são apenas algumas das vantagens de dançar. No aspecto cognitivo, a dança contribui para a melhora de resoluções de problemas, trabalhando o raciocínio dos praticantes”, disse.

A prática do Pole dance surgiu no início do século 21 e corresponde a um esporte acrobático praticado numa barra vertical. Hoje existe no mundo um movimento crescente de transformação do Pole em uma atividade física artística. O pole tem suas ramificações que são as modalidades: Pole Fitness, Pole Esporte, pole exótico, pole sensual, pole artístico, poleterapia.


O pole dance é uma modalidade de dança que ajuda na autoestima e no autoconhecimento corporal dos praticantes, sendo uma prática esportiva que estimula a liberação de hormônios como a endorfina e a serotonina, substância que causam a sensação de bem-estar e prazer, ajudando no combate a doenças psicológicas, como ansiedade ou depressão.


Segundo HiIsmayla Maria, psicóloga especialista em Avaliação Psicológica, a prática de atividades físicas podem auxiliar de maneira eficaz nos tratamentos psicológicos. “Pessoas com estresse e depressão são as que relatam significativa melhora com a prática de exercícios físicos. Também os profissionais da psicologia, têm recomendado a prática de atividades físicas, como forma de prevenção secundária em pacientes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e no Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)”, explicou.


Durante a pandemia o número de adeptos a esse tipo de tratamento integrado cresceu e se tornou eficaz nos públicos de diversas idades, a psicóloga conta que 75% de seus pacientes relatam que após o início do tratamento veem mudança significativa na sua qualidade de vida.

“A atividade física desempenha grande papel em determinadas situações de problemas psicológicos e, um dos benefícios é que o corpo ao se exercitar, libera substâncias químicas, chamadas popularmente de ‘hormônios do prazer’. Também melhora a concentração da pessoa que pratica atividade física”, conta.
Aluna de poleterapia em um evento externo. Fonte: Divulgação Instagram.

A Professora de poleterapia, Cristina Manah, sofreu um acidente de trânsito em 2016, que causou uma grave lesão na perna esquerda. Em busca de um tratamento eficaz para a recuperação motora, entrou em contato com a prática de pole dance, mesmo com o desafio inicial devido a lesão. “O pole dance chegou na minha vida a partir de uma experiência pessoal. Fiquei um bom tempo sem andar e fiz sete procedimentos cirúrgicos, mesmo ao final de todo o tratamento com práticas esportivas, com fisioterapia, com medicamentos, e estímulos diversos, uma parte ainda continuava muito prejudicada que era a minha coordenação motora”, conta.


Mariana Turco pratica a poleterapia há cerca de um ano com a mãe, e conta que as mudanças no seu corpo foram importantes, mas a forma como passou a explorar os movimentos do seu corpo é a sua maior realização.

“Não é exatamente por conta do físico, mas ver que seu corpo é capaz de fazer coisas incríveis é muito bom. Mesmo sem ter aquele corpo malhado, com técnica e disposição você alcança figuras no pole que nem imaginava. Saber que você é capaz te motiva em outras áreas também”.

Aqueles que praticam a poleterapia relatam a definição dos músculos e a mudança na forma como enxergam o corpo, no caso das mulheres, o efeito da prática traz o empoderamento e a confiança na realização de movimentos complexos da modalidade.

A professora Cristina Manah conta os relatos de alunas que, segundo ela, despertaram uma deusa em si mesma. “Uma vez feito o movimento, a aluna passa a se enxergar de forma capaz e percebe seu potencial. Através dos espelhos, das fotos e dos vídeos, consegue se enxergar e se sentir bem consigo. Seja pela admiração estética ao sentir-se linda, plena e/ou feminina, seja através da admiração das habilidades, isto é, pela sensação de superação da dor e das dificuldades”. conta.


Ela completa falando sobre a sensação de satisfação que a aluna tem quando alcança seus objetivos e se sente segura para avançar na prática.

“Ela não é capaz de fazer o movimento “do nada” e sim pelo seu esforço e dedicação. Por ter confiado em si mesma, por ter arriscado e por não ter desistido. Então o empoderamento que o pole proporciona vai para além da sala de aula, isso significa dizer que ao adquirir mais confiança com o nosso corpo trazemos essa atitude para a vida em decisões cotidianas”.

Além da prática diária e o convívio com suas alunas, o contato com a modalidade proporcionou à professora uma terapia diária, aumentando sua qualidade de vida e sua paixão pela arte do pole. “Minha experiência com as aulas de certa forma me ajuda com a minha a saúde mental, principalmente, pelo fato de eu ministrar aulas quanto o fato de eu ainda ter aulas. Eu ainda sou aluna de pole de um nível mais avançado, serei uma eterna aprendiz, o conhecimento nunca se esgota, então a gente sempre tem o que aprender e o que conhecer, pois eu estou sempre buscando me profissionalizar”, comentou.


Mariana Turco que tem aulas com a Cristina, conta um pouco sobre o impacto das aulas em sua rotina.

“É um exercício divertido, que me relaxa e me aproxima da minha mãe. Há um ano fazemos juntas, então aquele momento é nosso, para nos divertir e desafiar. Segunda e quarta é o nosso dia.”, finalizou.

As atividades auxiliares para terapias contra doenças mentais auxiliam não só na qualidade de vida, mas na convivência em sociedade. A adaptação desses tratamentos nos faz pensar na evolução da medicina e na simplicidade de fazer o que se gosta para alcançar um bem estar melhor no dia a dia, alternativas essas que impactam pessoas de diversas idades e rendas diferentes.


Poleterapia

Fonte: GAIAPOLE. “A história do pole dance”. https://news.gaiapole.com/historia-do-pole-dance.


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